23 de May de 2026
Álbum da Copa volta a virar febre e transforma Feira de Santana em ponto de encontro de gerações às vésperas do Mundial
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

Faltando poucos dias para o início da Copa do Mundo, marcada para o próximo dia 11 de junho, o clima já é de ansiedade e também de muita nostalgia. Em Feira de Santana, neste sábado (23), a febre dos álbuns de figurinhas voltou com força total e transformou as bancas de revista em verdadeiros pontos de encontro onde criança, pai, mãe e até avô se misturam na mesma missão: completar o álbum.

Na tradicional banca no canteiro central da Avenida Getúlio Vargas, o movimento começou cedo e não deu trégua ao longo do dia. À frente do ponto Brinco de Ouro há 27 anos, o proprietário Tássio Porto já conhece bem esse ritual que se repete e cresce a cada Copa.

Álbum da Copa volta a virar febre e transforma Feira de Santana em ponto de encontro de gerações às vésperas do Mundial
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

O que antes parecia coisa só de criança hoje virou programa da família inteira. Segundo ele, a movimentação vai do mais novo ao mais velho, todos no mesmo ritmo de abrir pacote para encontrar aquele jogador que falta.

“Está muito bom, dentro da nossa expectativa. A cada ano as trocas de figurinhas atraem um público maior e toda Copa sempre é maior que a outra. Todas as idades, toda a faixa etária. Desde a criança, pais que compram até antes da criança nascer, dedicando a criança, e os avós que lembram a infância.”

Álbum da Copa volta a virar febre e transforma Feira de Santana em ponto de encontro de gerações às vésperas do Mundial
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

Febre entre as gerações

Entre os mais empolgados está o pequeno Samuel, de 10 anos, que vive a experiência do álbum como uma missão. Ele contou ao Acorda Cidade que a principal expectativa está nas figurinhas mais raras, as chamadas “Legends” ou “Lendárias”, que viraram o grande desejo da coleção.

Eu quero conseguir o máximo possível de figurinhas Legend. Ela é muito rara e difícil de conseguir. Não é para colar no álbum, é para colecionar. É muito valiosa. O Neymar não veio. Estou indignado porque o Neymar não está no álbum. Ele tem que estar no álbum. Na Copa passada, por exemplo, o Neymar estava. E aí, estou esperando lançar o kit de atualização, que vai vir com as figurinhas do Neymar e os jogadores que não foram convocados. Aí eu vou pegar a figurinha do Neymar e eu vou colocar na parte que fica sem nada. Que tem uma parte aqui que não tem nenhuma figurinha pra colocar.”

Álbum da Copa volta a virar febre e transforma Feira de Santana em ponto de encontro de gerações às vésperas do Mundial
Samuel | Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

Perguntado sobre o jogador favorito que está no álbum, ele não perdeu tempo e respondeu: “O Neymar, quando ele vir, né?”.

Quem acompanha de perto toda essa empolgação é a mãe, Mila Lima Souza, que viu o interesse do filho nascer na escola e se transformar em tradição dentro de casa. Segundo ela, o hábito começou na Copa de 2022 com os colegas e acabou virando parte da rotina familiar.

“Os colegas começaram a colecionar as figurinhas e isso levou ele a querer também. Aí pronto, foi despertando esse gosto e já é a segunda Copa que a gente vem nessa compra de álbum e figurinhas. O gasto é grande. Para você fechar o álbum, eu acho que você tem que investir uma média de mil reais.”

Álbum da Copa volta a virar febre e transforma Feira de Santana em ponto de encontro de gerações às vésperas do Mundial
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

Mais troca, menos tela

Mesmo com o custo, ela diz que prefere dosar a compra dos pacotes para estimular a convivência e as trocas entre as crianças, que acabam sendo o ponto mais importante da brincadeira.

“A gente está dando continuidade nessa colagem. Ela está nessa média de 50% do álbum. Mas assim, eu não compro uma quantidade grande pra ele ficar nessa expectativa também de colar e trocar porque senão fica só naquela, querendo comprar mais e não faz essa interação que é o mais importante, de estar trocando com os colegas.”

É a febre do momento, acaba contagiando as crianças, porque como estivesse na moda deles. As crianças ficam muito tempo na tela, sem interação, eles vêm para a praça aqui da Getúlio, trocam figurinhas, trocam na escola na hora do intervalo, conversam com os colegas, conversam às vezes com pessoas, os coleguinhas que eles nem conversavam antes e nesse momento passam a interagir mais, a perguntar”, afirmou a mãe ao Acorda Cidade.

Álbum da Copa volta a virar febre e transforma Feira de Santana em ponto de encontro de gerações às vésperas do Mundial
Mila Lima Souza | Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

Entre os momentos mais aguardados, estão as figurinhas raras, que costumam virar festa na hora em que aparecem nos pacotinhos.

“A lendária, que eles gritam muito, aqui é uma festa na hora que aparece uma figurinha dessa e as brilhantes, que são as de escudo de seleção ou então das copas, que são as mais raras”, disse a mãe ao Acorda Cidade.

Figurinha repetida não completa álbum

Todo brasileiro que já teve um álbum na infância vai se lembrar bem: completar o álbum era uma verdadeira missão e a troca de figurinhas era parte essencial de cumprir a brincadeira. Era na escola, no recreio, na rua, na calçada depois da aula; com os amigos de sempre, a troca quase nunca falhava. Mas também tinha aquela figurinha teimosa, que parecia fugir de todo mundo e dava um trabalho danado pra aparecer. Agora, essas figurinhas são chamadas de “Legends”, aquelas que viram objeto de desejo entre os colecionadores.

Álbum da Copa volta a virar febre e transforma Feira de Santana em ponto de encontro de gerações às vésperas do Mundial
Tássio Porto | Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

“Quando você comprar a figurinha sozinho, você fica com muita repetida, mas essa figurinha não completa álbum. Com um colega incentiva mais a gente a fazer o álbum. Hoje tem um que eles chamam de Legends, que são figurinhas de jogadores mais famosos, nas cores prata, dourado e o bronze”, explicou Tássio ao Acorda Cidade já em clima de Copa, vestido com a amarelinha do Brasil.

O movimento na banca tem dias e horários bem definidos de pico. Os sábados e domingos são os mais fortes, quando as trocas aumentam e a banca fica cheia.

O álbum da Copa segue com diferentes versões, desde a edição mais simples até as versões especiais, como de capa dura. Os pacotes de figurinhas custam R$ 7 e vêm com sete cromos, valor que permanece tabelado independentemente do período da Copa. Já os álbuns variam de preço conforme o modelo escolhido.

“Essa Copa eu não tive tempo de fazer divulgação de mídia e mesmo assim a troca de figurinha já bombou a partir do primeiro dia. De 9h às 17h, a banca fica lotada com essas trocas de figurinha”, disse o proprietário da Brinco de Ouro.

Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade

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