

Feira de Santana passa a contar com um projeto dedicado exclusivamente à manutenção e propagação da memória do próprio município.
A iniciativa, promovida pela Fundação Senhor dos Passos, consiste em instalar, em pontos estratégicos, estantes com exemplares editados que contam trechos da história da cidade, que é conhecida como Princesa do Sertão.

O projeto “Feira Lê Sua História” pretende democratizar o acesso ao conhecimento sobre a história e a memória de Feira de Santana, permitindo que qualquer cidadão possa acessar gratuitamente os livros disponíveis na estante.
O sonho
Sabendo da importância do tema, o programa Acorda Cidade recebeu, na manhã desta quinta-feira (7), um grupo que está diretamente ligado ao desenvolvimento do projeto. Uma das estantes instaladas recentemente fica na Rádio Sociedade News FM, emissora que pertence à Fundação Santo Antônio e possui um vasto acervo histórico.
Presente na bancada do Acorda Cidade, o frei Cristóvão Lima, superintendente da Fundação Santo Antônio, falou sobre a importância da criação de ações para a preservação da memória local e enalteceu a parceria entre as duas fundações para a consolidação do projeto.

“Para nós é uma honra qualquer parceria que a gente possa realizar, qualquer apoio, por menor que seja. Deve agradecer muito mais à rádio também por se abrir a essa parceria. Qualquer iniciativa que fizermos com a Fundação Senhor dos Passos ainda é pouco diante daquilo que eles realizam em prol da preservação da memória da historicidade de nossa cidade e da nossa região”, disse.
“Isso para nós é de fundamental importância. Queremos divulgar, tornar acessível para quem vem aqui à nossa emissora o contato com esse material. Temos disponível uma estante com livros que tratam do memorial da Fundação Senhor dos Passos, como também de outros lugares. Para nós isso é de grande valor, de grande relevância”, complementou o frei.
Trabalho de pesquisa
Segundo os organizadores, a iniciativa busca estimular uma circulação permanente do conhecimento, ampliando o alcance das obras sem a necessidade de aquisição dos exemplares. Desta forma, será possível retirar o exemplar da estante, como num empréstimo, e devolvê-lo após a leitura do conteúdo.
Ângelo Pinto, colaborador da Fundação Senhor dos Passos há 30 anos, justificou o projeto como essencial para manter a memória feirense. Durante a entrevista, ele ressaltou o trabalho de pesquisa que o grupo fez até chegar ao modelo final do “Feira Lê Sua História”.

“Nós acreditamos desde o início da sua criação que você só consegue preservar a memória quando essa memória está em muitas mãos. Porque, quando ela fica restrita a poucas mãos, essa história acaba se perdendo. Então, ao longo desse tempo, a fundação vem fazendo pesquisa por meio de seus membros e documentos, para que tudo que seja impresso e publicado”, declarou Ângelo.
“Queremos que o que seja produzido seja embasado em coisas reais, em documentos históricos e compartilhando isso com a comunidade, seja por meio da publicação dos livros, seja por meio do projeto Cinema no Casarão, que acontece uma vez por mês, evento que é aberto ao público em geral e gratuito, como em outras ações também que são realizadas pela fundação ao longo do ano voltadas à preservação da memória”, completou o colaborador.
Núcleo especial
Já Péricles Marques explicou durante a entrevista que, diante da necessidade de ações mais efetivas para a preservação da história da Princesa do Sertão, a Fundação Senhor dos Passos criou um departamento especial para tratar sobre o assunto, o Núcleo de Preservação da Memória de Feira de Santana.

“Esse núcleo de preservação da memória inicialmente foi presidido pelo saudoso advogado Dr. Fernando Pinto de Queiroz. E essa fundação criou alma, cresceu e hoje está distribuindo tudo o que produziu para que Feira conheça os seus autores. E essa ideia veio a partir do lançamento do livro “Retrato de uma Cidade”, que é o nosso recordista de vendas”, disse.
Para Marques, além de incentivar a leitura, o projeto fortalece a educação patrimonial e a valorização da identidade local, aproximando a população de personagens, acontecimentos e tradições que fazem parte da construção histórica de Feira de Santana.
“Essa última obra nos incitou a pensar em ‘Feira lê a sua história’. Porque, quando ele foi lançado, a cidade descobriu criaturas que fizeram essa cidade e que elas não conheciam, como, por exemplo, Edit Gama, Jerusa Pires Ferreira, Estevão Pedro Moura, Alcinda Dantas, Paulo da Costa Lima, entre outras personalidades que marcaram a cidade”, completou.
Preservação da memória
Já o professor Carlos Brito, secretário de Planejamento de Feira de Santana e um dos grandes idealizadores do projeto, reforçou durante a entrevista a importância de atitudes que a Fundação Senhor dos Passos vem realizando para apresentação da memória local.

“Nós já publicamos cerca de 32 livros. São 180 imagens em movimento e 250 fitas de programas de rádio que nós mandamos digitalizar. E eu espero que possamos também, daqui a 100 anos, ter dados sobre o programa Acorda Cidade. Precisamos fazer esses arquivos porque são muito importantes”, disse.
“Queremos digitalizar tudo, mas isso custa dinheiro e nós não temos efetivamente. Nós vamos agora fazer o nosso primeiro programa de podcast juntos, em parceria com Marcílio Costa, sobre preservação da memória. Preservar para existir é o nosso projeto, é isso que a fundação está fazendo com essa iniciativa de socializar as publicações”, completou Brito.
Grande parceria
Segundo um levantamento interno, somente o acervo da Fundação Santo Antônio conta com 18 mil exemplares entre CDs e discos de vinil. Todos os itens estão guardados e devidamente catalogados. Durante a entrevista, o experiente jornalista Marcílio Costa, um dos entusiastas do projeto, falou sobre a importância de registrar o que as emissoras propagam.

“Em Feira de Santana, não vou falar aqui especificamente de uma emissora, mas todas as rádios têm uma lacuna de arquivo porque ninguém guarda o que é produzido; eles vão passando e as coisas vão seguindo. Mas a ideia de Brito é preservar, e ele já vem preservando na mídia impressa”, disse Marcílio.
“Então eu quero agradecer ao frei Cristóvão, que desde o primeiro momento foi entusiasta do projeto e quis trazer para cá uma parte da história de Feira, e é muito mais do que adequado, porque nós estamos numa parte grande da história de Feira de Santana, que é a própria Rádio Sociedade”, complementou o jornalista.
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