27 de April de 2026
Feira de Santana
Jullyana Freitas Leite, mulher trans morta em Feira de Santana | Foto: reprodução
A vítima, Jullyana Freitas Leite, de 40 anos, foi morta dia 8 de janeiro, com um tiro na nuca, no bairro Parque Getúlio Vargas.
Feira de Santana
Jullyana Freitas Leite, mulher trans morta em Feira de Santana | Foto: reprodução

O homem de 40 anos, suspeito de matar uma mulher trans em Feira de Santana, segue preso em Teresina, no Piauí. O mandado de prisão preventiva contra ele foi cumprido na sexta-feira passada (24), após investigação realizada pela Delegacia de Homicídios (DH/Feira), com apoio da Polícia Civil do Piauí. Ele deve responder por homicídio duplamente qualificado.

A vítima, Jullyana Freitas Leite, de 40 anos, foi morta dia 8 de janeiro, com um tiro na nuca, na varanda de uma residência localizada na Rua Los Angeles, no bairro Parque Getúlio Vargas. Segundo apuração do Acorda Cidade na época, ela foi morta por um cliente que se recusou a pagar um programa.

Na época, o delegado titular da DH, Gustavo Coutinho, atendeu à ocorrência. Ao Acorda Cidade, ele contou como se desdobraram as investigações. O celular do suspeito, que foi apreendido com a vítima, facilitou a identificação dele.

“Era uma mulher trans, que havia feito um programa com um de seus clientes, e esse cliente se recusou a efetuar o pagamento. Por conta disso, ela se apossou do celular do cliente, e esse cliente falou que iria em casa buscar o dinheiro. Só que ele voltou com a arma na cintura. Do portão mesmo, ele conversou com ela e pediu o celular de volta. Ela disse: “Só depois que você me der o meu dinheiro”. Foi no momento em que ele sacou a arma, ela tentou fugir ainda, ele deflagrou um tiro que atingiu a região da nuca e ela veio a óbito no local”, relembrou Coutinho.

“Desde o dia em que ocorreu o crime, foi muito comovente; vários familiares estiveram aqui. A vítima não tinha problema com ninguém, tinha muitos amigos e aí foi uma questão de honra realmente solucionar esse caso. O fato de o celular ter permanecido na residência, nós termos tido contato com o celular, facilitou também a identificação do autor”, acrescentou o delegado.

O homem se entregou dois dias após o crime. Segundo o delegado, ele se reservou ao silêncio durante todo o interrogatório.

“Ele, depois de dois dias, compareceu com o advogado na delegacia para livrar o flagrante e, na delegacia, ele utilizou seu direito de permanecer em silêncio, não falou nada, mas o inquérito foi correndo, nós juntamos todas as provas, representamos a prisão preventiva do suspeito e, quando a prisão foi decretada, ele já não estava mais em Feira de Santana. Havia fugido.”

De acordo com o delegado, durante quatro meses, a Civil estava tentando localizar o paradeiro do suspeito. As investigações apontaram que ele havia arrumado um emprego de motorista em uma empresa de energia no Piauí. Segundo a polícia, em Feira, ele também atuou como motorista para uma empresa de eletricidade.

O suspeito também já possui passagens pela polícia. Segundo o delegado, o homem já responde por ameaças contra uma ex-sogra e uma ex-companheira. Essa última, ele chegou a tentar contra a vida dela.

Ainda segundo Gustavo Coutinho, o homem será transferido para o estado da Bahia em um prazo de 15 a 30 dias. A Coordenação de Polícia Interestadual (Polinter) deve organizar a transferência.

“Apresentamos a preventiva de forma célere e ele já foi encaminhado para a justiça, ele já foi denunciado e agora ele vai responder por esse crime.”

A Polícia Civil reforça que denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 181, contribuindo com investigações em andamento.

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