24 de April de 2026
Manifestação contra fechamento do Colégio Georgina cobra nova escola em tempo integral no bairro Tomba
Foto: Paulo José/Acorda Cidade
Os organizadores informaram que irão protocolar um pedido no Ministério Público da Bahia para solicitar uma vistoria na escola.
Manifestação contra fechamento do Colégio Georgina cobra nova escola em tempo integral no bairro Tomba
Foto: Paulo José/Acorda Cidade

Estudantes, professores, pais e representantes da APLB realizaram, na manhã desta sexta-feira (24), uma mobilização no Colégio Estadual Georgina Soares Nascimento, localizado na Rua El Salvador, no bairro Tomba, em Feira de Santana. O ato teve como objetivo pressionar o Governo da Bahia pela construção de uma nova unidade escolar em tempo integral e contra o possível fechamento da escola, que atende cerca de 500 alunos.

Mesmo sob chuva, a comunidade participou do protesto, que contou com café da manhã, abaixo-assinado e aula pública. A manifestação defende a permanência da escola no bairro, mas com uma estrutura adequada.

Ao Acorda Cidade, a presidente da APLB, professora Marlede Oliveira, destacou que a reivindicação é antiga e envolve melhores condições para estudantes e professores.

“A comunidade escolar deseja uma nova unidade. Isso aqui é um espaço impróprio para funcionar, tem muitos alunos. Precisamos de uma escola melhor. A escola tem que ser de qualidade, com boas condições físicas, arejada, com quadra de esporte, auditório, laboratório, enfim, é essa escola que nós queremos”, afirmou.

Manifestação contra fechamento do Colégio Georgina cobra nova escola em tempo integral no bairro Tomba
Foto: Paulo José/Acorda Cidade

Moradores também reforçaram a importância da permanência da escola no bairro. A dona de casa Luzinete Bispo dos Santos disse que a comunidade teme a transferência dos alunos para locais distantes.

“A escola tem que continuar em nosso bairro. Já são muitos anos dessa luta. E hoje viemos aqui com muita esperança de que nosso colégio vai ser construído. Querem fechar, tirar a gente daqui, colocar em um lugar muito longe. Precisamos fazer este movimento para que um novo colégio em tempo integral seja construído em nosso bairro”, declarou.

Luzinete também apontou problemas estruturais na unidade, como a falta de banheiros adequados e ventilação nas salas. De acordo com ela, existe apenas um banheiro para 80 funcionários.

Manifestação contra fechamento do Colégio Georgina cobra nova escola em tempo integral no bairro Tomba
Foto: Paulo José/Acorda Cidade

Outra mãe, Jamila Almeida Santos, relatou dificuldades enfrentadas pelas duas filhas no dia a dia da unidade.

“A minha filha está no primeiro ano aqui, mas já questiona que a escola é apertada para tantas crianças. Esperamos que possa ser construída uma escola em tempo integral, porque já vimos alguns terrenos em vista. A escola precisa de refeitório, biblioteca, uma quadra ampliada. Nas salas não tem ar-condicionado, é muito calor, e o banheiro não tem estrutura para atender essas crianças. Então esperamos que eles possam nos ouvir”, disse.

“Tem lugar”

Durante a manifestação, a comunidade apontou possíveis áreas para a construção da nova escola, incluindo um terreno próximo ao Cras e outro localizado após a Igreja São Camilo. Também foram citadas áreas nas imediações da estrada que dá acesso ao bairro Aviário como alternativas viáveis para a nova unidade.

Manifestação contra fechamento do Colégio Georgina cobra nova escola em tempo integral no bairro Tomba
Foto: Paulo José/Acorda Cidade

Situação precária

De acordo com o professor Claudiano da Hora de Cristo, a mobilização já alcançou um dos principais objetivos, que é dar visibilidade à situação precária em que se encontra a escola.

“A principal meta é dar visibilidade a esse ato que reivindica ao governador Jerônimo uma escola de tempo integral para o Colégio Georgina, em função da precarização do nosso prédio”, reforçou.

Manifestação contra fechamento do Colégio Georgina cobra nova escola em tempo integral no bairro Tomba
Foto: Paulo José/Acorda Cidade

O professor confirmou ao Acorda Cidade que a unidade apresenta problemas como falhas na rede elétrica, falta de água e espaços inadequados, o que tem comprometido o ensino.

“Nesse momento, estamos todos aqui na chuva porque a gente tem uma cobertura mínima. A escola tem goteiras, não há passagem coberta adequada entre um pátio e outro. É uma escola histórica, que surgiu na Casa de Farinha e foi sendo ampliada no modelo de puxadinho. Temos deficiência na rede elétrica: se ligar ventilador ou ar-condicionado, a carga cai e desliga tudo. Também há problemas com o abastecimento de água, que frequentemente falta por conta da infraestrutura”, relatou.

A comunidade também denuncia tentativas de redução de matrículas como parte de um processo de esvaziamento da escola.

“O governo tentou fechar nossa escola, trancando e cancelando matrículas do 6º, 7º, 8º e 9º anos. Toda a comunidade se mobilizou pela permanência. Mas agora o nosso grito não é só pela permanência, é por uma escola em um padrão decente.”

“A nossa escola está muito precarizada. Todo o nosso trabalho é prejudicado, porque não temos um ambiente adequado. A quadra de esporte fica ao lado de seis salas, e a educação física foi suspensa porque atrapalha as aulas. Não temos refeitório. Há apenas um sanitário para aproximadamente 80 trabalhadores, o que gera filas. E, neste momento, se entrar nas salas, há goteiras”, acrescentou Claudiano.

Os organizadores informaram que irão protocolar um pedido no Ministério Público da Bahia para solicitar uma vistoria na unidade e uma audiência pública. A expectativa é que a mobilização fortaleça o diálogo com o governo estadual e garanta investimentos para a construção de uma nova escola no bairro. Também já foi aberto um processo no SEI (Sistema Eletrônico de Informações) da Bahia.

Com informações do repórter Paulo José, do Acorda Cidade

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