22 de March de 2026
síndrome de Down
Foto: Ed Santos / Acorda Cidade
A trissomia do cromossomo 21, condição genética conhecida popularmente como síndrome de Down, não é uma doença.
síndrome de Down
Foto: Ed Santos / Acorda Cidade
Foto: Ed Santos / Acorda Cidade

A trissomia do cromossomo 21, condição genética conhecida popularmente como síndrome de Down, não é uma doença.

Apesar da possibilidade de provocar características físicas e intelectuais bem específicas, a alteração no par de número 21 dos cromossomos humanos deve ser encarada como qualquer outra variação genética e, de preferência, sem nenhum tipo de preconceito.

E é buscando popularizar informações como essas que nasceu o “Celebrando a Diferença”, um evento que ocorre anualmente em Feira de Santana e tem como principal objetivo conscientizar crianças e adultos sobre a síndrome de Down.

Josiane
Josiane Freitas, odontopediatra e organizadora do evento | Foto: Ed Santos / Acorda Cidade

“Queremos celebrar as diferenças, ter a possibilidade de entender mais sobre empatia, respeito e, principalmente, que as crianças entendam a respeitar o próximo, respeitar as outras crianças com suas diferenças”, disse a odontopediatra Josiane Freitas, organizadora do evento.

🎶Todo mundo tem seu jeito singular

Para a reportagem do Acorda Cidade, a profissional, que é especialista em atender pessoas com deficiência, confessou que a ideia do evento surgiu após um episódio lamentável no consultório dela.

Foto: Ed Santos / Acorda Cidade

Josiane afirmou que tem o hábito de deixar no local de trabalho bonecos que representam pessoas com algum tipo de condição diferente e que ficou muito triste após perceber que a avó de um paciente se referiu com um termo pejorativo ao bonequinho com síndrome de Down.

“Eu fui explicar para a criança que aquele boneco tinha a trissomia do cromossomo 21, e a mulher falou: ‘Ah, igual aquele menininho do condomínio que é mongoloide’. Eu fiquei surpresa. Atualmente, as pessoas ainda têm essa definição errada para as crianças com deficiência. Aí eu vi a necessidade de passar por um processo de educação”, disse.

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“Eu realmente acredito que as pessoas que são preconceituosas, na maioria das vezes, não é por maldade, mas sim, infelizmente, por falta de informação correta. Por isso que eu tive a ideia de fazer um evento em que as crianças e as suas famílias tivessem a oportunidade de realmente ter um conhecimento sobre as pessoas com deficiência”, completou a profissional.

🎶Ser diferente é normal

O evento ocorreu na tarde deste domingo (22), em alusão ao Dia Internacional da Síndrome de Down, comemorado em 21 de março. O Celebrando a Diferença também foi uma oportunidade para reforçar a campanha internacional “Muitas Meias” (Lots of Socks), em que as crianças usam meias trocadas para simbolizar o apoio à causa e promover a aceitação da diversidade.

Foto: Ed Santos / Acorda Cidade

“A trissomia do cromossomo 21 é justamente quando há 3 cromossomos ao invés de 2 no par 21. E as meias trocadas são uma campanha mundial porque a meia tem uma semelhança com o cromossomo. Então, para a gente, essa iniciativa fortalece e conscientiza as pessoas sobre a síndrome de Down”, disse a organizadora.

A professora Gabriela Oliveira dos Santos foi uma das muitas mães que participaram do evento. Ao lado do filho, o pequeno Benjamin, de apenas dois aninhos, ela falou sobre o grau de dificuldade para vencer o maior de todos os desafios da síndrome de Down: o preconceito.

Gabriela Oliveira dos Santos e o filho Benjamim
Gabriela Oliveira dos Santos e o filho Benjamim | Foto: Ed Santos / Acorda Cidade

“Às vezes, a gente sente um olhar, uma recusa, mas, graças a Deus, o Benjamin é um menino que é bem aceito no meio em vive. Temos o apoio da nossa família, dos profissionais e dos amigos. Ele tem a avó, que amplia esse leque de possibilidades de cuidado. Fora, ainda percebermos um olhar, muitas vezes, de desconhecido, outras vezes, é um olhar por achar que ele não é capaz. Infelizmente, existe”, disse Gabriela.

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A mãe contou que o garotinho está fazendo terapia e que, no caso dela, só foi possível conhecer a condição de Benjamim após o parto. Ciente de todos os desafios que enfrenta diariamente e os que ainda estão por vir, e certamente irá vencer, Gabriela disse estar animada com o evento.

“É muito bom. Eu fiquei muito feliz com a iniciativa. Eu acho que celebrar a inclusão é uma oportunidade de a gente mostrar à sociedade que eles estão aqui, que são crianças cheias de potencial. O que impede, às vezes, o crescimento deles é o preconceito”, disse.

“Hoje estamos vendo que eles estão incluídos na sociedade, que é direito deles; a sociedade está aí e é direito de todos. Para as mães que têm a criança com algum diagnóstico, quero dizer que o diagnóstico não é destino. É o início de tudo; invista nos seus filhos, não desista, o mundo é de todos nós. Então, vamos lá, mostrar para o mundo que nossos filhos são capazes”, complementou a mãe.

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🎶Já pensou, tudo sempre igual?

“Todo mundo tem seu jeito singular / De ser feliz, de viver e de enxergar / Se os olhos são maiores ou são orientais / E daí? Que diferença faz?” São com esses versos que o consagrado cantor baiano Gilberto Gil decidiu traduzir a empatia em música.

A canção “Ser diferente é normal”, eternizada na voz do artista ao lado da filha Preta Gil, é um dos símbolos em formato de música sobre a busca incansável que devemos fazer diariamente para respeitar qualquer tipo de diferença. E, nesse sentido, o evento “Celebrando a Diferença” cumpre bem esse papel.

Michelle Muritiba Sales
Michelle Muritiba Sales | Foto: Ed Santos / Acorda Cidade

“Esse já é o segundo ano que a gente participa, só que, durante o ano, ela vai proporcionando outros eventos. Isso faz com que as nossas crianças tenham oportunidades que a gente não consegue proporcionar de outra forma. Então, sempre ficamos muito feliz de estar proporcionando essas oportunidades para os nossos filhos.”, disse Michelle Muritiba Sales.

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Ao lado da filha de apenas 4 anos, a mãe celebrou a inclusão e reforçou que construir e manter a cultura do respeito é um dever e uma tarefa de todos. Para a reportagem do Acorda Cidade, Michele contou que tem esperança de um futuro melhor para quem tem síndrome de Down.

“Cada pessoa precisa fazer a sua parte, assim vamos conquistando mais espaços. Não é só você chegar em março, abril e falar sobre a síndrome de Down e autismo. Inclusão é você chegar todos os dias, de pouquinho em pouquinho, na escola, em casa, no supermercado, em todos os ambientes, e conscientizar tanto as crianças como os adultos”, disse.

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“Precisamos fazer isso para sermos mais empáticos, sermos mais respeitosos e respeitarmos realmente a condição de cada um e valorizarmos o que cada um tem de melhor. Espero que a gente consiga construir um mundo melhor para os nossos filhos”, concluiu Michele.

Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade

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