19 de May de 2026
Áudio revela agradecimento de Mário Frias a Vorcaro por apoio a filme sobre Bolsonaro
O deputado Mário Frias, o senador Flávio Bolsonaro e o ator Jim Caviezel, intérprete de Jair Bolsonaro no filme “Dark Horse” (“O Azarão”). - Foto: Redes sociais
Frias admitiu conversas com Daniel Vorcaro sobre o filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória de Bolsonaro.
Áudio revela agradecimento de Mário Frias a Vorcaro por apoio a filme sobre Bolsonaro
O deputado Mário Frias, o senador Flávio Bolsonaro e o ator Jim Caviezel, intérprete de Jair Bolsonaro no filme “Dark Horse” (“O Azarão”). – Foto: Redes sociais

O deputado Mário Frias (PL-SP) agradeceu em áudio ao banqueiro Daniel Vorcaro por apoio ao filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A mensagem foi revelada pelo Intercept. A TV Globo confirmou as informações.

O áudio foi enviado pelo deputado por WhatsApp em 11 de dezembro de 2024, às 18h24.

“Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá? Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando, tá?” , diz Frias na mensagem.

🎥 O filme “Dark Horse” (termo em inglês para “azarão”) está em evidência após reportagens revelarem que a produção teria sido financiada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O senador Flávio Bolsonaro já admitiu encontros com o banqueiro e também ter intermediado as negociações e cobrado pagamentos de Vorcaro — que chegou a repassar cerca de R$ 61 milhões ao projeto antes de ser preso.

Na sequência, Vorcaro responde, ainda de acordo com o Intercept: “Eu to numa ligação te chamo em seguida”. Frias diz: “Blz”. Às 19h06, os dois se falam por ligação de voz por cerca de 2 minutos.

Na quarta-feira (14), Frias divulgou uma nota em que disse que a cinebiografia não havia recebido um “único centavo” do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master (veja detalhes abaixo).

🔎Mário Frias foi secretário especial da Cultura do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em entrevista na segunda-feira (18) ao jornalista Paulo Figueiredo, Frias comentou sobre a relação com o banqueiro.

Questionado sobre se existiriam conversas dele com Vorcaro no aparelho telefônico apreendido do ex-dono do Master, Frias disse que havia agradecimentos dele a Vorcaro, assim como agradecimentos “aos outros investidores do filme”.

“A única coisa que eu tratei com o Daniel Vorcaro foi sobre o filme. Se eu falei com o Daniel Vorcaro no telefone três vezes foi muito. Sempre nesse sentido: ‘olha, as coisas estão indo bem, o projeto  bem, olha, obrigado, o projeto vai ser um sucesso, vai mexer com o coração das pessoas’”, afirmou Frias.

Frias declarou ainda que Vorcaro afirmava que não seria ele o investidor, e sim que ele estaria trazendo outros investidores para a produção.

Segundo o Intercept, o áudio foi enviado por Frias a Vorcaro pouco menos de uma hora após o horário em que estava previsto um encontro entre o filho mais velho do ex-presidente, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o banqueiro.

‘Deus te abençoe meu Brother’

No dia 22 de dezembro de 2024, segundo a reportagem, houve outra conversa entre o deputado e Vorcaro. Desta vez, por meio de troca de mensagens de texto.

O banqueiro disse, às 10h19, que estava na igreja e prometeu chamá-lo quando saísse. Frias escreveu que o filme seria “o grande milagre”, capaz de tocar “milhões de pessoas em todo mundo”, e teria “um papel histórico imprescindível para as futuras gerações”.

O deputado afirmou ainda que o longa-metragem sobre o ex-presidente era uma “questão de justiça divina”. Vorcaro respondeu, às 11h40: “Tenho certeza disso”. “JB (em uma referência ao ex-presidente) precisa ter sua verdadeira história revelada”, acrescentou Frias.

Em outra mensagem, disse: “2026 é do Brasil”. E concluiu: “Deus te abençoe meu Brother”.

Frias comunica Vorcaro sobre conversa com diretor do filme

Em mais uma troca de mensagens em 15 de dezembro de 2024, Frias envia a Vorcaro uma captura de tela de uma conversa entre ele e o diretor Cyrus Nowrasteh sobre negociações preliminares para a produção do filme.

“Milagres SÓ são possíveis quando a [sic] fé. Esse é um desses milagres. Vai ser a maior superprodução de uma história brasileira”, escreveu Mario Frias.

Na conversa, Cyrus Nowrasteh afirma ao deputado que conseguiria convencer Jim Caviziel a fazer o papel de Jair Bolsonaro. Mas alerta que o ator faria duas perguntas antes de aceitar.

“[Ele vai fazer duas perguntas: 1) Posso ler o roteiro? 2) Eles vão me pagar bem?] Para responder “sim” a essas perguntas, precisamos começar. Ele está ciente do projeto. Ele também está muito demandado agora — Mas consigo fechar com ele se respondermos a essas perguntas”, escreveu o diretor.

Vorcaro surge entre os financiadores do filme sobre Bolsonaro

O Intercept revelou em 13 de maio que o banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar “Dark Horse” e que as negociações envolveram contatos diretos com Flávio.

A publicação exibiu áudio em que o senador pede dinheiro e pressiona Vorcaro pelos pagamentos. De acordo com essa reportagem, o banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões. A TV Globo também confirmou essas informações.

Frias e Eduardo Bolsonaro atuaram como produtores do filme

De acordo com outra publicação do Intercept, cujas informações também foram confirmadas pela TV Globo, o contrato de produção de “Dark Horse” diz que Eduardo Bolsonaro e o deputado Mário Frias, atuaram como produtores executivos do projeto.

Ainda segundo a reportagem, a produtora GoUp e os produtores-executivos deveriam se dedicar à captação de recursos para o filme.

As atividades dos produtores-executivos incluíam o “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio”.

Frias chegou a negar ter dinheiro de Vorcaro em ‘Dark Horse’

O deputado divulgou na quarta-feira (13) nota em que disse que a cinebiografia não recebeu um “único centavo” de Vorcaro.

Frias também declarou que o filme vem sofrendo “ataques direcionados” desde o anúncio da produção.

“Há uma tentativa permanente de descredibilizar a obra perante a opinião pública, investidores e parceiros do setor audiovisual, muitas vezes por motivações claramente políticas e ideológicas”, afirmou no posicionamento.

A declaração entrou em choque com as revelações sobre os aportes feitos por Vorcaro e com a própria admissão posterior de Flávio de que o banqueiro financiou o projeto.

Frias divulgou então uma nova nota recuando da afirmação inicial. O deputado passou a afirmar que o Banco Master e Vorcaro não figuravam formalmente como investidores diretos, mas que o relacionamento jurídico do projeto ocorria com a Entre Investimentos.

Fonte: g1

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