23 de April de 2026
Março Lilás
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade
Em 2025, foram identificados 57 casos positivos do câncer de colo de útero durante as campanhas de prevenção.
Março Lilás
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

A campanha Março Lilás em Feira de Santana alcançou um resultado expressivo em 2026, com mais de 15 mil atendimentos realizados nas unidades da Fundação Hospitalar. O balanço foi apresentado nesta quarta-feira (15) pela diretora da instituição, Gilberte Lucas, durante entrevista ao programa Acorda Cidade. Além dos números da campanha, ela também destacou o aumento da demanda no Hospital da Mulher e os avanços no programa de cirurgias para gigantomastia.

Segundo a gestora, o crescimento da procura pelos serviços reforça a confiança da população nas ações de prevenção a cada ano. Os atendimentos envolveram mutirões ginecológicos, exames de mamografia e ações voltadas, principalmente, ao rastreamento do câncer do colo do útero. Esse trabalho tem refletido diretamente na detecção precoce de casos.

Rastrear para cuidar

Em 2025, foram identificados 57 casos positivos do câncer de colo de útero durante as campanhas de prevenção. Já nos três primeiros meses de 2026, 19 diagnósticos foram registrados. Para Gilberte Lucas, o aumento está relacionado à ampliação do acesso.

Março Lilás supera 15 mil atendimentos e Hospital da Mulher registra mais de 16 mil gestantes na emergência em 3 meses
Gilberte Lucas | Foto: Daniela Cardoso/Acorda Cidade

“Quando a gente começa a atender uma demanda maior, os pacientes começam a procurar mais, a gente consegue detectar, principalmente no início. Isso é muito importante para a prevenção, o diagnóstico precoce”, explicou.

Ela também ressaltou a importância do acompanhamento contínuo após o diagnóstico. Pacientes atendidos no Centro Municipal de Prevenção ao Câncer seguem sendo monitorados nas unidades de referência, garantindo continuidade no tratamento.

Emergência em alta demanda

Outro dado que chama atenção é o volume de atendimentos no Hospital Inácia Pinto dos Santos, o Hospital da Mulher. Apenas no primeiro trimestre deste ano, mais de 16 mil gestantes passaram pela emergência da unidade. Desse total, cerca de 4 mil precisaram de internamento e mais de 2 mil partos foram realizados.

“[Tem] gestantes, que são internadas e elas ficam até, às vezes, 30 dias, até o momento do parto; elas não podem ter alta, não podem ir pra casa, porque são parto de risco.”

A diretora destaca que o hospital tem enfrentado uma demanda crescente, inclusive de pacientes de fora do município. Aproximadamente 40% dos atendimentos são de gestantes vindas de outras cidades, muitas delas chegando por conta própria, sem regulação prévia.

“A gente tem aquela tradição de ser uma unidade de porta aberta. Então, a gente acaba atendendo essa demanda toda de fora, mesmo com a superlotação”, pontuou.

Março Lilás da Fundação Hospitalar terá agendamento prévio; veja como e quando agendar
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

A situação se agrava com os casos de “vaga zero”, quando, mesmo sem disponibilidade, o hospital precisa receber pacientes em situação de urgência. Entre janeiro e março, 58 gestantes foram encaminhadas nessas condições.

Outro ponto de alerta é o número de partos prematuros, que gira entre 11% e 12%. A direção estuda as causas desse aumento, especialmente neste período do ano, para entender melhor o fenômeno e aprimorar o atendimento.

Programa já realizou 450 cirurgias de gigantomastia

O programa de redução mamária também segue avançando. Já no quinto mutirão de triagem, a iniciativa registrou a participação de 534 mulheres. Após a primeira fase de triagem, em dezembro do ano passado, 134 candidatas foram aprovadas e, na segunda, mais 63 nomes foram confirmados em lista publicada no Diário Oficial do Município nesta quarta (15). Veja aqui.

Programa de cirurgias de gigantomastia extrema
Foto: Fátima Brandão

As próximas etapas incluem visitas domiciliares para avaliação social e confirmação de residência em Feira de Santana, além de exames clínicos. O processo criterioso tem garantido segurança nos procedimentos, pois mais de 450 cirurgias já foram realizadas sem intercorrências.

De acordo com Gilberte, o impacto vai além da saúde física. O programa tem transformado a autoestima e a qualidade de vida das pacientes, muitas delas afetadas emocionalmente pela condição.

“Então, tudo isso é feito com critério. Muda a qualidade de vida, não é só a física, é o emocional. A gente tem relatos positivos, a gente tem relatos de pacientes que nunca usaram um biquíni, nunca foram numa praia com vergonha, a gente tem relatos de pacientes que se separaram, pacientes que não saem [de casa], casos de depressão, que não há muito tempo, não sai na rua com vergonha do corpo”, destacou a diretora.

⚠️ Estoque de leite materno precisa de doações

Durante a entrevista, a diretora também fez um alerta sobre o baixo estoque de leite materno no banco do Hospital da Mulher. Atualmente, a unidade conta com cerca de 117 litros, quantidade próxima do consumo mensal, que varia entre 90 e 100 litros.

“Então, hoje o nosso estoque está restrito. A gente só está com 117 litros de leite materno no estoque. O nosso leite é dispensado mensalmente de 90 a 100. Então, praticamente, o que a gente tem é pra sair agora esse mês. Precisamos de mães doadoras”, alertou.

banco de leite - hospital da mulher5
Foto: Victória Seixas

Com o aumento de bebês prematuros internados, a necessidade de doações se torna ainda mais urgente. Mães interessadas podem entrar em contato com o Banco de Leite, que realiza a coleta diretamente nas residências. Saiba mais como doar aqui.

Novos mutirões já programados

A Fundação Hospitalar já prepara novas ações para o mês de maio, com mutirões voltados ao Dia das Mães. Os atendimentos acontecerão no Ambulatório de Saúde da Mulher e no CMDI da Baraúnas, com oferta de exames como mamografia, ultrassom e eletrocardiograma.

O agendamento deve ser feito presencialmente nas unidades, estratégia adotada para evitar falhas no controle de marcações e garantir melhor organização do atendimento.

Por fim, Gilberte ainda reforçou o compromisso da gestão com o acolhimento mesmo diante da falta de vagas. “Até quando a gente não tem vaga, a gente precisa acolher essa gestante, avaliar e dar segurança pra ela procurar outra unidade e não gritá-la da recepção que não tem vaga. Isso é acolhimento”, afirmou.

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