

Neste domingo (10), se comemora o Dia das Mães. O dito popular “mãe só tem uma” pode muito bem ser questionado, afinal a importância e a influência de diferentes figuras maternas nas nossas vidas são muito maiores e mais marcantes do que atesta, sozinha, a biologia. Mas há forte sinais de que, com a queda da taxa de fecundidade, a Bahia caminha para tornar verdadeiro o lema “filho/a só tem um/a”. É o que mostram os resultados do Censo Demográfico 2022, do IBGE.
Em 2022, na Bahia, 7 em cada 10 mulheres de 12 anos ou mais de idade eram (ou já tinham sido) mães: 4,083 milhões haviam tido ao menos um/a filho/a ao longo de suas vidas, o que representava 65,8% do total.
A proporção baiana era só a 13ª entre os 27 estados, mas um pouco superior à do Brasil como um todo, onde 65,2% das mulheres de 12 anos ou mais eram mães. Mato Grosso do Sul (68,3%), Paraná (68,0%) e Rondônia (67,6%) tinham as maiores proporções de mães na população feminina; Distrito Federal (61,0%), Amapá (62,2%) e Rio de Janeiro (63,1%), as menores.
Entre os municípios baianos, Capela do Alto Alegre (75,8%), Jaborandi (75,5%) e Central (75,0%) tinham as maiores proporções de mães entre as mulheres de 12 anos ou mais (3 em cada 4 delas eram mães). Por outro lado, Andaraí (53,8%), Ipecaetá (55,4%) e Abaíra (55,8%) tinham as menores.
Em Salvador, havia, em 2022, 691.643 mães, que representavam 6 em cada 10 mulheres de 12 anos ou mais (59,8%). A cidade tinha a 10ª menor proporção de mães na Bahia e a 4ª mais baixa entre as capitais brasileiras.
As mulheres baianas estão se tornando mães mais tarde, o que leva a um envelhecimento da maternidade.
Entre 2010 e 2022, na Bahia, o número de mães com menos de 34 anos caiu 24,8%, de 1,255 milhão para 944,2 mil, o que representou menos 310,7 mil mães até essa idade. A participação das mulheres de até 34 anos no total de mães baianas recuou de 34,0% para 23,1%, nesse período.
Por outro lado, nos últimos 12 anos, o grupo de mães com mais de 35 anos de idade aumentou em tamanho e ganhou representatividade no estado. Elas passaram de 2,436 milhões para 3,138 milhões, num crescimento de 28,0% (mais 701,9 mil mães nessa idade). Também ganharam participação de 66,0% para 76,9% do total de mães na Bahia. Ou seja, em 2022, 8 em cada 10 mães baianas tinham 35 anos ou mais de idade.
Além disso, a quantidade de filhos tidos pelas mulheres diminuiu significativamente. Na Bahia, entre 2010 e 2022, o total de filhos tidos caiu 6,9%, de cerca de 12,8 milhões para cerca de 11,9 milhões, o que representou menos 881.476 filhos tidos por mulheres baianas, em 12 anos. Em termos absolutos, a Bahia teve a segunda maior queda do número de filhos tidos entre os estados, só acima da registrada no Rio de Janeiro (menos 906.842).
Por isso, a taxa de fecundidade total (número médio de filhos tidos por mulheres de 15 a 49 anos de idade) vem caindo constantemente na Bahia. Segundo os três últimos Censos Demográficos: passou de 2,40 filhos por mulher em 2000, para 1,70 em 2010, e chegou a 1,55 filho/a em 2022.
A taxa de fecundidade na Bahia (1,55) está bastante inferior àquela suficiente para repor a população, que é de 2,10 filhos por mulher, e foi a 10ª menor entre os estados, idêntica à do Brasil como um todo (1,55 filho por mulher). As maiores taxas de fecundidade, em 2022, estavam em Roraima (2,19), Amazonas (2,08) e Acre (1,90). E as menores, em Rio de Janeiro (1,35), Distrito Federal (1,38) e São Paulo (1,39).
Em só 42 dos 417 municípios baianos (10,1% ou 1 em cada 10 cidades), a taxa de fecundidade era igual ou superior à taxa de reposição da população (2,10 filhos por mulher). Aracatu (2,39), Sítio do Mato (2,74), Itabela (2,58), Vereda (2,55) e Campo Alegre de Lourdes (2,55) lideravam, no estado.
Por outro lado, em 5 cidades da Bahia, a taxa de fecundidade total não chegava nem a 1 filho/a por mulher: Novo Triunfo (0,81), Uibaí (0,89), Alcobaça (0,96), São Sebastião do Passé (0,96) e Guajeru (0,97).
Salvador tinha, em 2022, a 16ª menor taxa de fecundidade entre os municípios da Bahia: 1,14 filho por mulher. Era, ainda, a 3ª menor taxa de fecundidade entre as capitais brasileiras, acima apenas das registradas em Florianópolis (1,10) e Curitiba/PR (1,13).
Quanto menor o nível de instrução da mulher, maior a fecundidade. Na Bahia, para as mulheres sem instrução ou com até o ensino fundamental incompleto, a taxa de fecundidade era de 1,97 filho/a, em 2022. Se a mulher completava o ensino fundamental, mesmo sem concluir o ensino médio, a taxa de fecundidade já caía para 1,80 filho/a. Concluir o ensino médio, mas não o superior, significava uma redução ainda mais significativa, para 1,38 filho/a por mulher. Já entre as mulheres que tinham o ensino superior completo, essa taxa recuava para 1,13 filho/a.
Considerando a cor ou raça, no estado a fecundidade era maior entre as mulheres indígenas (2,02 filhos por mulher). Em seguida vinham as pardas (1,61 filho/a), as pretas (1,55) e as amarelas (1,48). As mulheres baianas brancas tinham a menor taxa de fecundidade (1,37 filho/a).
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