

A cena exibida no BBB 26, em que a participante Gabriela consome carne crua durante o preparo de uma refeição, rapidamente viralizou nas redes sociais. Mas, para além do estranhamento do público, o episódio acende um alerta importante: os riscos reais associados ao consumo e à manipulação inadequada de alimentos de origem animal.
Segundo a médica veterinária e especialista em segurança dos alimentos, Paula Eloize, o comportamento visto no programa não deve ser tratado como algo inofensivo ou apenas curioso.
“O consumo de carne crua, quando não há controle rigoroso de procedência e manipulação, pode expor a pessoa a bactérias como Salmonella, Escherichia coli e Listeria monocytogenes, além de parasitas. Dependendo da carga contaminante, isso pode causar desde quadros leves até infecções graves, especialmente em pessoas mais vulneráveis”, explica.
Mas o risco não está apenas no consumo direto.
A especialista chama atenção para um ponto crítico pouco discutido: a contaminação cruzada, uma das principais causas de surtos de doenças transmitidas por alimentos.
“Quando alguém manipula carne crua e leva a mão à boca ou continua o preparo sem higienização adequada, pode transferir microrganismos para utensílios, bancadas e outros alimentos já prontos para consumo. Isso é especialmente perigoso porque a contaminação se torna invisível, mas continua ativa”, alerta.
O que muita gente não sabe
De acordo com Paula, existem erros comuns no dia a dia que ampliam esses riscos:
- Usar a mesma faca ou tábua para carne crua e alimentos prontos, sem higienização
- Lavar a carne, o que pode espalhar bactérias pela pia e superfícies
- Provar alimentos com utensílios contaminados durante o preparo
- Manter carne fora de refrigeração por tempo prolongado
- Acreditar que aparência ou cheiro são suficientes para avaliar segurança
“Segurança dos alimentos não se avalia no olho. Um alimento pode parecer normal e ainda assim estar contaminado”, reforça.
Carne crua é sempre um risco?
A especialista explica que existem preparações com carne crua, como alguns pratos tradicionais, mas que seguem critérios rigorosos de segurança.
“Nesses casos, há controle de origem, inspeção sanitária, cadeia de frio mantida e manipulação adequada. Fora desse contexto, consumir carne crua é assumir um risco que muitas vezes a pessoa nem percebe.”
Como reduzir riscos na prática
Paula Eloize destaca medidas simples, mas essenciais, que deveriam fazer parte da rotina:
- Higienizar mãos antes, durante e após manipular alimentos
- Separar utensílios para alimentos crus e prontos
- Cozinhar carnes completamente, atingindo temperaturas seguras
- Manter alimentos refrigerados abaixo de 5 °C
- Evitar provar alimentos com utensílios contaminados
- Limpar superfícies imediatamente após contato com carne crua
“Segurança dos alimentos não é exagero, é prevenção. E ela começa em comportamentos simples, repetidos todos os dias”, afirma.
O episódio no BBB 26, segundo a especialista, reforça a importância de ampliar o debate sobre educação sanitária, especialmente em contextos de grande visibilidade.
“Quando algo assim ganha repercussão, temos uma oportunidade de transformar um momento de entretenimento em conscientização. Porque, no fim, estamos falando de saúde pública”, conclui Paula Eloize.
Siga o Acorda Cidade no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos canais no WhatsApp e YouTube e grupo de Telegram.
