


A trissomia do cromossomo 21, condição genética conhecida popularmente como síndrome de Down, não é uma doença.
Apesar da possibilidade de provocar características físicas e intelectuais bem específicas, a alteração no par de número 21 dos cromossomos humanos deve ser encarada como qualquer outra variação genética e, de preferência, sem nenhum tipo de preconceito.
E é buscando popularizar informações como essas que nasceu o “Celebrando a Diferença”, um evento que ocorre anualmente em Feira de Santana e tem como principal objetivo conscientizar crianças e adultos sobre a síndrome de Down.

“Queremos celebrar as diferenças, ter a possibilidade de entender mais sobre empatia, respeito e, principalmente, que as crianças entendam a respeitar o próximo, respeitar as outras crianças com suas diferenças”, disse a odontopediatra Josiane Freitas, organizadora do evento.
🎶Todo mundo tem seu jeito singular
Para a reportagem do Acorda Cidade, a profissional, que é especialista em atender pessoas com deficiência, confessou que a ideia do evento surgiu após um episódio lamentável no consultório dela.

Josiane afirmou que tem o hábito de deixar no local de trabalho bonecos que representam pessoas com algum tipo de condição diferente e que ficou muito triste após perceber que a avó de um paciente se referiu com um termo pejorativo ao bonequinho com síndrome de Down.
“Eu fui explicar para a criança que aquele boneco tinha a trissomia do cromossomo 21, e a mulher falou: ‘Ah, igual aquele menininho do condomínio que é mongoloide’. Eu fiquei surpresa. Atualmente, as pessoas ainda têm essa definição errada para as crianças com deficiência. Aí eu vi a necessidade de passar por um processo de educação”, disse.

“Eu realmente acredito que as pessoas que são preconceituosas, na maioria das vezes, não é por maldade, mas sim, infelizmente, por falta de informação correta. Por isso que eu tive a ideia de fazer um evento em que as crianças e as suas famílias tivessem a oportunidade de realmente ter um conhecimento sobre as pessoas com deficiência”, completou a profissional.
🎶Ser diferente é normal
O evento ocorreu na tarde deste domingo (22), em alusão ao Dia Internacional da Síndrome de Down, comemorado em 21 de março. O Celebrando a Diferença também foi uma oportunidade para reforçar a campanha internacional “Muitas Meias” (Lots of Socks), em que as crianças usam meias trocadas para simbolizar o apoio à causa e promover a aceitação da diversidade.

“A trissomia do cromossomo 21 é justamente quando há 3 cromossomos ao invés de 2 no par 21. E as meias trocadas são uma campanha mundial porque a meia tem uma semelhança com o cromossomo. Então, para a gente, essa iniciativa fortalece e conscientiza as pessoas sobre a síndrome de Down”, disse a organizadora.
A professora Gabriela Oliveira dos Santos foi uma das muitas mães que participaram do evento. Ao lado do filho, o pequeno Benjamin, de apenas dois aninhos, ela falou sobre o grau de dificuldade para vencer o maior de todos os desafios da síndrome de Down: o preconceito.

“Às vezes, a gente sente um olhar, uma recusa, mas, graças a Deus, o Benjamin é um menino que é bem aceito no meio em vive. Temos o apoio da nossa família, dos profissionais e dos amigos. Ele tem a avó, que amplia esse leque de possibilidades de cuidado. Fora, ainda percebermos um olhar, muitas vezes, de desconhecido, outras vezes, é um olhar por achar que ele não é capaz. Infelizmente, existe”, disse Gabriela.

A mãe contou que o garotinho está fazendo terapia e que, no caso dela, só foi possível conhecer a condição de Benjamim após o parto. Ciente de todos os desafios que enfrenta diariamente e os que ainda estão por vir, e certamente irá vencer, Gabriela disse estar animada com o evento.
“É muito bom. Eu fiquei muito feliz com a iniciativa. Eu acho que celebrar a inclusão é uma oportunidade de a gente mostrar à sociedade que eles estão aqui, que são crianças cheias de potencial. O que impede, às vezes, o crescimento deles é o preconceito”, disse.
“Hoje estamos vendo que eles estão incluídos na sociedade, que é direito deles; a sociedade está aí e é direito de todos. Para as mães que têm a criança com algum diagnóstico, quero dizer que o diagnóstico não é destino. É o início de tudo; invista nos seus filhos, não desista, o mundo é de todos nós. Então, vamos lá, mostrar para o mundo que nossos filhos são capazes”, complementou a mãe.

🎶Já pensou, tudo sempre igual?
“Todo mundo tem seu jeito singular / De ser feliz, de viver e de enxergar / Se os olhos são maiores ou são orientais / E daí? Que diferença faz?” São com esses versos que o consagrado cantor baiano Gilberto Gil decidiu traduzir a empatia em música.
A canção “Ser diferente é normal”, eternizada na voz do artista ao lado da filha Preta Gil, é um dos símbolos em formato de música sobre a busca incansável que devemos fazer diariamente para respeitar qualquer tipo de diferença. E, nesse sentido, o evento “Celebrando a Diferença” cumpre bem esse papel.

“Esse já é o segundo ano que a gente participa, só que, durante o ano, ela vai proporcionando outros eventos. Isso faz com que as nossas crianças tenham oportunidades que a gente não consegue proporcionar de outra forma. Então, sempre ficamos muito feliz de estar proporcionando essas oportunidades para os nossos filhos.”, disse Michelle Muritiba Sales.

Ao lado da filha de apenas 4 anos, a mãe celebrou a inclusão e reforçou que construir e manter a cultura do respeito é um dever e uma tarefa de todos. Para a reportagem do Acorda Cidade, Michele contou que tem esperança de um futuro melhor para quem tem síndrome de Down.
“Cada pessoa precisa fazer a sua parte, assim vamos conquistando mais espaços. Não é só você chegar em março, abril e falar sobre a síndrome de Down e autismo. Inclusão é você chegar todos os dias, de pouquinho em pouquinho, na escola, em casa, no supermercado, em todos os ambientes, e conscientizar tanto as crianças como os adultos”, disse.

“Precisamos fazer isso para sermos mais empáticos, sermos mais respeitosos e respeitarmos realmente a condição de cada um e valorizarmos o que cada um tem de melhor. Espero que a gente consiga construir um mundo melhor para os nossos filhos”, concluiu Michele.
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade
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