
Faltando poucos dias para o início da Copa do Mundo, marcada para o próximo dia 11 de junho, o clima já é de ansiedade e também de muita nostalgia. Em Feira de Santana, neste sábado (23), a febre dos álbuns de figurinhas voltou com força total e transformou as bancas de revista em verdadeiros pontos de encontro onde criança, pai, mãe e até avô se misturam na mesma missão: completar o álbum.
Na tradicional banca no canteiro central da Avenida Getúlio Vargas, o movimento começou cedo e não deu trégua ao longo do dia. À frente do ponto Brinco de Ouro há 27 anos, o proprietário Tássio Porto já conhece bem esse ritual que se repete e cresce a cada Copa.

O que antes parecia coisa só de criança hoje virou programa da família inteira. Segundo ele, a movimentação vai do mais novo ao mais velho, todos no mesmo ritmo de abrir pacote para encontrar aquele jogador que falta.
“Está muito bom, dentro da nossa expectativa. A cada ano as trocas de figurinhas atraem um público maior e toda Copa sempre é maior que a outra. Todas as idades, toda a faixa etária. Desde a criança, pais que compram até antes da criança nascer, dedicando a criança, e os avós que lembram a infância.”

Febre entre as gerações
Entre os mais empolgados está o pequeno Samuel, de 10 anos, que vive a experiência do álbum como uma missão. Ele contou ao Acorda Cidade que a principal expectativa está nas figurinhas mais raras, as chamadas “Legends” ou “Lendárias”, que viraram o grande desejo da coleção.
Eu quero conseguir o máximo possível de figurinhas Legend. Ela é muito rara e difícil de conseguir. Não é para colar no álbum, é para colecionar. É muito valiosa. O Neymar não veio. Estou indignado porque o Neymar não está no álbum. Ele tem que estar no álbum. Na Copa passada, por exemplo, o Neymar estava. E aí, estou esperando lançar o kit de atualização, que vai vir com as figurinhas do Neymar e os jogadores que não foram convocados. Aí eu vou pegar a figurinha do Neymar e eu vou colocar na parte que fica sem nada. Que tem uma parte aqui que não tem nenhuma figurinha pra colocar.”

Perguntado sobre o jogador favorito que está no álbum, ele não perdeu tempo e respondeu: “O Neymar, quando ele vir, né?”.
Quem acompanha de perto toda essa empolgação é a mãe, Mila Lima Souza, que viu o interesse do filho nascer na escola e se transformar em tradição dentro de casa. Segundo ela, o hábito começou na Copa de 2022 com os colegas e acabou virando parte da rotina familiar.
“Os colegas começaram a colecionar as figurinhas e isso levou ele a querer também. Aí pronto, foi despertando esse gosto e já é a segunda Copa que a gente vem nessa compra de álbum e figurinhas. O gasto é grande. Para você fechar o álbum, eu acho que você tem que investir uma média de mil reais.”

Mais troca, menos tela
Mesmo com o custo, ela diz que prefere dosar a compra dos pacotes para estimular a convivência e as trocas entre as crianças, que acabam sendo o ponto mais importante da brincadeira.
“A gente está dando continuidade nessa colagem. Ela está nessa média de 50% do álbum. Mas assim, eu não compro uma quantidade grande pra ele ficar nessa expectativa também de colar e trocar porque senão fica só naquela, querendo comprar mais e não faz essa interação que é o mais importante, de estar trocando com os colegas.”
É a febre do momento, acaba contagiando as crianças, porque como estivesse na moda deles. As crianças ficam muito tempo na tela, sem interação, eles vêm para a praça aqui da Getúlio, trocam figurinhas, trocam na escola na hora do intervalo, conversam com os colegas, conversam às vezes com pessoas, os coleguinhas que eles nem conversavam antes e nesse momento passam a interagir mais, a perguntar”, afirmou a mãe ao Acorda Cidade.

Entre os momentos mais aguardados, estão as figurinhas raras, que costumam virar festa na hora em que aparecem nos pacotinhos.
“A lendária, que eles gritam muito, aqui é uma festa na hora que aparece uma figurinha dessa e as brilhantes, que são as de escudo de seleção ou então das copas, que são as mais raras”, disse a mãe ao Acorda Cidade.
Figurinha repetida não completa álbum
Todo brasileiro que já teve um álbum na infância vai se lembrar bem: completar o álbum era uma verdadeira missão e a troca de figurinhas era parte essencial de cumprir a brincadeira. Era na escola, no recreio, na rua, na calçada depois da aula; com os amigos de sempre, a troca quase nunca falhava. Mas também tinha aquela figurinha teimosa, que parecia fugir de todo mundo e dava um trabalho danado pra aparecer. Agora, essas figurinhas são chamadas de “Legends”, aquelas que viram objeto de desejo entre os colecionadores.

“Quando você comprar a figurinha sozinho, você fica com muita repetida, mas essa figurinha não completa álbum. Com um colega incentiva mais a gente a fazer o álbum. Hoje tem um que eles chamam de Legends, que são figurinhas de jogadores mais famosos, nas cores prata, dourado e o bronze”, explicou Tássio ao Acorda Cidade já em clima de Copa, vestido com a amarelinha do Brasil.
O movimento na banca tem dias e horários bem definidos de pico. Os sábados e domingos são os mais fortes, quando as trocas aumentam e a banca fica cheia.



O álbum da Copa segue com diferentes versões, desde a edição mais simples até as versões especiais, como de capa dura. Os pacotes de figurinhas custam R$ 7 e vêm com sete cromos, valor que permanece tabelado independentemente do período da Copa. Já os álbuns variam de preço conforme o modelo escolhido.
“Essa Copa eu não tive tempo de fazer divulgação de mídia e mesmo assim a troca de figurinha já bombou a partir do primeiro dia. De 9h às 17h, a banca fica lotada com essas trocas de figurinha”, disse o proprietário da Brinco de Ouro.
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade
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