20 de May de 2026
Após absolvição de acusado por mortes de PMs, entidades pedem novo júri popular
Foto: Vitória Viana
Força Invicta e APPMBA acompanham famílias após absolvição de acusado por mortes de PMs; viúva diz que não sabia da data do julgamento.
Após absolvição de acusado por mortes de PMs, entidades pedem novo júri popular
Foto: Vitória Viana

A decisão do Tribunal do Júri que absolveu Rodrigo da Silva Matos, acusado pelas mortes do tenente Luciano Libarino Neves e do soldado Robson Brito de Matos, assassinados em julho de 2021, em Vitória da Conquista, continua repercutindo entre familiares, representantes da segurança pública e integrantes da Polícia Militar da Bahia.

Após absolvição de acusado por mortes de PMs, entidades pedem novo júri popular
Foto: Vitória Viana

Na última terça-feira (19), representantes da Força Invicta e da APPMBA participaram de uma reunião no Comando de Policiamento da Região Sudoeste (CPRSO), com a presença do comandante coronel Paulo Henrique e familiares das vítimas, para discutir os desdobramentos do julgamento e os próximos encaminhamentos jurídicos relacionados ao caso.

Após o encontro, integrantes das entidades estiveram no Fórum Criminal de Vitória da Conquista acompanhando os procedimentos ligados ao processo.

Após absolvição de acusado por mortes de PMs, entidades pedem novo júri popular
Foto: Vitória Viana

Segundo o presidente da Força Invicta, Major Igor Rocha, a associação já iniciou, junto à assessoria jurídica criminal, os trâmites necessários para buscar a anulação do júri popular.

“Não estamos falando apenas de um processo judicial. Estamos falando de dois policiais militares mortos em serviço, de famílias devastadas e de uma categoria que acompanha esse caso com profunda indignação. Nosso compromisso é acompanhar cada etapa dentro da legalidade e garantir o suporte necessário às famílias”, afirmou.

Após absolvição de acusado por mortes de PMs, entidades pedem novo júri popular
Foto: Vitória Viana

O advogado criminalista Vivaldo Amaral, que atua junto ao jurídico da Força Invicta, afirmou que a entidade passou a acompanhar o caso após ser procurada pelos familiares depois da conclusão do julgamento.

“Após a leitura dos autos, entendemos tecnicamente que a decisão do júri foi manifestamente contrária às provas do processo. Os autos demonstram, com clareza, que os militares foram executados. Acreditamos que o Ministério Público possa reverter essa decisão e obter a anulação do julgamento para que um novo júri popular seja realizado”, declarou.

Segundo o advogado, a Força Invicta não acompanhava anteriormente a tramitação do processo porque os policiais mortos não integravam o quadro associativo da entidade e, por isso, as informações não chegaram previamente à associação.

“A família procurou a Força Invicta após o resultado do júri e, a partir de agora, o jurídico criminal da entidade passa a atuar de forma alinhada ao Ministério Público na busca das medidas cabíveis”, completou.

Durante a reunião realizada em Vitória da Conquista, familiares relataram sofrimento e indignação diante do resultado do julgamento.

A viúva do tenente Luciano, Sara, afirmou ter ficado “estarrecida” ao descobrir a absolvição e disse que não sabia da realização do júri naquela data, tomando conhecimento do julgamento apenas posteriormente.

Já o pai do soldado Robson Brito, senhor Gildemar, que acompanhou o júri presencialmente, afirmou ter percebido uma mudança no rumo do julgamento ao longo da sessão, situação que aumentou a angústia da família diante do resultado final.

Em um dos momentos mais emocionados do encontro, ele relatou que chegou a questionar “se Deus existe”, ao falar sobre a dor enfrentada pela família após a absolvição do acusado.

Para as entidades que acompanham o caso, a mobilização agora busca garantir que os próximos passos jurídicos sejam conduzidos dentro da legalidade, ao mesmo tempo em que as famílias seguem recebendo apoio institucional e acompanhamento diante da repercussão causada pelo julgamento.

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