18 de April de 2026
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Roberta de Almeida Lima , mulher de 42 anos que morreu após dar entrada no Hospital Especializado Lopez Rodrigues, em Feira de Santana | Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal
Roberta de Almeida Lima, de 42 anos, faleceu após ser internada na unidade psiquiátrica em Feira de Santana.
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Roberta de Almeida Lima , mulher de 42 anos que morreu após dar entrada no Hospital Especializado Lopez Rodrigues, em Feira de Santana | Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal

Familiares estão em busca de uma explicação sobre a real causa da morte de Roberta de Almeida Lima. A mulher, de 42 anos, faleceu após ser internada no hospital psiquiátrico Lopes Rodrigues, em Feira de Santana, no último final de semana.

Em entrevista exclusiva ao Acorda Cidade, Erivânia Lima, irmã da vítima, descreveu os momentos após a morte de Roberta como uma sucessão de acontecimentos ‘estranhos’, além do fato de a família ter recebido duas informações sobre a causa da morte.

“Quando meu sobrinho chegou no hospital, eles disseram que minha irmã enfartou. Toda hora eles perguntavam se minha irmã tinha problemas de coração, mas ela não tinha nenhum problema no coração. Mas, quando o meu sobrinho foi pegar o corpo dela [no DPT], informaram que minha irmã morreu engasgada. Eu quero entender isso, as coisas não estão batendo”, disse Erivânia.

Para a irmã da vítima, a angústia sobre o que realmente pode ter acontecido com Roberta só aumentou após ela tomar conhecimento de que um laudo pericial apontando a real causa da morte só deve ficar pronto em até 90 dias.

Hospital Lopes Rodrigues
Foto: Reprodução/Google Street View

Para a reportagem do Acorda Cidade, Erivânia reforçou que a conduta do hospital, segundo ela, não foi a mais adequada.

“Meu sobrinho ligou para lá umas 9h, informaram que minha irmã estava bem, mas, por volta das 18h, já informaram que minha irmã estava morta. Quando meu sobrinho chegou para conversar com os médicos, falaram que minha irmã estava passando mal desde cedo e não avisaram a nenhum familiar que ela estava passando mal?”, disse.

“Quando eu fui ver minha irmã, ela estava num quarto fechado, provavelmente onde eles prendem ela, porque eu já levei ela [no Lopes] e afirmo que eles me falaram que [deixavam ela só] porque ela não poderia ficar no meio de outros pacientes. Ela ficou nesse estado porque cortaram o benefício dela, ela tinha problemas mentais, mas ela ajudava o filho dela em tudo”, completou a irmã.

O que diz o hospital

Diante da gravidade do caso, a produção do Acorda Cidade entrou em contato com o hospital Lopes Rodrigues em busca de mais informações sobre a morte de Roberta de Almeida. (Confira o texto na íntegra no final da matéria).

Em resposta, emitida por meio de nota, o hospital informou que a paciente foi encontrada desacordada pela equipe, sem sinais vitais, e que foram iniciadas imediatamente manobras de reanimação, mas não obtiveram sucesso.

A unidade também destacou que a causa da morte de Roberta não foi identificada no local e que todas as medidas cabíveis foram adotadas, incluindo o acionamento da Polícia Civil e do Departamento de Polícia Técnica (DPT), responsável pelo laudo que deve indicar a real causa da morte da paciente.

Apesar de rebater, em parte, a versão da família de Roberta, o hospital admitiu que instaurou procedimento interno de sindicância para realizar uma apuração rigorosa dos fatos, reforçando o compromisso da unidade especializada em tratamento de transtornos mentais com a transparência e a melhoria contínua dos processos assistenciais.


Nota do Hospital Especializado Lopes Rodrigues

O Hospital Especializado Lopes Rodrigues (HELR) vem a público esclarecer informações divulgadas acerca do óbito de uma paciente do sexo feminino, de 42 anos, ocorrido na noite do último dia 11 de abril.

A paciente havia sido atendida anteriormente nesta unidade nos dias 07 e 08 de abril, sendo avaliada, medicada e liberada após o período de observação na emergência. Retornou ao hospital no dia 10 de abril, às 11h48, trazida pelo filho, com histórico de acompanhamento em Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e relato de uso irregular de medicações.

Após admissão na emergência, foram solicitados pelo médico plantonista os exames de laboratório, sendo que a paciente foi avaliada, medicada, permanecendo em observação na enfermaria feminina, sob acompanhamento contínuo da equipe multiprofissional, apresentando instabilidade psíquica, sendo encaminhada, no final da tarde, para internação no pavilhão feminino (CAK). Na manhã do dia 11 de abril, foi reavaliada pela médica psiquiátrica assistente, mantendo-se clinicamente e hemodinamicamente estável.

Por volta das 18h do mesmo dia, a paciente foi encontrada desacordada pela equipe assistencial, sendo imediatamente acionado o médico de plantão. Na avaliação inicial, a paciente encontrava-se sem sinais vitais, tendo sido prontamente iniciadas manobras de reanimação cardiopulmonar, porém sem sucesso, sendo o óbito constatado às 18h26.

A causa da morte não foi definida na unidade de saúde. O hospital adotou todas as medidas cabíveis, incluindo o acionamento da Polícia Civil e do Departamento de Polícia Técnica (DPT), responsável pela emissão do laudo conclusivo.

Adicionalmente, o Hospital Especializado Lopes Rodrigues informa que instaurou procedimento interno de sindicância para apuração rigorosa dos fatos, reforçando seu compromisso com a transparência e a melhoria contínua dos processos assistenciais.

A instituição reforça que toda a assistência prestada seguiu rigorosamente os protocolos clínicos e de segurança do paciente, permanecendo à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos adicionais.

O Hospital Especializado Lopes Rodrigues se solidariza com os familiares e reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e a qualidade da assistência em saúde.

Assessoria de Comunicação – HELR


Com informações do repórter Ed Santos e da jornalista Daniela Cardoso, ambos do Acorda Cidade

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