12 de May de 2026
Casos de catapora voltam a crescer em Feira de Santana e acendem alerta sobre vacinação infantil
Foto ilustrativa - Freepik
Com 21 confirmações em 2026, infectologista explica por que a doença ainda circula e reforça a importância do esquema vacinal completo.
Casos de catapora voltam a crescer em Feira de Santana e acendem alerta sobre vacinação infantil
Foto ilustrativa – Freepik

O aumento recente de casos de catapora em Feira de Santana, que já soma 21 confirmações neste ano, reacendeu o alerta das autoridades de saúde e trouxe à tona uma preocupação antiga: a baixa cobertura vacinal. Em entrevista ao Acorda Cidade, a médica infectologista Melissa Falcão explicou os motivos da circulação do vírus, detalhou sintomas, riscos e destacou a importância da imunização para conter novos casos.

Apesar de ser conhecida como uma doença comum da infância, a catapora, ou varicela, continua exigindo atenção, especialmente em cenários de queda na vacinação. Segundo a infectologista Melissa Falcão, o aumento recente de casos está diretamente ligado à presença de pessoas não imunizadas.

“O aumento dos casos de catapora acontece por conta de circulação do vírus, que acomete as pessoas que não são vacinadas”, disse a especialista ao Acorda Cidade.

Casos de catapora voltam a crescer em Feira de Santana e acendem alerta sobre vacinação infantil
Melissa Falcão, médica infectologista – Foto: Ney Silva/Acorda Cidade.

De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde, Feira de Santana registrou 32 casos suspeitos entre janeiro e abril de 2026, com 21 confirmações. O número já se aproxima do total registrado no mesmo período de 2025, quando houve 25 casos confirmados.

A especialista reforça que a vacina contra a varicela está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) e faz parte do calendário básico infantil.

“Hoje nós já temos a vacina de catapora, que é conhecida cientificamente como varicela, disponível no SUS para todas as crianças no calendário básico.”

O esquema vacinal prevê duas doses: a primeira aos 15 meses, na vacina tetraviral, e a segunda como reforço aos quatro anos. Para as crianças que perderam esse prazo, elas ainda podem ser imunizadas até os sete anos na rede pública. No entanto, ela alerta que a vacina não tem efeito em quem já está com a doença ativa.

Escolas são um ponto crítico de transmissão

Um dos principais desafios no controle da catapora é a facilidade de transmissão, especialmente em ambientes fechados e com grande circulação de crianças, como escolas e creches. A médica explica que surtos nesses locais são comuns justamente pela proximidade entre os alunos.

“É uma doença que se transmite com facilidade muito grande. Numa sala de aula fechada, todas as outras crianças que não forem vacinadas vão acabar também adquirindo a catapora”, disse.

A médica também explica que o período de transmissão começa antes mesmo do surgimento das lesões. Por isso, o afastamento imediato da criança infectada é fundamental.

O período de transmissão começa dois dias antes das bolhas aparecerem até cerca de cinco dias depois. A criança precisa ser afastada do contato com outras crianças em creches ou em escolas pelo período de pelo menos sete dias, ou até que todas as vesículas estejam secas”.

Sintomas e sinais de alerta

A catapora é caracterizada principalmente pelas lesões na pele e pela coceira intensa, mas pode se manifestar de formas diferentes dependendo da idade. Em adolescentes e adultos, os sintomas iniciais podem incluir febre, dor de cabeça e mal-estar, acompanhado de feridas no corpo, segundo a especialista.

A médica chama atenção para sinais de agravamento que exigem atendimento imediato. “Se começar a ter secreção, se começar a ter pus na pele, se começar a ter falta de ar ou se começar a ficar sonolento, ou tiver convulsão, é necessário que seja encaminhada para um atendimento médico”, alerta.

Quando a catapora pode se tornar grave

Embora, na maioria das vezes, a catapora apresente evolução leve, há situações em que o quadro pode se agravar e exigir maior atenção. “A maioria dos casos de catapora são casos benignos”, explica a infectologista, ao destacar que o risco aumenta em grupos mais vulneráveis. “Pessoas recém-nascidas, mulheres grávidas, pessoas que têm baixa imunidade, o risco de complicação é maior.”

Nesses casos, a doença pode evoluir com complicações importantes, como infecções pulmonares, neurológicas e também infecções bacterianas na pele, segundo a médica.

Doença pode reaparecer na fase adulta

Um ponto pouco conhecido é que o vírus da catapora permanece adormecido no sistema nervoso mesmo após a recuperação. Em situações de baixa imunidade, ele pode reaparecer como herpes zóster, conhecido popularmente como “cobreiro”.

“A catapora, uma vez adquirida, fica no nosso corpo a vida inteira. Ela pode ressurgir com uma herpes zóster, que causa uma dor muito forte”, alerta.

Leia também: Feira de Santana confirma 21 casos de catapora em 2026 e Vigilância alerta para a importância da vacina

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade.

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