14 de May de 2026
Jovem que teve as duas pernas amputadas após acidente faz vaquinha para comprar próteses
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade
Em entrevista ao Acorda Cidade, Délia contou que o acidente aconteceu quando voltava do trabalho, em um trajeto que fazia diariamente.
Jovem que teve as duas pernas amputadas após acidente faz vaquinha para comprar próteses
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

A técnica em análises clínicas Délia Santos de Oliveira, de 29 anos, vive hoje uma nova realidade após sofrer um grave acidente de trânsito no dia 14 de agosto, nas proximidades do HGCA, em Feira de Santana. Atropelada enquanto seguia para casa, ela teve as duas pernas amputadas e agora enfrenta um longo processo de reabilitação, além da luta para arrecadar R$ 340 mil para a compra de próteses que possam devolver parte da sua autonomia. Saiba como doar pela vaquinha virtual aqui.

Em entrevista ao Acorda Cidade, Délia contou que o acidente aconteceu quando voltava do trabalho, em um trajeto que fazia diariamente.

“Eu estava caminhando do trabalho, que eu fazia todos os dias, eu só senti um forte impacto, bater no fundo da minha moto e depois eu não me lembro mais de nada”, relatou.

Ela foi socorrida para o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA) e acredita que a proximidade da unidade foi fundamental para sua sobrevivência. Délia explicou que só soube da amputação após acordar da cirurgia de emergência.

“Eu acredito que se fosse em um local mais distante eu não iria sobreviver. Fiquei quatro dias na UTI, fiquei internada, tive que retornar, tive que ser internada novamente por complicações. Eu me lembro na Samu, me lembro chegando no hospital, e aí depois eu só me lembro de dar entrada no centro cirúrgico, e quando acordei foi no outro dia na UTI, já com as pernas amputadas, porque a cirurgia foi feita de emergência”, contou.

“Foi muito difícil. Eu sempre fui uma pessoa muito ativa, praticava esportes. Então para mim naquele momento foi muito difícil mesmo. Eu entendi que minha vida parou naquele momento. Sonhos foram interrompidos”, afirmou.

Sem conseguir retornar ao trabalho, ela conta que toda a rotina foi transformada, agora com doses diárias de superação.

“Tudo mudou. Eu não trabalho mais, eu não consigo fazer as coisas sozinha mais, eu não tenho autonomia que eu tinha antes. Muitas atividades, até em casa mesmo, eu não consigo fazer, eu só consigo fazer com o auxílio de outra pessoa.” Além das limitações físicas, os custos com a reabilitação, incluindo medicações, também se tornaram um grande desafio.

Jovem que teve as duas pernas amputadas após acidente faz vaquinha para comprar próteses
Foto: Reprodução/Redes Sociais

“Eu tenho muitos gastos, porque para uma pessoa com deficiência tudo é mais caro. Eu tenho custos com fisioterapia, com psicóloga, os deslocamentos, porque eu não tenho carro, então os deslocamentos acabam sendo mais caros”, explicou. Ela também revelou que enfrenta dificuldades de acessibilidade até mesmo para conseguir transporte.

“Muitas das vezes ainda tenho essa dificuldade porque os motoristas não querem levar por ser cadeirante.”

Délia faz acompanhamento psicológico e psiquiátrico e relata que o estado emocional ainda é bastante delicado. “Tem noites que eu não consigo dormir. Fico pensando, vem a imagem na minha mente o tempo inteiro.”

Agora, a fé, o apoio da família e amigos e sua resiliência têm sido essencial para ela seguir em frente. “Eu tenho muita fé em Deus, então isso que tem me ajudado e isso que tem feito eu não desistir todos os dias. Eu acredito que a minha fé em Deus é o que me move”, relatou ao Acorda Cidade.

Vaquinha para próteses

Hoje, o principal objetivo de Délia é conseguir adquirir as próteses bilaterais, que custam R$ 340 mil. Ela explica que o modelo escolhido oferece mais segurança e independência para quem passou por amputação nas duas pernas.

“Por o meu caso ser bilateral, ser as duas pernas, é uma prótese que tem um joelho com a maior tecnologia, que eu vou poder andar mais tranquila com ela, não vou ter tanta dificuldade.”

Segundo Délia, as próteses representam mais do que mobilidade.

“Superação. Eu tento superar todos os dias para não desistir, porque eu sei que ainda existe vida. Então, se Deus me deixou via diante da gravidade da situação do acidente é porque ele tem um propósito muito grande na minha vida. As próteses vão me ajudar a me locomover melhor, com mais qualidade, vou poder fazer atividades que eu não consigo fazer na cadeira de rodas, eu vou conseguir fazer. Sem falar na autoestima, que vai me ajudar muito.”

Ela e a família iniciaram uma vaquinha solidária para arrecadar recursos e custear também fisioterapia e outras etapas da reabilitação. Veja como doar pela vaquinha virtual aqui.

Pedido por justiça

Délia afirmou ainda ao Acorda Cidade que o acidente aconteceu por imprudência do motorista que a atingiu.

“Era um caminho que eu fazia todos os dias. E quando eu reduzi no quebra-mola, ele não respeitou o limite de distanciamento e nem o limite de velocidade. Então, do jeito que ele desceu o viaduto, ele me atropelou. Hoje estou sem as duas pernas por conta de uma imprudência de uma outra pessoa. Eu pago até hoje por isso.”

Ela destaca que, após o acidente, o quebra-mola foi retirado e um radar foi instalado no local. Ela espera que o caso tenha uma resposta da Justiça.

“Eu sei que eu não vou ter minhas pernas de volta, mas eu gostaria que houvesse justiça no meu caso para não acontecer com outras pessoas o que aconteceu comigo.”

Quem puder ajudar, pode contribuir por meio da vaquinha virtual divulgada no perfil do Instagram _deliaoliveira.

Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade

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