19 de April de 2026
Moradores protestam contra a degradação da educação no Distrito de Maria Quitéria
Foto: Paulo José/ Acorda Cidade
A falta de funcionalidade na creche de Maria Quitéria foi uma das pautas discutidas por mães do distrito. Além da falta de professores.
Moradores protestam contra a degradação da educação no Distrito de Maria Quitéria
Foto: Paulo José/ Acorda Cidade

Na manhã desta terça-feira (14), representantes da comunidade do distrito de Maria Quitéria foram até a Câmara Municipal de Feira de Santana protestar contra a falta de professores e aulas na rede municipal de ensino da localidade.

Em entrevista ao Acorda Cidade, Sérgio Mascarenhas, um dos manifestantes, declarou que as soluções apresentadas pela Secretária de Educação do Município não atendem a todas as necessidades dos alunos da região.

“Têm muitos problemas. Aí mostra que está todo mundo fardado, que as escolas estão equipadas, mas que é uma farsa. E nós estamos aqui para mostrar que realmente não é o que ele [secretário de educação, Pablo Roberto] diz”, declarou Sérgio.

Moradores protestam contra a degradação da educação no Distrito de Maria Quitéria
Foto: Paulo José/ Acorda Cidade

Segundo ele, a falta de professores na educação fundamental I e II é um problema antigo no Distrito de Maria Quitéria. Desde a gestão municipal anterior, alunos são prejudicados.

“Isso é um problema que está na base, não está nas pontas. A gente caracteriza isso como racismo estrutural. Para que as pessoas da comunidade, da zona rural, serem letradas?”, enfatizou o manifestante ao Acorda Cidade.

Sérgio criticou a aproximação repentina de políticos em épocas de eleição. “Quando é para acarear votos, vai atrás da gente, come e bebe água do pote no caneco de alumínio conosco, mas, na hora de nos dar um retorno, a gente fica em falta”, afirmou.

A causa foi levada até a Câmara de Vereadores, onde, como informou representante da comunidade, entre os 21 parlamentares, apenas 4 abordam o tema educação.

A jovem estudante Maria Eduarda expressou a indignação por falta de aulas, professores e fardamentos na Escola Municipal José Tavares Carneiro, na qual, somente neste mês, oito docentes deixaram a unidade. Ela se sente prejudicada, pois pretende ser uma mulher independente e fortalecida pelo conhecimento.

“Eu só tenho três professores, na escola só tem cinco. Terça-feira eu fui pra escola, não tinha aula. Eu quero o meu direito como cidadã. A metade da escola está sem farda. Eu quero me formar, não vou ser sustentada por homem, quero o meu trabalho. Vou ser sustentada por mim mesma”, contou.

A falta de funcionalidade na creche do distrito foi outra pauta discutida por mães do distrito. Além da dificuldade em encontrar vagas para crianças especiais nas escolas.

Moradores protestam contra a degradação da educação no Distrito de Maria Quitéria
Foto: Paulo José/ Acorda Cidade

“As mães precisam trabalhar, não têm com quem deixar os filhos. Eu tive que sair do trabalho para poder ficar tomando conta da minha filha, porque a creche não é o dia todo, é meio turno. A gente tem que abrir mão do sonho para poder cuidar dos nossos filhos”, disse uma mãe.

A produção do Acorda Cidade entrará em contato com a Secretaria de Educação em busca de um retorno.

Com informações do repórter Paulo José, do Acorda Cidade.

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