11 de May de 2026
Semana do Trânsito em Feira de Santana 2026
Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade
De acordo com o superintendente de trânsito, um dos maiores desafios no trânsito de Feira é a mudança de comportamento dos condutores.
Semana do Trânsito em Feira de Santana 2026
Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

A partir desta segunda-feira (11), começa a Semana de Trânsito em Feira de Santana 2026, em comemoração ao Maio Amarelo, com objetivo de trazer ações educativas e preventivas para conscientizar os condutores e evitar acidentes no município. A campanha acontece até o dia 16 de maio.

De acordo com o superintendente de trânsito, Ricardo Cunha, um dos maiores desafios no trânsito de Feira de Santana é a mudança de comportamento, principalmente dos condutores de motocicletas. Ele falou sobre o aumento de motocicletas nas ruas, especialmente após a pandemia do Covid-19, que levou ao aumento dos entregadores de aplicativos e delivery.

“As pessoas se colocam em um risco muito grande. Esse risco acaba, às vezes, em sinistro de trânsito, que aumenta a quantidade de mortes e de pessoas que ficam incapacitadas para as atividades laborais. A gente quer também que as ações de mobilidade e o ir e vir aumentem, mas salvar vidas é o que a gente espera”. 

Ricardo Cunha
Ricardo Cunha | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

Infrações mais registradas

Ricardo Cunha também falou sobre as infrações mais registradas no município. Segundo ele, são relacionadas a velocidade e direção após consumo de bebidas alcoólicas. Com isso, ele destacou que as ações da Superintendência Municipal de Trânsito (SMT), juntamente com a Polícia Militar, também buscam reduzir a velocidade das vias e a quantidade de pessoas que dirigem alcoolizadas, para conseguir reduzir os casos de sinistros e consequentemente de mortes. 

O inspetor-chefe da 2ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal na Bahia (DEL02-BA), Ivanildo Cirqueira também falou sobre os problemas mais identificados durante as abordagens, que, segeundo ele, são decorrentes da condição do motorista, como não portar ou estar com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) vencida, conduzir sob efeito de substância psicoativa, ultrapassar em local indevido, e excesso de velocidade. 

No caso de veículos de transporte de carga, a infração mais identificada é o excesso na quantidade de horas dirigidas, sem respeitar o descanso de 11 horas a cada 24 horas de trabalho. Já quanto aos motociclistas, o principal ponto é conduzir com calçados que não se firmem aos pés.

Maio Amarelo reforça educação no trânsito

O inspetor Ivanildo Cirqueira afirmou ainda que a PRF realiza campanhas de trânsito durante todo o ano, mas essas ações se intensificam neste mês por conta do Maio Amarelo. 

Ivanildo Cirqueira
Ivanildo Cirqueira | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

“A gente acredita que somente através de educação e capacitação a gente consegue superar as mazelas de todos os âmbitos da nossa sociedade. Então é importante a gente fazer um trabalho de educação para o trânsito, para que as pessoas possam tomar consciência e passar a ter condutas mais responsáveis, mais cuidadosas porque a gente ainda tem um trânsito muito violento e a gente precisa superar isso”.

O Superintendente Ricardo Cunha, também destacou que a Semana do Trânsito em Feira de Santana não inclui ações de fiscalização, pois essas não param de acontecer, mas que serão realizadas ações educativas. Ele falou que o ato de ouvir é o ponto que representa maior resistência por parte dos condutores.

“A gente estava aqui na faixa de pedestre e uma das brincadeiras feitas pelo grupo que está na faixa é se a pessoa se desloca para cima da faixa de pedestre, eles pedem para que a pessoa volte atrás da faixa. E eu vi que o motociclista não fez isso, olhou, balançou a cabeça e não obedeceu”. 

“O Clériston é o termômetro do que acontece no trânsito”

A diretora geral do Hospital Clériston Andrade, Cristiana França, também esteve presente na abertura do evento, e salientou que 78% dos pacientes do hospital são vítimas de acidentes de trânsito, sendo que 70% desse número é decorrente de acidentes com motocicletas.

“O Clériston Andrade é o termômetro do que acontece no trânsito. A gente precisa fazer ações mais fortes, porque continuamos recebendo muito paciente, não só de Feira de Santana, mas de todas essas regiões, dessas principais cidades”. 

Ela também explicou que grande parte dos traumas envolveu fratura de membros inferiores e de cabeça, por conta do não uso do capacete. “Quando o paciente chega com lesões graves, quando não vai a óbito, deixa sequelas extremamente importantes”.

Cristiana França
Cristiana França | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

Sobre os índices, ela chamou atenção para o fato que os leitos, principalmente da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) acabam sendo ocupados pelas vítimas de acidente, e não ficam disponíveis para atender outros casos. 

“Mais de 70% dos acidentes que chegam no Clériston são decorrentes de acidentes de moto. Então esse é o grande desafio, não estamos botando a culpa nas motocicletas. Mas quem está pilotando as motocicletas precisa realmente ter uma atenção muito maior”. 

Parceria entre SMT e PM

Como mencionado pelo superintendente de trânsito ao Acorda Cidade, a SMT conta com o apoio da Polícia Militar em algumas ações. O tenente-coronel Ivã Antônio, subcomandante do Comando de Policiamento da Região Leste (CPR-L) destacou essa parceria.

“Feira de Santana é muito grande, é a segunda maior metrópole da Bahia e o trânsito é um indicador fortíssimo do nível de desenvolvimento de uma sociedade. E efetivamente a gente percebe que precisamos melhorar. A gente ouviu a doutora Cristiana dizer que 78% dos leitos de UTI do Clériston estão ocupados por resultantes de acidentes de veículos aqui na região. Infelizmente, é algo difícil”.

Ivã Antônio
Ivã Antônio | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

O tenente-coronel também falou sobre a necessidade de eventos como esses serem realizados para discutir esse assunto. Assim como chamou atenção para o Esquadrão Asa Branca, que atua com motocicletas, o que dá mais agilidade durante as ações. 

“Obviamente, se nós abordarmos e tem um condutor que está conduzindo embriagado, se ele não tem habilitação, aí sim nós temos que agir. Porque esses são indicadores fortes no sentido de que essa pessoa possa gerar um problema no trânsito”.

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade

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