19 de April de 2026
ciso, banca de livros/ sebo
Ciso | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade
A Banca Mandacaru fica estrategicamente localizada no início da esquina da Rua Deputado Melo Lima com a Rua Conselheiro Franco.
ciso, banca de livros/ sebo
Ciso | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

Resistindo às transformações do tempo e do espaço, um livreiro de Feira de Santana mantém viva, há quase cinco décadas, a cultura do sebo: um local onde é possível comprar, vender ou trocar livros. Além de livros, lá podem ser encontrados discos de vinil, gibis, revistas e outros artigos literários.

A Banca Mandacaru fica estrategicamente localizada no início da esquina da Rua Deputado Melo Lima com a Rua Conselheiro Franco, ao lado do Mandacaru.

Manoel Narciso Marinho da Natividade, conhecido como Ciso, fundou a banca em 17 de setembro de 1976, no centro de Feira de Santana, motivado pelo apreço pelos livros e pela necessidade de trabalhar. Antes de se tornar alfarrabista, ou seja, profissional que se dedica à compra e venda de livros usados, Ciso trabalhou em bares, mas encontrou nos livros uma nova oportunidade.

“Eu trabalhava nos bares, depois, não deu certo. Então eu fui para a banca de revista e comecei a trabalhar com o Juscelino, que já faleceu”, compartilhou. 

Mudanças na cidade

Ciso vivenciou diversas transformações no centro comercial da cidade, como a derrubada de muitas casas e prédios antigos, desde 1976. “Mudou tudo! Hoje há poucos prédios, pois os outros derrubaram. A Avenida Senhor dos Passos você já não conhece mais. Na Conselheiro Franco, os prédios estão abandonados. Existiam muitas casas”, compartilhou.

Para Ciso, um dos momentos mais difíceis em sua trajetória foi a perda do irmão. “Ele morreu afogado. Eu estava aqui na banca quando vieram me falar que ele tinha se afogado. Foi algo que mexeu comigo”. Mesmo assim, seguiu firme em sua caminhada e afirma nunca ter tido vontade de fechar o local.

Tecnologia X Modelo tradicional

Mesmo com a popularização das redes sociais e das vendas online, Ciso prefere manter o modelo tradicional. “Eu gosto do tempo antigo. A pessoa vem, vê, escolhe e leva. Online, às vezes, não é aquilo que você esperava”, afirma.

Apesar do avanço do digital, ainda há quem prefira os materiais físicos. “Todo mundo aí se dá bem. Quando quer uma revista, quando quer um livro, vem aqui buscar, têm até jornais. As pessoas chegam aqui procurando e acham. Disco de vinil, por exemplo, todo mundo procura, assim como procurava antes, procuram hoje, mas também tem muita gente que gosta de livros e revistas, principalmente aquelas mais antigas”.

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Ciso | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

A rotina também segue firme: ele chega por volta das seis da manhã e só deixa o local às seis da noite. “É assim que eu faço. Boto o cadeado e vou pra casa descansar dia de quarta-feira pra ver o meu mengão jogar”, brincou.

Ele não pensa em parar tão cedo. “Enquanto tiver vida, estou aqui. […] Eu compro, vendo e troco. Aqui o lema da barraca é este: Venda, troca e compra”, afirmou.

Hoje, restam poucas bancas como a dele na cidade, espaços que trazem boas memórias e são símbolos de resistência cultural. Para Ciso, preservar esse acervo é também preservar a história de Feira de Santana. “Tem muita coisa sobre Feira. A pessoa precisa passar aqui para ver”, afirmou.

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade

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