17 de April de 2026
Sedeso - Feira de Santana
Foto: Jorge Magalhães/Secom
Além do Centro POP, que acolhe pessoas com alimentação e atendimento psicossocial, Feira de Santana conta com uma Casa de Passagem.
Sedeso - Feira de Santana
Foto: Jorge Magalhães/Secom

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social de Feira de Santana (Sedeso), administrada por Gerusa Sampaio, tem diversas ações de apoio às pessoas em situação de vulnerabilidade social, como o Centro de Referência Especializado para a População em Situação de Rua (Centro POP), que finalizou 2025 com mais de 25 mil atendimentos realizados. 

Sobre esse assunto, a secretária Gerusa Sampaio disse que atualmente, o Centro POP atende 1.383 inscritos, que são assistidos por uma equipe multidisciplinar. Ao Acorda Cidade, Gerusa Sampaio explicou que além de escuta qualificada, as pessoas assistidas contam com atualização de documentos e alimentação. 

Sabemos que, infelizmente, algumas pessoas persistem em permanecer na rua, escolhem a rua como moradia. A nossa abordagem social vai, conscientiza, busca até informações, se eles querem se ressocializar, retornar à sua família de origem, se a gente pode identificar algum ente querido, algum parente em outro estado, em outro município. Muitas vezes conseguimos, outras vezes as pessoas realmente não têm. Existem as dependências também químicas, que infelizmente, até o processo, porque eles estão dependentes, eles ficam ali à margem da sociedade”.

Ainda sobre o Centro POP, a secretária destacou que todos os dias é servido café da manhã, que segundo ela, tem o objetivo de dar condições para as pessoas realizarem serviços ao longo do dia.

“Eu digo que é ‘cafémoço’, porque é café versus almoço, para poder dar condições de alguns fazerem alguns biscates, ali tem carregamento, ali pedem produtos de abastecimento, outros vão também para as ruas vender, enfim, a secretaria tenta de uma forma até mesmo acolhedora e conscientizando que rua não é moradia”.

Gerusa Sampaio
Gerusa Sampaio | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

No entanto, Gerusa Sampaio salienta que, por ser um entroncamento rodoviário, Feira de Santana acaba ficando mais vulnerável, pois está sempre recebendo pessoas de fora que pararam aqui e muitas vezes podem tentar um recomeço nas ruas, ficando a margem da sociedade e em vulnerabilidade social. Dessa forma, a cidade conta com uma Casa de Passagem. 

Centro POP é alimentação e atendimento psicossocial, mas nós temos uma Casa de Passagem, até por conta de Feira de Santana ser o entroncamento, muitas pessoas chegam aqui, são assaltadas, ficam, vêm de outro município e não tem moradia. Então, nós disponibilizamos a Casa de Passagem até que eles também se ressocializem. Porém, a nossa Casa de Passagem, temporariamente, está superlotada, porque precisamos acolher os Waraos venezuelanos, são indígenas, que vieram para a Feira de Santana e precisam também do nosso acolhimento, da nossa sensibilidade. Eles estão conosco, mas não é o local que vão permanecer. Nós já buscamos, entre o Estado e o governo federal, um apoio, porque essa responsabilidade não é só do município, é Estado e governo federal que precisam nos dar suporte para que tenhamos condição de alugar um local”. 

Quanto aos Waraos venezuelanos, a secretária explicou que a cultura deles é viver em conjunto, como em uma vila, e por isso ainda não foi possível conseguir um local como esse para eles morarem. Com isso, os indígenas da etnia Warao foram alocados no prédio onde antes funcionava a Escola Municipal Coriolano Carvalho. 

A condição precisa daquele espaço ser reformado. Então, o prefeito Zé Ronaldo decidiu que nós fechássemos ali para analisar o que vai ser feito e conseguimos esse espaço que é grande, ali no Sobradinho, a localização é boa. Esses filhos de venezuelanos estão estudando. A saúde também, nós estamos fazendo esse trabalho. Existe essa intersetorialidade com as secretarias de Saúde e Educação para que eles possam ter uma vida ali com dignidade. Agora todos precisam da sua autonomia e isso estamos em busca”.

“Resgatar essas pessoas é uma missão”

Questionada sobre as principais causas que levam as pessoas a viverem em situação de rua, Gerusa Sampaio disse acreditar que o maior motivo seja a dependência química. Além disso, a falta de condições e quando as pessoas acabam acreditando que não conseguirão oportunidades no mercado de trabalho. 

Quando você também, muitas vezes, se entrega desiste de si mesmo. São aquelas pessoas que acham que não vão conseguir mais uma oportunidade no mercado de trabalho, se sabotam inconscientemente e não se permitem tentar, então, se entregam. E é esse o trabalho da assistência social, é ressignificar essas pessoas, é tirá-las da invisibilidade, mostrar que há uma luz, há um caminho em toda e qualquer situação. E é assim que nós trabalhamos aqui, de ‘não, você não merece isso aí, vamos, saia da rua, venha’. Então, resgatar essas pessoas que, para mim, hoje, é um grande desafio e uma missão”. 

Outras medidas de apoio às pessoas em vulnerabilidade social realizadas pela secretaria incluem a equipe de abordagem, que funciona até às 22 horas, e o Consultório de Rua, que funciona em parceria com a Secretaria de Saúde. 

No entanto, Gerusa chama atenção para alguns pontos, dentre eles que a equipe de abordagem não pode obrigar as pessoas a sair das ruas, mas que atuam tentando conscientizar essas pessoas. “O trabalho é bem gradativo”, explica a secretária. 

Quanto ao Consultório de Rua, Gerusa afirmou que o trabalho é feito em conjunto, e que os funcionários, médicos e enfermeiros estão sempre presentes: “fazendo também parceria nas nossas ações”.

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade

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