17 de April de 2026
Moradores enfrentam prejuízos após mudanças no trânsito da Cerb; comerciantes apresentam solução
Foto: Paulo José/ Acorda Cidade
A solução imediata sugerida pelos comerciantes é a reabertura da Rua São Félix, até a construção de um viaduto que ligará a região.
Moradores enfrentam prejuízos após mudanças no trânsito da Cerb; comerciantes apresentam solução
Foto: Paulo José/ Acorda Cidade

Moradores e comerciantes da região do viaduto da Cerb, em Feira de Santana, reivindicaram, na manhã desta sexta-feira (17), contra as mudanças realizadas pela prefeitura no trânsito do local. Segundo eles, as alterações vêm causando insatisfação nos condutores e prejuízos significativos ao comércio.

trânsito da Cerb
Trânsito em volta do viaduto da Cerb | Foto: Paulo José/ Acorda Cidade

Em entrevista ao Acorda Cidade, o comerciante José Nilton Ribeiro afirmou que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) chegou a solicitar a paralisação das obras, mas o pedido não foi atendido pelo município.

“O Dnit solicitou da prefeitura que parasse a obra, que apresentasse projeto para que tivesse autorização. O que foi que a prefeitura fez? Usurpou da competência do Dnit, concluiu a obra e inaugurou. E até hoje não apresentou nem projeto nem pedido de solicitação para inaugurar a obra.”

“O senhor [Dnit] está matando mais de 50 comerciantes e prejudicando mais de 10 mil moradores do bairro. Dnit, vamos se pronunciar”, além disso, José Nilton também diz que acionará o Ministério Público para tomar as devidas providências.

Moradores enfrentam prejuízos após mudanças no trânsito da Cerb; comerciantes apresentam solução
Foto: Paulo José/ Acorda Cidade

Os impactos econômicos são apontados como um dos principais problemas. Os comerciantes da Rua do Salvador relatam prejuízos de até 80% nas vendas devido à alteração do fluxo de tráfego, que agora tem apenas saída, sem entrada.

Após as alterações, muitos funcionários foram demitidos devido à redução das demandas nos estabelecimentos.

Cleidiane das Virgens foi uma das comerciantes afetadas pelas mudanças. “Vendia 50, 60 pastéis, agora não estou conseguindo vender nem 20. Tive que dispensar dois funcionários”, afirmou a vendedora.

Miriam Falcão pontua outro transtorno: a dificuldade de locomoção para acessar pontos de ônibus. “Além de prejudicar os comerciantes, prejudicou também os idosos. Quando eu venho da rua, tenho que descer não sei quantos quilômetros, e isso aí está deixando as pessoas do bairro muito tristes”, afirmou.

Ainda houve manifestantes que se vestiram com roupas pretas para simbolizar o “luto”. “Eu vim todo de preto hoje para manifestar o luto e o sentimento que nós, comerciantes, estamos sentindo aqui nessa região do 35º BI. O descaso que estão fazendo é um absurdo. E a falta de resposta realmente é uma coisa que nos indigna bastante”, afirmou Léo Vitor Almeida.

Há 10 anos, Diana tem um comércio na Rua São Salvador e em pouco tempo, também já viu os reflexos das transformações. “Eu digo que os números não mentem. As vendas caíram mais de 50%. Tenho três funcionários, pago meus impostos e eu já estou pensando em como é que eu vou manter esses funcionários na empresa”.

“O prefeito nos prometeu que não ia prejudicar ninguém. No entanto, está aí: eu estou com meu comércio 80% parado, praticamente. Eu tenho 23 funcionários. Eu estou aqui desde 2015. Nunca paguei um boleto meu atrasado. Mas já comecei agora a pagar meus boletos atrasados, a ter muita dificuldade. Eu espero que o prefeito tenha um pouco de sensibilidade”, afirmou Tani Brasinha ao Acorda Cidade.

Solução dos comerciantes

Rua São Félix
Rua São Félix | Foto: Reprodução/ Google Maps

A solução imediata sugerida pelos comerciantes é a reabertura da Rua São Félix como medida provisória, até a construção de um viaduto que ligará a região.

“Eu deixei dois projetos lá que viabilizam todo esse projeto. Se reabrir, ele vai manter 90% do projeto dele funcionando, só vai reativar a Rua São Félix para dar acesso à Rua do Salvador— até vir a construção do viaduto que ligue, que aí acaba com tudo isso. Mas, enquanto o viaduto não sai, ele tem que deixar essa via aberta para manter os comerciantes e os moradores assistidos”, explicou Tani Brasinha.

O que diz a SMTT

O Acorda Cidade entrou em contato com a Superintendência Municipal de Trânsito, que afirmou que as mudanças foram um sucesso. Segundo o órgão, há vídeos de drones que comparam o antes e o depois, comprovando a melhoria.

A SMTT destacou ainda que houve uma organização bem elaborada pela engenharia, que resultou na redução do tempo de viagem em diversos pontos do local, principalmente pela implantação da direita livre, reorganização dos ciclos dos semáforos e pela abertura de vias adicionais.

Além disso, a SMTT explicou que está planejando um diálogo com representantes dos comércios da região, com o objetivo de antecipar e organizar possíveis intervenções de trânsito necessárias.

O portal também solicitou um retorno da prefeitura sobre o pedido do Dnit e aguarda um retorno.

Com informações do repórter Paulo José, do Acorda Cidade.

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