26 de May de 2026
cachorro caramelo- cachorro de rua
Foto: Beatriz Rosado/ Acorda Cidade

Enquanto as festas juninas se aproximam, donos de pets, veterinários e protetores de animais começam a conviver com a preocupação do barulho dos fogos de artifício, causando impactos em cães e gatos. O período, tradicionalmente associado a comemorações populares, costuma provocar uma onda silenciosa de sofrimento animal marcada por medo extremo, crises de ansiedade e aumento no número de fugas.

O médico veterinário Carlos Henrique Alves explica que o problema está diretamente ligado à capacidade auditiva dos animais, muito mais sensível do que a humana. “Os cães e gatos percebem os estampidos de maneira muito mais intensa. O organismo entra em estado de alerta e muitos animais passam a apresentar tremores, taquicardia, falta de apetite e comportamento desesperado. Alguns tentam fugir a qualquer custo e acabam se ferindo gravemente”, afirma.

Segundo o veterinário, o aumento dos atendimentos relacionados ao estresse provocado pelos fogos já virou rotina em períodos festivos. “Há animais que quebram grades, atravessam portas de vidro ou pulam de locais altos tentando escapar do barulho. Em situações mais severas, vemos crises convulsivas e até mortes por parada cardiorrespiratória em animais mais debilitados”, relata.

Os números reforçam o alerta. Uma pesquisa realizada em 2023 pela empresa Petlove em parceria com o Instituto Pet Brasil apontou que 84% dos tutores afirmam que seus animais apresentam medo ou alterações comportamentais durante queimas de fogos. O levantamento também revelou que dois em cada três entrevistados relataram episódios de fuga associados aos estampidos. Outro estudo realizado por entidades de proteção animal, divulgado em campanhas de conscientização do setor veterinário, mostra que o barulho excessivo pode desencadear sintomas físicos e emocionais em larga escala. Entre os efeitos observados estão ansiedade intensa, desorientação, comportamento agressivo e lesões provocadas durante tentativas de fuga.

Além do impacto veterinário, a discussão também envolve responsabilidade legal. O advogado Ramon Camurugy destaca que o debate sobre fogos com estampido passou a ganhar relevância jurídica dentro da pauta de proteção animal. “A legislação brasileira avançou bastante nos últimos anos no combate aos maus-tratos. Hoje existe uma compreensão maior de que submeter animais a sofrimento intenso e previsível também exige reflexão da sociedade. O debate sobre os fogos não envolve apenas tradição cultural, mas responsabilidade coletiva e respeito à vida animal”, afirma.

Ramon Camurugy lembra ainda que a Lei Federal 9.605/98 prevê punições para crimes de maus-tratos contra animais, com penas ampliadas nos casos envolvendo cães e gatos após a alteração promovida pela Lei 14.064 de 2020.

Diante da proximidade das festas juninas, veterinários orientam que os tutores adotem medidas preventivas para reduzir o impacto dos fogos. Entre as recomendações estão manter os animais dentro de casa, fechar portas e janelas, criar ambientes protegidos e evitar que cães e gatos permaneçam sozinhos durante os horários de maior barulho. A orientação também inclui reforçar a identificação nas coleiras, já que o período junino costuma registrar aumento no desaparecimento de animais após fugas motivadas pelo medo.

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