12 de May de 2026
Congresso Uefs 50+: evento debate desafios para conservar a biodiversidade do Semiárido
Foto: Divulgação
Com 24 trabalhos apresentados, o grupo de trabalho reuniu pesquisas sobre fauna, flora, microrganismos e conservação da biodiversidade.
Congresso Uefs 50+: evento debate desafios para conservar a biodiversidade do Semiárido
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Durante a última semana, a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) realizou o I Congresso Uefs 50+, evento que abriu oficialmente as comemorações pelos 50 anos da instituição. Com quase quatro mil participantes credenciados, 68 grupos de trabalho e 1.788 trabalhos submetidos, o congresso contou com pesquisas, debates e atividades culturais voltadas para o papel da universidade pública diante dos desafios contemporâneos.

Dentro dessa programação, o GT 39 “Desafios e perspectivas para o conhecimento, uso e conservação da Biodiversidade do Semiárido” colocou em evidência pesquisas desenvolvidas no âmbito do Programa de Pesquisa em Biodiversidade do Semiárido (PPBio Semiárido), rede sediada na Uefs.

O grupo reuniu pesquisadores, estudantes e profissionais de diferentes áreas para discutir lacunas científicas, estratégias de conservação e os impactos das mudanças climáticas sobre a biodiversidade da região. Ao longo das apresentações, foram debatidos temas relacionados a plantas, fungos, microrganismos e animais, além de pesquisas voltadas à taxonomia, ecologia, Divulgaçãoquímica de produtos naturais e desenvolvimento de novos produtos a partir da biodiversidade do Semiárido. Coordenadora geral do PPBio Semiárido e do subprojeto “Inventários Florísticos e Monitoramento de Parcelas Permanentes”, Reyjane Patrícia de Oliveira destacou o intuito do GT.

Congresso Uefs 50+: evento debate desafios para conservar a biodiversidade do Semiárido
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“A ideia central do grupo de trabalho foi discutir os principais desafios para o avanço do conhecimento científico no Semiárido, destacando se novidades e lacunas de informação que comprometem avaliações biológicas mais precisas, inclusive quanto ao uso e conservação da Biodiversidade”, explicou.

Segundo a pesquisadora, um dos principais pontos debatidos foi a necessidade de ampliar a integração entre bancos de dados e fortalecer estudos interdisciplinares capazes de responder às pressões ambientais enfrentadas pela região. Problemas relacionados à obtenção de amostras, identificação de espécies e implementação de áreas prioritárias para conservação também apareceram de forma recorrente nas apresentações.

“O GT teve como foco apresentar ações ligadas ao PPBIO Semiárido, uma rede de pesquisa com mais de 20 anos de atuação e com sede na Uefs. Temos a certeza da força que essa instituição possui para subsidiar a produção de conhecimento científico de qualidade, de formar novos profissionais atuando nos temas relacionados ao projeto e também em comunicar à sociedade nossos achados mais importantes e promissores.”

Entre os trabalhos apresentados esteve a pesquisa da estudante do Bacharelado em Ciências Biológicas da Uefs Amanda Mamede, sobre ectoparasitos de morcegos em diferentes regiões do Semiárido baiano. O Divulgaçãoestudo busca ampliar informações sobre espécies ainda pouco investigadas no estado e compreender as interações ecológicas desses organismos com os morcegos e outros animais.

A pesquisa recuperou 82 indivíduos de ectoparasitos distribuídos em duas famílias e identificou maior incidência em morcegos do gênero Myotis. Segundo Amanda, ainda existem muitas lacunas sobre comportamento, transmissão de doenças e relações ecológicas desses parasitas, especialmente na Bahia, único estado brasileiro que ainda não possui um levantamento consolidado sobre essas espécies.

Congresso Uefs 50+: evento debate desafios para conservar a biodiversidade do Semiárido
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“Esse estudo é um estudo de base para ajudar a fomentar mais estudos e sanar dúvidas futuras”, defendeu. A estudante também apresentou uma pesquisa sobre a presença do protozoário Toxoplasma gondii em tecidos de animais silvestres e sinantrópicos do Semiárido baiano. O estudo investiga a circulação do agente infeccioso em espécies que convivem próximas aos seres humanos, incluindo gatos ferais, e discute os impactos para a saúde pública, especialmente entre gestantes e pessoas imunossuprimidas. Outro projeto apresentado foi a “Noite do Morcego, edição Raízes”, ação de extensão voltada à educação ambiental e à divulgação científica em municípios da região.

A iniciativa busca aproximar a população dos debates sobre preservação da fauna e convivência com animais sinantrópicos, levando informações para além dos espaços universitários.

Para Amanda Mamede, a participação no Congresso Uefs 50+ também representou um espaço de troca entre pesquisadores e estudantes. Ela avaliou positivamente a estrutura do evento e destacou a importância do diálogo com o público durante as apresentações.

Além das discussões científicas, o GT 39 reforçou o papel da universidade pública na produção de conhecimento sobre o Semiárido e na formação de novos pesquisadores comprometidos com a conservação da biodiversidade regional.

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