16 de March de 2026
complexo de delegacias de Feira de Santana no Sobradinho
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade
O advogado que acompanhou os suspeitos na delegacia, afirmou que o caso foi uma fatalidade, resultado de uma briga antiga entre vizinhos.
complexo de delegacias de Feira de Santana no Sobradinho
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

Dois homens suspeitos de participação na morte do idoso Luiz Antônio Santos Miranda, de 73 anos, ocorrida no bairro Parque Ipê, em Feira de Santana, se apresentaram à Polícia Civil na tarde desta segunda-feira (16), acompanhados de advogados. Eles foram ouvidos pela delegada Ludmila Vilas Boas, adjunta da Delegacia de Homicídios.

Relembre o caso

O crime aconteceu por volta das 23h da última quinta-feira (12), na Rua Madureira. Conforme apurado pela reportagem do Acorda Cidade, policiais militares do 25º Batalhão foram acionados pelo Centro Integrado de Comunicações (Cicom) após denúncia de homicídio. Ao chegarem ao local, encontraram o idoso caído no chão, com sinais de violência na cabeça. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) confirmou a morte e o Departamento de Polícia Técnica (DPT) realizou o levantamento cadavérico.

Segundo a delegada, logo após o crime foram realizadas diligências e algumas testemunhas foram ouvidas.

“Logo nos primeiros momentos que nós estivemos lá, fizemos algumas diligências, coletamos testemunhas, trouxemos para a unidade policial, ouvimos essas pessoas que já de imediato nos deram a qualificação dos acusados, dos suspeitos. Hoje, mais precisamente agora à tarde, eles se apresentaram com advogados. Um deles confirmou a autoria do crime, alegando legítima defesa, algo que para nós efetivamente não tem razão de ser, uma vez que a vítima teve seu imóvel arrombado e foi agredida a golpes de instrumento contundente no interior do seu imóvel.”

De acordo com a delegada, o segundo suspeito afirmou que apenas teria arrombado o portão da residência da vítima e deixado o local antes da agressão mais grave.

“Já ouvimos algumas pessoas, hoje ouvimos os autores que se apresentaram e tão logo tenhamos a conclusão dos procedimentos, encaminharemos à justiça.”

Segundo familiares da vítima, o crime teria sido cometido por um vizinho de 53 anos, com a ajuda do genro, de 37 anos. Questionada sobre quem teria cometido o assassinato, a delegada afirmou que o próprio vizinho assumiu a autoria.

“Segundo o vizinho de 53 anos, teria sido ele alegando, mais uma vez, legítima defesa. Tese essa que, para mim, não tem a menor lógica. Como eu disse a vocês, a vítima teve sua casa invadida e o crime ocorreu dentro do imóvel da vítima. O indivíduo de 53 anos já saiu do imóvel dele para dentro do imóvel da vítima. Não houve atendimento em via pública, não há como se explicar como legítima defesa as circunstâncias que o crime ocorreram”, reforçou a delegada.

Vilas Boas também afirmou que o crime pode ter sido motivado por desentendimentos antigos entre os vizinhos.

Vizinho confessa matar idoso após invadir casa no Parque Ipê; advogado alega legítima defesa
Delegada Ludmila Vilas Boas | Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

“Eu estive no imóvel. A primeira coisa que me chamou a atenção é de que o senhor de 53 anos construiu a casa no limite do muro e todas as saídas de ar estavam viradas, abertas para o terreno da vítima. Havia um cobogó aberto para o terreno da vítima, sem a distância legal de 1,5m. E por fim, o autor teria aberto um buraco no muro por onde escoava água da área de serviço para dentro do terreno da vítima. Segundo eles mesmos falam, a vítima não se incomodava sequer com os cobogós e com as aberturas, mas sim com a abertura do muro da água que entrava para o terreno dele. E esse teria sido a motivação de tanta briga entre eles que culminou no assassinato do senhor Luiz Antônio”, disse a delegada ao Acorda Cidade.

Sobre a versão de agressões mútuas apresentada pela defesa, a delegada contestou a tese de legítima defesa.

“A pergunta é: se você tem o seu portão arrombado e sua casa invadida, o que você faria? Então, assim, a agressão já começa a partir do momento que o portão é arrombado. Depois, desdobra a partir do momento que o indivíduo invade a sua residência. Um homem de 53 anos contra um idoso de 73 anos, acompanhado de um homem de 37 anos. Então façam vocês a conjectura e imaginem aí a situação.”

Ela também afirmou que a versão apresentada pelos suspeitos não a convenceu.

“Em hipótese alguma, não se justifica agredir um idoso de 73 anos a golpes de barrote ou a golpes de machado, como ele diz. Não se justifica por nada desse mundo, até porque ele poderia ter ligado para o 190 se alguma situação ou algum xingamento tivesse ofendido. Todos iriam à Central de Flagrante e lá se resolveria o problema. Mas invadir, agredir um idoso a golpes de porrete ou a golpes de machado, nós voltamos à Idade da Pedra? Isso é descabido isso”, afirmou a delegada.

O que diz a defesa dos suspeitos

O advogado André Coutinho, que acompanhou os suspeitos na delegacia nesta segunda, afirmou que o caso foi resultado de uma briga antiga entre vizinhos.

“Na verdade, foi uma fatalidade. Uma rusga que vem se arrastando durante 17 anos entre eles. Eles são vizinhos e aí, no dia 12 à noite, a coisa fugiu do controle, porque o senhor Antônio desferiu palavras de baixo calão contra o senhor de 53 anos, o genro dele e o neto dele que é autista. Ele [suspeito de 53 anos] foi na porta da casa dele e ele estava armado com a machadinha. Entraram nas vias de fato. Ele conseguiu pegar a machadinha na mão dele, quando foi sair do local o senhor Antônio pegou um barrote, um pedaço de pau e desferiu na cabe do meu cliente. Tanto que nós fomos já fazer o exame de corpo de delito e realmente ele tem uma lesão na cabeça, no braço e na perna”, disse.

O advogado reforçou a ideia de que o cliente agiu em legítima defesa.

“Ele só tinha o machado para se defender. Deu com o lado que não é cortante no senhor de idade, seu Antônio, e aconteceu a fatalidade. Agora, ele não tinha intenção nenhuma de matar o seu Antônio. Foi uma fatalidade, uma briga que vinha se arrastando há muito tempo e aconteceu essa fatalidade.”

Ele também negou que os suspeitos estivessem sob efeito de álcool. O advogado contou que apresentou a folha de ponto onde o genro trabalha, afirmando que naquele dia ele não bebeu. O que, outro suspeito, também não.

“Quanto o [suspeito de 53 anos], no final de semana ele não ingeriu bebida alcoólica. As pessoas, os populares, os vizinhos, eles estão falando coisas que na verdade não aconteceu. Não tinha bebida alcoólica.”

A Polícia Civil informou que as investigações continuam e outras provas seguem sendo coletadas. O caso segue sob investigação da Delegacia de Homicídios de Feira de Santana.

Com informações do repórter Ed Santos do Acorda Cidade

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