22 de April de 2026
trânsito da Cerb
Trânsito em volta do viaduto da Cerb | Foto: Paulo José/ Acorda Cidade
De acordo com Ricardo Cunha, a prefeitura tem acompanhado os relatos e dificuldades dos comerciantes da região.
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Trânsito em volta do viaduto da Cerb | Foto: Paulo José/ Acorda Cidade

Após as mudanças realizadas na região do viaduto da Cerb pela Superintendência Municipal de Trânsito (SMT) de Feira de Santana, muitos moradores e comerciantes do local estão insatisfeitos com as alterações que, segundo eles, têm causado prejuízos significativos ao comércio. Diante disso, o superintendente de trânsito, Ricardo Cunha, fez, ao portal Acorda Cidade, uma avaliação geral sobre as intervenções.

Ricardo Cunha declarou que as mudanças foram um sucesso e ocorreram dentro do esperado, ressaltando que foi realizada a contagem volumétrica de veículos, bem como houve filmagens com drones para comparar o antes e o depois. Além disso, Ricardo afirmou que o trânsito no local está fluindo bem.

“Foi uma interferência de muita coragem, porque é um local que tem um conflito atípico, e você colocar um local que tem um conflito atípico dentro de um padrão técnico é muito difícil. Mas tivemos essa coragem de fazer; os estudos indicaram que daria certo, como deu. No começo, as pessoas não estavam acostumadas, e a gente previu isso; por isso, ainda estamos lá.”

“A primeira ideia é que ficássemos lá até o dia 12, depois aumentei um pouco esse prazo, mas eu tenho certeza de que hoje as pessoas já estão bem mais acostumadas, e o trânsito no local está fluindo de forma magnífica. É claro que engarrafamento a gente não vai conseguir resolver com a quantidade de veículos que ali tem. A gente conseguiu reduzir um pouco isso e, com o passar do tempo, a gente conseguiu melhorar e diminuir o tempo de espera das pessoas.”

Reclamações de comerciantes

De acordo com o superintendente, a Prefeitura tem acompanhado os relatos e as dificuldades dos comerciantes da região, bem como segue tratando os problemas que surgem após qualquer intervenção no trânsito.

“Por conta disso, abrimos diálogo também com a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas), com o CIS (Centro Industrial Subaé) e com o Sindicato dos Lojistas, para que possamos repassar que, quando a SMT precisa fazer algum tipo de intervenção, geralmente um ou outro comerciante tem algum tipo de perda. E não é isso que a gente quer, mas entendemos que Feira de Santana precisa, necessita de algumas intervenções”.

Ricardo Cunha destacou que houve um combinado com os representantes do comércio, para que esses órgãos sejam informados antes de qualquer intervenção no trânsito.

Segundo ele, a principal reclamação é quanto à perda de fluxo, pois, com a alteração, o tráfego de veículos na região acabou sendo reduzido e, consequentemente, diminuiu o público no comércio local. No entanto, o superintendente destacou que, quando há um aumento significativo no fluxo, é necessário que ocorra uma intervenção, como é o caso de Feira de Santana, onde essas medidas são necessárias em vários pontos.

“Vou dar um exemplo aqui: se uma via tem um fluxo muito alto e ela é sentido duplo, e a gente consegue perceber que aquela via está com um fluxo muito alto, o que a gente faz? A gente transforma aquela via em sentido único. É uma das intervenções que podem ser feitas. Quando a gente faz isso, em algum momento, pode reduzir a quantidade de veículos. Mas, com o ajuste e com o aumento de veículos na cidade, quem dera que ficasse com o fluxo pequeno de veículos, mas não é isso que acontece, o fluxo volta a aumentar com o tempo; é só a pessoa ter um pouco de paciência. “

“Mas essas medidas são ponderadas, são identificadas, e a gente tenta fazer o que menos interfere no trânsito ou na vida das pessoas. Mas, em alguns momentos, não é possível, porque a gente precisa reordenar, melhorar a qualidade de direção, de dirigibilidade das pessoas, para que elas possam se deslocar de um ponto ao outro com menos interferência possível.”

Implementação de tecnologia

Outro ponto abordado pelo superintendente foi a implementação de tecnologia no local, cujos estudos estão sendo finalizados. Essa tecnologia, como o semáforo inteligente, busca reduzir o fluxo e aumentar a vazão dos veículos em cerca de 15%.

“Já conseguimos lá quase 20%, pela contagem volumétrica que a gente fez. E, com a implementação da tecnologia, esperamos alcançar números superiores a 15%, mas o que a gente está dizendo é que as empresas que nos atenderam afirmaram que isso vai acontecer em um patamar igual ou menor que 15%”.

Ricardo Cunha, superintendente de trânsito
Ricardo Cunha, superintendente de trânsito | Foto: Ed Santos/ Acorda Cidade

“São reclamações pontuais”

Ainda sobre as reclamações, o superintendente acredita que não se trata de muitas críticas, mas sim de que as pessoas que se sentiram prejudicadas se manifestam mais do que aquelas que não tiveram problemas com as mudanças.

“Não são tantas reclamações, são reclamações pontuais de comerciantes. Por exemplo, se você agrada 90% de uma localidade e 10% se sente prejudicada, 90% que está sendo agraciada com o projeto não levanta para falar, não fala nada. Os 10% querem falar e falam muito”. 

Dessa forma, ele reitera que a intervenção não tem intenção de prejudicar a vida dos empresários, mas que toda ação da SMT acaba impactando o comércio do local, e por isso é necessário haver um diálogo com os representantes do setor. 

“Eu acho que eles devem procurar também esses representantes, para que essas pessoas possam explicar o que está acontecendo em Feira Santana, para que a gente possa ter uma transação melhor entre a prefeitura, nesse momento aqui a SMT, e o comércio de Feira de Santana”. 

Sugestões de novas mudanças

Muitos comerciantes e moradores sugeriram outras mudanças para solucionar esse problema, como, por exemplo, a reabertura da Rua São Félix. No entanto, Ricardo Cunha explicou que algumas dessas sugestões “emperram na ciência”, enquanto outras ainda estão sendo avaliadas.

Além disso, o superintendente falou sobre os estacionamentos na região, pois alguns foram proibidos. Conforme Ricardo Cunha, foram feitas mudanças nos horários, especialmente nos de pico. Ele também afirmou que houve alguns acidentes na área, que é de circunscrição da Secretaria de Infraestrutura da Bahia (Seinfra).

“Se eles forem colocar um semáforo lá, ou se fizerem algum convênio com a prefeitura para que a gente coloque, o que é que acontece? Eu vou ter que proibir o estacionamento em alguns lados. Isso vai prejudicar os comerciantes. Qualquer interferência na via que a SMT chega para fazer geralmente impacta algum comerciante. Não há como melhorar, não há como prevenir acidentes sem ter impacto nenhum para alguém. Geralmente, esse alguém é o comércio. Por isso é que a gente conclama os órgãos que representam essas pessoas para que entrem na SMT, e a gente consiga dialogar, e esse impacto seja o menor possível.”

Por fim, o superintendente de trânsito chamou atenção para a Rua Tijuca, no bairro Parque Ipê, que precisa de uma intervenção. Segundo ele, o projeto para essas mudanças está pronto. 

“Você pega uma via de sentido duplo e torna ela em sentido único. No primeiro momento, você vê a quantidade menor de veículos. E isso vai impactar sim a vida do comerciante lá. Mas aí você tem que apresentar uma outra alternativa para que a gente não esteja prejudicando as pessoas que estão naquele local. Por isso que a gente não fez nada ainda, só vai fazer depois que a gente conversar muito com as pessoas”. 

Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade

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