

Familiares de Maria Heloá, uma bebê de três meses que morreu após uma cirurgia no Hospital Estadual da Criança (HEC), em Feira de Santana, realizaram um protesto na manhã desta segunda-feira (11), em frente ao HEC, alegando que houve problemas no tratamento da bebê e contradições no que foi dito a família sobre o caso.
Segundo Leide Soares, tia de Maria Heloá, os pais da bebê a levaram para o HEC na madrugada da última segunda-feira (4), após notarem a presença de sangue nas fezes dela. No hospital, Heloá passou pela triagem, onde a médica afirmou que provavelmente, o mal estar teria sido causado por algo que a mãe comeu.
“A médica da triagem falou que provavelmente tinha sido algo que a mãe tinha ingerido no dia anterior e que tinha causado alguma infecção intestinal. A minha cunhada queria mostrar a foto da fralda e ela disse que não precisava ver a foto. Aí passou o medicamento pra menina e deu alta. Ela foi na farmácia, comprou o medicamento e foi pra casa”.

Já em casa, a bebê passou o dia sonolenta e sem apetite. A mãe então insistiu em dar de mamar, e após isso, Heloá vomitou e continuou sonolenta. Além de Heloá, a irmã gêmea dela, Helena, também estava com alguns desses sintomas.
“O que é que acontece? Heloá é gêmea de Helena e Helena apresentou o mesmo sintoma de sangue nas fezes e só através da foto, porque Heloá já estava internada, elas mandaram trazer Helena para o atendimento. Fizeram o exame, ultrassom, raio-x, e também deram alta. Helena está em casa, graças a Deus bem. Só que a gente quer ter a certeza de Helena está bem de verdade para ter tido alta, porque Heloá teve alta”.
Retorno ao hospital
“Por volta de 19 horas, a menina novamente fez cocô e dessa vez já veio apenas sangue. Aí a mãe a trouxe imediatamente, e minha mãe trouxe a fralda pra mostrar. Porque como de manhã, a fala da minha cunhada não foi o suficiente para a médica acreditar que havia sangue nas fezes, minha mãe trouxe a fralda, mostrou a ela e imediatamente enviaram a menina para fazer exame, uma ultrassom e um raio-x”, relatou Leide Soares.
Ela informou ainda que o resultado dos exames chegou depois das 23h, indicando que o intestino da criança estava virado e que seria necessário passar por um procedimento cirúrgico. A operação começou por volta das 3h e Heloá saiu do centro cirúrgico às 5h, sendo levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ela estava sedada e entubada.
No decorrer do dia tiraram a sedação, desentubaram ela e falaram que ela estava estável, que estava reagindo. Só que passou o dia todo assim. Quando foi à noite, minha cunhada foi para casa e ficou a outra tia com ela. E aí ela ligou para a gente dizendo que ia precisar entubar a menina novamente, porque os batimentos dela estavam caindo e não estava mais reagindo ao medicamento. No que entubou, passou a noite toda entubada e a menina apresentou duas paradas”.
Após a nova entubação, a mãe retornou ao hospital, mas não pode ficar por muito com a filha, pois os profissionais afirmaram que a bebê precisava passar por uma drenagem e uma reanimação. Leide então chegou no HEC às 13h, já sendo informada do falecimento da sobrinha.
Família alega inconsistência nas informações
De acordo com Leide, os médicos disseram que a causa da morte foi sepse, conhecida popularmente como infecção generalizada, e inovaginação intestinal, que é uma condição onde uma parte do intestino desliza para dentro de outra adjacente.
No entanto, a tia destacou que no laudo para retirada da certidão de óbito consta que a menina faleceu às 3h17. Mas, a mãe da bebê estava no hospital às 6h e havia recebido a informação de que a equipe estava tentando reanimar Heloá, sendo essa uma das inconsistências apontadas pelos familiares presentes no protesto.
Além disso, a tia falou que na terça-feira (5), o HEC explicou que o caso da bebê era delicado e que eles estavam fazendo o possível. Sobre a evolução, os médicos informaram que o estado de Heloá era estável e que ela estava reagindo bem aos medicamentos, por isso, ela foi extubada de manhã. Porém, por volta das 20h, o estado de saúde dela piorou.
Ao Acorda Cidade, Leide reforçou que o protesto também busca uma resposta, principalmente porque Helena, irmã gêmea de Eloá, teve sintomas semelhantes.
A gente quer resposta, porque o resultado de Helena diz que ela está com alergia ao APLV, que é todo produto derivado do leite da vaca. Já tinha três meses elas tomando essa fórmula. Como a gente sabe também que a fórmula teve um tempo que veio adulterada, a Anvisa tirou do mercado. A gente quer saber também se tem a ver com essa fórmula, se de fato a fórmula foi toda retirada, se não tem alguma coisa a ver na contaminação. Porque a gente tem Helena em casa, perdemos Heloá e não queremos perder Helena. A gente quer uma resposta de fato e de verdade de qual foi o caso da morte de Heloá”.
O que diz o HEC?
Ao Acorda Cidade, o Hospital Estadual da Criança (HEC) enviou uma nota lamentando profundamente o falecimento da bebê e se solidarizou com os familiares e amigos neste momento de dor. Veja a nota:
Desde a admissão da criança na unidade, toda a assistência necessária foi prestada pelas equipes multiprofissionais, com adoção de todas as medidas clínicas indicadas para o quadro apresentado, seguindo rigorosamente os protocolos assistenciais e de segurança do paciente.
Familiares da paciente foram acolhidos pela direção do hospital. Na ocasião, foi detalhado todo o caso e as medidas adotadas. O serviço social da unidade permanece disponível para quaisquer esclarecimentos.
A instituição reforça que preza por um atendimento de qualidade e humanizado, mantendo suas equipes dedicadas integralmente ao cuidado dos pacientes e ao acolhimento das famílias.
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade
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