
Na segunda-feira (25), a proposta que acaba com a escala 6×1 avançou após um acordo fechado entre o Governo Federal e a Câmara de Deputados. O texto prevê redução da jornada semanal de trabalho de 44 horas para 40 horas, sem corte salarial, em um período de transição que deve durar um ano. A definição ocorreu após uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta.
Ao Acorda Cidade, o presidente do Sindicato do Comércio de Feira de Santana (Sicomércio), Marco Silva, disse que a redução da jornada de trabalho é algo normal da “evolução do ser humano”. No entanto, explicou que essa discussão tem acontecido em um momento eleitoreiro, ou seja, sem uma discussão profunda.
Não foi apresentada uma discussão profunda por parte de quem propôs, como inclusão dos jovens no mercado de trabalho, modelo de contratos mais flexíveis. Por exemplo, a medida que o MEI poderia ter um empregado de carteira assinada, vai poder ter dois. Exatamente para suprir essa necessidade maior. Mas eu pergunto, e esse custo da folha de pagamento dele, que vai dobrar, ele vai ter alguma redução de encargos trabalhistas? Não. Então, a gente sabe que não existe almoço grátis. O setor empresarial já está preparado para isso, desde quando surgiu. Um projeto de lei que já estava no Congresso há anos e anos, de uma hora para outra, pegou uma via rápida. E a gente sabe que em ano de eleição, político fica com o coração mais sensível”.

Segundo Marco Silva, o fim da escala 6×1 deve ser aprovado, mas terá reflexos na economia, como aumento da inflação e repasse para os preços. Outro problema apontado pelo presidente do Sicomércio é a concorrência com o comércio on-line e internacional, chamado de e-commerce, que recentemente passou por um processo de redução no valor dos impostos.
Nós temos uma série de coisas que precisam ser ajustadas no Brasil, como a concorrência desleal com o comércio que vem de fora, via internet. A gente é contra o imposto. Para não dizer, ‘isso é contraditório. Vocês são contra o aumento de imposto. Na hora que diminui, vocês reclamam.’ Mas a gente queria igualdade também para quem está aqui no Brasil. Então, em suma, é isso, dizer que faz parte e o mundo não vai acabar. O Brasil não vai acabar por causa disso. A gente vai se adaptar, sim. Pode ter certeza. O brasileiro é muito criativo. Agora é claro que vai deixar alguns reflexos. E esse reflexo vai ser, efetivamente, aumento de preços e uma redução de salários a longo prazo. Porque ninguém vai poder reduzir agora”.
Marco Silva também destacou que as empresas deverão fazer contas antes de começar a fazer reajustes no futuro, para saber se é algo viável economicamente. De acordo com ele, atualmente, o Brasil está com um número recorde de recuperações judiciais, processo que permite que empresas em crises financeiras possam renegociar dívidas sob supervisão da Justiça.
“É claro que as empresas vão precisar fazer conta porque ou faz conta ou fecha. Então, com certeza, além de colocar isso no preço, vai ter também, no futuro, mais dificuldades de recuperar o salário. E a gente sabe que o salário não é alto principalmente por causa dos encargos. Você paga um para o trabalhador e dois para o governo. Então, a gente precisa mudar esse jogo para que o emprego seja uma coisa atrativa”.
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