27 de March de 2026
Ariranha entra em lista mundial de risco de extinção e passa a ter proteção internacional
Ariranha (Pteronura brasiliensis)- Foto: Marcelo Ismar Santana
Decisão foi aprovada por unanimidade durante conferência da ONU em Campo Grande (MS) e prevê ações conjuntas entre países para preservar a espécie.
Ariranha entra em lista mundial de risco de extinção e passa a ter proteção internacional
Ariranha (Pteronura brasiliensis)- Foto: Marcelo Ismar Santana

A ariranha, considerada a maior espécie de lontra do mundo, passou a integrar a lista da Organização das Nações Unidas (ONU) que reúne animais migratórios ameaçados de extinção. A inclusão foi aprovada por unanimidade nesta quinta-feira (26), durante a COP15, conferência internacional realizada em Campo Grande (MS), e deve reforçar as medidas de proteção ao animal.

Isso significa que a inclusão do animal na lista da ONU representa, na prática, um reforço na proteção internacional da espécie. Agora, os países onde a espécie ainda existe terão que atuar de forma integrada, com ações coordenadas para evitar o avanço do risco de extinção.

A Convenção sobre Espécies Migratórias divide os animais em dois níveis de proteção. O chamado Anexo I reúne animais já ameaçados de extinção, que passam a ter regras mais rígidas de proteção e restrições severas quanto ao uso. Já o Anexo II inclui espécies que ainda não estão em situação crítica, mas que exigem monitoramento constante.

A medida foi apoiada por mais de 130 países que participam da COP15. O pedido de inclusão havia sido apresentado pela França, em 2025, com apoio do Brasil e de outras nações.

A ariranha é um mamífero semiaquático e depende diretamente de ambientes aquáticos e terrestres para sobreviver. A degradação de rios, o desmatamento e a perda de habitat estão entre as principais ameaças à espécie.

Ariranha entra em lista mundial de risco de extinção e passa a ter proteção internacional
Ariranha leva chuva de terra no rosto. — Foto: Redes sociais/Reprodução/ Projeto Ariranhas

Atualmente, o animal é encontrado somente na América do Sul. Antes presente em 11 países, já desapareceu do Uruguai e enfrenta uma situação crítica na Argentina, Paraguai e Equador. Nas últimas décadas, houve uma redução de cerca de 40% na área original de ocorrência.

O que muda

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima reafirmou, em documento divulgado durante a COP15 nesta quinta-feira (26), o compromisso do Brasil em atuar em conjunto com outros países na proteção da ariranha.

Com isso, especialistas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) devem iniciar, já nos próximos dias, a elaboração de um plano de ação. O objetivo é definir medidas práticas, como preservação de habitats, monitoramento das populações e fortalecimento de políticas ambientais integradas entre os países.

Ao lado de Peru, Bolívia, Panamá, Equador, Paraguai, União Europeia, Senegal e Venezuela e da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), o Brasil apoiou a proposta da França de inclusão de espécies nos anexos da Convenção, como a ariranha (Pteronura brasiliensis). Presente nos biomas Pantanal e Amazônia, a espécie reforça o papel do país na proteção de ecossistemas aquáticos e na conservação de espécies indicadoras da qualidade ambiental – trecho do documento

Hoje, o Brasil concentra algumas das maiores populações restantes da ariranha, especialmente nos biomas Amazônia e Pantanal, considerados essenciais para a sobrevivência do animal e de diversas outras espécies.

Matéria produzida pelo estagiário de jornalismo Davi Cerqueira, sob supervisão.

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