21 de March de 2026
Embaixada do Vitória em Feira
Foto: Divulgação
Em 2026, o grupo de torcedores feirenses do rubro-negro baiano compareceu aos três jogos realizados no Manoel Barradas.
Embaixada do Vitória em Feira
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Representação oficial ou consular para engajamento e integração de torcedores distantes. Este é o conceito para embaixada de um clube de futebol. Em Feira de Santana, um grupo de aficionados pelo Vitória criou a Embaixada do Leão, que comemorou seu primeiro aniversário no último sábado com grande festa, em um bar da badalada Avenida Fraga Maia. Dezenas de torcedores se reuniram para celebrar a data, com feijoada, cerveja e música, ao som de Ed Brown.

A festa foi bancada com recursos próprios da Embaixada. Ao longo dos últimos meses, promoveu a venda de camisas personalizadas, cujo lucro foi usado para compra dos produtos da feijoada e do bolo de aniversário. De acordo com o presidente Lindomar, não existem fins lucrativos: “Fazemos por amor. Qualquer evento, venda de camisa, copo, boné, reverte em bandeira, faixa e encontros de confraternização como este. Tudo é simbólico e em prol da Embaixada. Não ganhamos absolutamente nada”.

Embaixada do Vitória em Feira
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A Embaixada rubro-negra em Feira participa ativamente da vida do clube. Mantém um fórum permanente de debates em grupo no WhatsApp, bastante movimentado todos os dias. Organiza caravana a cada partida do Leão, principalmente em jogos da Série A realizados no Barradão. De van, ônibus ou automóvel, eles não medem esforços para marcar presença no estádio. Estiveram juntos nos momentos mais dramáticos do time no ano passado, sob ameaça de rebaixamento. Vibraram com a vitória de 1×0 sobre o São Paulo, resultado que manteve o clube na Primeira Divisão.

Embaixada do Vitória em Feira
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Em 2026, o grupo de torcedores feirenses do rubro-negro baiano compareceu aos três jogos realizados no Manoel Barradas, frente ao Remo (Vitória 2×0), Flamengo (Vitória 1×2) e no último sábado diante do Atlético-MG (Vitória 2×0). Contra o Flamengo, a partida, iniciada às 21h30min, terminou muito tarde. A caravana chegou em Feira de Santana, em seu retorno, por volta das 2 horas da madrugada. Vários tiveram no máximo cinco horas de sono, uma vez que trabalhariam às 8 da manhã. Desafio que não os desestimula a acompanhar o time do coração. Se preparam agora para o desafio contra o Mirassol, neste domingo.

Embaixada do Vitória em Feira
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A Embaixada do Leão esteve, no início do ano, com o Vitória em Porto Seguro. O clube da capital enfrentaria o Porto, pelo Campeonato Estadual. Os torcedores de Feira de Santana aproveitaram para curtir o fim de semana na importante cidade turística baiana. Quando o Leão visitou o Estádio Jodilton Oliveira, para jogar contra o Bahia de Feira, é claro, o grupo esteve representado em grande número.

Sucesso entre eles é a camiseta da Embaixada. Em formato regata, a masculina tem um enorme e furioso leão às costas. A versão feminina apresenta uma charmosa leoa à frente. As mulheres, aliás, estão presentes em número expressivo e têm ativa participação nas caravanas e nas discussões.

Embaixada do Vitória em Feira
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O grupo é bastante eclético, contando com jovens, crianças e idosos. São representantes dos mais diversos segmentos — empresários, profissionais liberais, estudantes, comerciários, industriários. O jornalista Augusto Ferreira, um ex-editor de esportes no antigo jornal Feira Hoje, apaixonado torcedor do Vitória, é cadastrado na Embaixada e faz questão de postar suas opiniões no fórum do WhatsApp, diariamente, acerca dos diversos temas ali abordados.

Profissional da educação física, Allécio Lins é mais um que participa das discussões e costuma integrar as caravanas. O tenente da Polícia Militar, Maraivan Lins, viaja sempre de carro, mas confraterniza com a turma da Embaixada, nos arredores do Barradão. O aposentado da Petrobrás Gutemberg Cerqueira é mais um que acompanha toda movimentação do grupo. Integrante da Embaixada, eu já fiz duas viagens com a caravana.

O presidente Lindomar Costa comanda com muita dedicação e disciplina. Questões políticas do clube não devem entrar na pauta dos debates diários do fórum. Ele e sua aplicada diretoria também fazem restrições a postagens que possam macular a imagem do Vitória ou representar ofensa à honra, seja contra dirigentes ou atletas: “Nossa missão é incentivar o time a vencer. A crítica é normal, faz parte da nossa rotina, desde que respeitosa. Não admitimos perseguições ou incitação à desordem”. Animado rubro-negro, ele entende que a proposta também visa proporcionar entretenimento: “Somos uma família, temos problemas eventuais, mas nos mantemos firmes no nosso propósito de apoiar o clube e nos divertir”.

Embaixada do Vitória em Feira
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Como surgiu

Lindomar conta que aprendeu a torcer pelo Vitória com seu pai, Jorge Macedo, que o levava ao estádio quando a família morava em Salvador. Seu tio e padrinho Benício Macedo, chamado “Sariga” entre os mais próximos, também o incentivou bastante. “Sempre tive muito amor ao Barradão”, afirma. Ao mudar da capital para Feira, ficou um tempo distante da praça esportiva: “Fui conhecendo alguns amigos e voltamos a frequentar. Kelly, minha esposa; Adjon; Minho; Galdino; Amaury; Arilson; Poliana. Passamos a viajar juntos.”

O Vitória, então, lançou a ideia da criação de embaixadas pelo Brasil. O propósito era fazer com que o clube reconhecesse seus torcedores mais distantes de Salvador. “Neste momento, aquele grupo, ao lado de outros como Doutor Bruno, Lins, Lucas, Gutemberg e tantos outros nomes, decidiu criar a da nossa cidade”.

Embaixada do Vitória em Feira
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Mas eles não imaginavam “chegar a esta proporção”. O pensamento inicial era unir as pessoas para assistir aos jogos juntos em algum lugar, como a Arena Premium JC no Jardim Cruzeiro, um dos primeiros templos da Embaixada. Também, melhor organizar caravanas para ver algumas partidas presencialmente no estádio. Porém, o pequeno movimento foi “contagiando” outras pessoas; o grupo crescia. “Começamos a nos reunir no Xpetto para assistir aos jogos do time. Mais gente, mais caravanas”. Aumentava o número de interessados e a van de 15 lugares já não comportava o público. A empresa de locação precisou de um veículo para 20 pessoas. Fora os que seguiam a Salvador de carro.

A Embaixada chegou a fretar micro-ônibus com 31 lugares. Até que precisou alugar o primeiro e histórico ônibus, exclusivamente dedicado aos apaixonados rubro-negros feirenses. Hoje, com cerca de 450 pessoas, o numeroso grupo realizou no ano passado nesta cidade, com sucesso absoluto, um evento do projeto Sou Mais Vitória. Aproximadamente 300 pessoas participaram. Esteve presente o tradicional mascote do leão Prepostos da campanha “Sou mais Vitória” tiraram dúvidas dos associados. A loja itinerante do clube, em um caminhão, vendeu camisas e outros produtos do clube com preços promocionais.

Lindomar conta com o apoio de vários rubro-negros para organizar a Embaixada. Um deles, Alexon Vidal, diretor financeiro. Arilson é o diretor patrimonial. Ele, Galdino e Eliseu cuidam dos diversos materiais de uso da Embaixada: um bandeirão 4×4, bandeira 2×2, faixa, faixa 4×2, lapelas para gravação de conteúdos digitais. Adjon é o diretor operacional “que dá suporte em tudo”. A diretoria de Marketing está sob o comando das jovens Bruna e Kelly. Grupo das Leoas, núcleo feminino dentro da Embaixada, é dirigido por Isadora e Ana Paula. “São 10 diretores, mas dezenas de colegas nos dão suporte em tudo que necessitamos”, diz o presidente, agradecido pelo apoio de todos.

Por Valdomiro Silva

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