

Um homem de 35 anos foi preso na manhã desta terça-feira (14), em Feira de Santana, suspeito de cometer crimes de lesão corporal, ameaça e injúria contra mulheres. A prisão foi realizada por equipes da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), em ação conjunta com o Gatti/Sertão e o Núcleo de Inteligência da 1ª Coorpin.
Contra ele havia dois mandados de prisão preventiva expedidos pelas comarcas de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE). O suspeito estava foragido há cerca de três meses e foi localizado na localidade rural conhecida como Bom Viver, no bairro Subaé.
De acordo com a delegada Lorena Almeida, titular da Deam, o homem já era investigado por outros casos e apresentava comportamento agressivo. “Embora ele seja de Feira, ele também passava um tempo na cidade de Juazeiro e nessa cidade ele agrediu mulheres”, afirmou.
Um dos episódios mais graves ocorreu no local de trabalho da ex-companheira. Segundo a delegada disse ao Acorda Cidade, as imagens mostram o momento em que ele ameaça a vítima com uma arma de fogo. “São imagens chocantes, ele chegando no local de trabalho da vítima, ele saca uma arma de fogo, mesmo sendo em pleno horário comercial, e ele coloca a arma no rosto da vítima”, relatou.
Além disso, a investigação também reuniu um áudio enviado à vítima, no qual o suspeito faz ameaças explícitas de morte e afirmando que cometeria o crime no local de trabalho dela. O conteúdo, considerado grave pela polícia, reforçou o risco à integridade da vítima e a necessidade de cumprimento imediato da prisão.
“A gente tem também um áudio que mostra as ameaças, ele proferindo diversas palavras de baixo calão contra essa vítima, xingando ela, ameaçando ela, falando que tiraria a vida dela”, confirmou a delegada.
No áudio, o homem diz:
“Eu vou lhe matar […] você vai ver, […] eu vou lhe matar dentro da sua loja, vou lhe curar de bala e vou meter o pé, escrevo o que eu tô lhe dizendo, escreva”.
Segundo a Polícia Civil, além dos casos registrados em Juazeiro e Petrolina, o suspeito também responde a inquéritos em Feira de Santana por ameaça e injúria contra outras vítimas.
O homem foi localizado na rua, tentou fugir ao perceber a presença policial, mas foi alcançado. Ele foi encaminhado para a delegacia, onde permanece à disposição da Justiça.
“No mês de janeiro, quando nós passamos a procurá-lo, ele provavelmente já sabia da existência desses mandados e vinha se escondendo, a gente empreendendo várias diligências, várias ações de inteligência para localizar esse homem e ele se escondendo até que nós conseguimos localizá-lo e dar cumprimento a esse mandado de prisão.”
A Polícia Civil também realizou buscas para localizar a arma utilizada nas ameaças, mas o objeto não foi encontrado.
Ciclo de violência contra a mulher é uma realidade
As investigações apontam ainda que ele não aceitava o fim do relacionamento, um padrão de repetição que geralmente ocorrem nesses crimes. “A maioria das ameaças do caso de agressão acontecem sim após o término do relacionamento, quando o homem não aceita o término do relacionamento.”

“O que a gente observa é que os indivíduos que praticam atos de violência, eles tendem a reiterar. Infelizmente, muitas pessoas acreditam na mudança, acreditam que aquele ato foi um ato isolado, mas a maioria das vezes quem pratica um ato de agressão pratica novamente. Foi o que aconteceu com ele, praticou esses atos de agressão no norte da Bahia e praticou esses atos de agressão aqui em Feira de Santana também”, alertou.
A delegada também reforçou o alerta sobre os riscos para as vítimas e pediu para que a sociedade não subestime as ameaças, porque geralmente, elas podem ter consequências graves.
“A gente vê que a violência doméstica não é algo criado, não é algo inventado é uma situação real, grave e quando a gente tem acesso a essas provas a gente se choca, a gente vê que a vida das vítimas está todo tempo exposta, por isso que a Deam de Feira vem atuando de forma rígida no cumprimento de ordens judiciais, na representa por medidas cautelares, na efetiva da lei, porque as leis que tratam de violência doméstica já são leis rígidas, o que a gente precisa é dar cumprimento.”
“É um risco que ela tem de fato de não acreditar que ele fará alguma coisa e tentar relevar, tentar deixar para lá, como a gente vê que muitas vítimas de feminicídio acreditaram na mudança e infelizmente pagaram com a vida”, acrescentou a delegada.
Saiba onde denunciar: Violência não é problema privado, é crime e pode ser denunciada pelo Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher), pelo 190 (em caso de flagrante ou risco imediato), pelo Disque 100 (para violações de direitos humanos) ou nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs). Procure ajuda, proteja-se e proteja as mulheres do seu convívio social.
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade
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