

A terceira edição do seminário para prevenir todo e qualquer tipo de violência ou discriminação contra as mulheres foi realizada neste sábado (18), em Feira de Santana.
O evento, promovido em todo o país pela Rede Nacional de Mulheres Negras no Combate à Violência, reuniu ativistas, autoridades e membros da comunidade no antigo Colégio Polivalente.

Segundo a organização, o objetivo central do encontro é debater as formas eficientes de enfrentamento aos altos índices de feminicídio e agressões contra as mulheres, em especial a parcela negra.
Ao longo de todo este sábado (18), o seminário buscou fortalecer as redes de proteção e conscientizar a população de que a violência de gênero é uma questão criminal, e não cultural.
“Pacto pela Vida: Todos por Todas”
Com o tema geral “Pacto pela Vida: Todos por Todas”, o encontro destacou a importância de incluir homens no combate ao machismo. Para a reportagem do Acorda Cidade, a coordenadora do núcleo local da Rede, Marinalda Soares, explicou que uma das ações mais urgentes é mostrar para as vítimas que elas não estão sozinhas.

“Esperamos que essas pessoas saiam conscientes que a violência contra a mulher não é cultural, é criminal. Esperamos que elas saibam dos seus direitos, onde buscar esses direitos e queremos dizer para elas que ninguém está sozinha, tanto aqui no nosso seminário quanto nas nossas lutas [lá fora]”, disse.
Marinalda contou que, para compor o debate, foram convidados representantes da Ronda Maria da Penha (Polícia Militar), integrantes da Secretaria de Educação, jovens lideranças na luta antirracista, como Luma Luz, e o vereador Silvio Dias, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Feira de Santana.

“Nós precisamos estar nesses espaços, precisamos convidar a sociedade para estar nesses ambientes e tentando uma forma para amenizar esses sofrimentos, pedindo que os órgãos competentes e as redes de apoio venham participar e a gente formar ainda mais a rede e também, sobretudo, incluir essas nossas atividades no calendário anual no município para enfrentamento à violência”, disse a coordenadora.
O papel dos homens na luta
O seminário reforçou que a presença masculina é fundamental para mudar a realidade, registrando a participação ativa de homens na plateia e na rede de apoio, como os próprios agentes da Ronda Maria da Penha. Além do combate direto à agressão física, o debate abrangeu o enfrentamento à violência dentro das escolas e da educação.
O presidente da Frente Nacional de Negros e Negras, Alex Pantera, ressaltou o papel histórico da mobilização para reverter as desigualdades. Para a reportagem do Acorda Cidade, o ativista pontuou que, enquanto mulheres brancas desfrutam de alguns privilégios sociais, as negras ainda enfrentam os reflexos violentos do período escravocrata.

“O papel das mulheres negras é pensar justamente o que que a mulher negra que mora na periferia, que mora no quilombo, que mora em outros territórios precisa e qual suas necessidade, seja no âmbito da saúde, da educação, da perspectiva de transformação de vida e na valorização da perspectiva de quem são essas mulheres”, disse.
“Nós não podemos construir uma sociedade que limite ou que diga às mulheres o que é que ela tem que ser ou aonde ela vai chegar. Isso é um reflexo que a gente deixa garantido aqui, que as mulheres negras tenham o seu lugar de espaço de fala e principalmente de poder”, complementou Alex.

O presidente ainda destacou: “A Frente Nacional de Negros e Negras atua no Brasil inteiro na repressão ao racismo. Então, fortalecer a rede de mulheres negras é muito importante, porque a gente sabe que nós estamos vivendo uma era onde as mulheres estão cada vez mais ocupando espaços de poder. Então, principalmente o fortalecimento do princípio das mulheres negras é muito importante”.
Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade
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