

A Câmara Municipal de Feira de Santana realizou, nesta quarta-feira (13), uma sessão solene em alusão ao Dia Nacional de Conscientização da Fibromialgia, celebrado em 12 de maio. O evento reuniu integrantes da Associação Feirense de Pessoas com Fibromialgia e autoridades com o objetivo de dar visibilidade à doença e fortalecer políticas públicas de atendimento e inclusão.
Em entrevista ao Acorda Cidade, o vereador Pedro Américo destacou que a iniciativa busca ampliar o reconhecimento das pessoas com fibromialgia, recentemente enquadradas como pessoas com deficiência no âmbito jurídico nacional. Segundo ele, a lei precisa ser efetivada também no município para garantir direitos que já estão previstos.
“É uma dor muitas vezes invisível, e precisamos que a sociedade e os servidores públicos compreendam isso. Essa sessão é de reflexão e luta por direitos”, afirmou Pedro Américo.

De acordo com o parlamentar, a Câmara Municipal contribui aprovando leis, como a que garante passe livre para pessoas com fibromialgia e anemia falciforme.
“Nosso mandato aprovou uma lei municipal que garante o passe livre para pessoas com fibromialgia e anemia falciforme. Esse processo, inclusive, deve chegar ao Supremo Tribunal Federal, em Brasília, nos próximos dias. Estamos lutando e nos organizando para que esse direito seja garantido”, destacou.
Além da aprovação da lei, o vereador mencionou a proposta de criação de um centro especializado em dor no município.
“Para nós, é fundamental que Feira de Santana tenha um centro da dor especializado, organizado, pensando desde fisioterapias, terapias alternativas, além de reumatologistas e ortopedistas exclusivos, dedicados a essa população. Em especial, nós temos pessoas com fibromialgia, mas também pessoas com lúpus, pessoas com anemia falciforme e outras condições que causam grandes dores e que precisam de um cuidado especial.”
Falta de reumatologista e diagnóstico tardio
Ao Acorda Cidade, a presidente da Associação Feirense de Pessoas com Fibromialgia, Bárbara Fontes, destacou a importância do Dia Nacional da Fibromialgia e a necessidade de tirar as pessoas da invisibilidade, afirmando que a dor é real.

Bárbara explica que entre os desafios enfrentados pelas pessoas com fibromialgia no município, o principal é a falta de reumatologistas, já que, segundo ela, há apenas um profissional atendendo a cidade e regiões vizinhas, o que gera uma espera de aproximadamente um ano por consulta.
A presidente também pontua o risco de um diagnóstico tardio. “O diagnóstico tardio afeta a qualidade de vida dos pacientes. Com o tratamento multidisciplinar, mesmo com a condição limitante e incapacitante, você pode ter uma melhor qualidade de vida com tratamento medicamentoso e multiprofissional”, afirmou.
Sobre a fibromialgia, Fontes explica que é uma doença incurável, na qual os pacientes podem apresentar sintomas como insônia, fadiga, indisposição, cansaço e dor generalizada em 18 pontos específicos, afetando severamente a vida e a capacidade de trabalho dos indivíduos.
A associação estima que seriam necessários cerca de 10 reumatologistas para atender adequadamente a população com fibromialgia no município. Em nível nacional, são cerca de 3 milhões de pessoas com a doença. Já em Feira de Santana, a Secretaria de Saúde registra aproximadamente 2 mil casos diagnosticados, com novos diagnósticos sendo feitos diariamente.
Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade
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