28 de May de 2026
Fábrica desarticulada pela Polícia Federal produzia 200 mil cigarros por minuto, diz delegado
Foto: Divulgação/Polícia Federal

A Operação Nébula, deflagrada na manhã desta quinta-feira (28), revelou a produção e o armazenamento de cigarros contrabandeados em três cidades da Bahia. Segundo o delegado Fábio Lordelo, disse em entrevista ao Acorda Cidade, a máquina operava produzindo até 200 mil cigarros por minuto.

A polícia ainda não sabe há quanto tempo o grupo atuava, o que impede a quantificação exata da produção na região. Em Feira de Santana, a polícia localizou um galpão no CIS com 200 caixas de cigarros de marca paraguaia.

Fábrica desarticulada pela Polícia Federal produzia 200 mil cigarros por minuto, diz delegado
Foto: Divulgação/Polícia Federal

A operação teve como objetivo desarticular uma organização criminosa voltada à produção clandestina, distribuição de cigarros ilegais e lavagem de dinheiro. Segundo o delegado, a apuração teve início após apreensões realizadas em novembro de 2024, quando foram encontrados cigarros de origem ilícita, insumos e maquinário industrial utilizados na fabricação clandestina em galpões localizados nas cidades de Feira de Santana, São Gonçalo dos Campos e Cruz das Almas.

A investigação identificou que, para manter a operação no estado da Bahia, o grupo criminoso movimentou cerca de R$ 30 bilhões. Os cigarros eram fabricados em São Gonçalo dos Campos e Cruz das Almas, enquanto o material produzido era armazenado no galpão localizado em Feira de Santana.

Fábrica desarticulada pela Polícia Federal produzia 200 mil cigarros por minuto, diz delegado
Fábio Lordelo | Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

“Essa movimentação passava por contas de empresas de fachadas e fragmentadas para dificultar o rastreamento dos órgãos de fiscalização. E, na região, os pagamentos eram todos feitos em espécie também para dificultar o rastreamento pela polícia. Além do mais, os investigados na região utilizavam apelidos, não utilizavam nomes verdadeiros e sempre com celulares de numeração paraguaia”, informou o delegado ao Acorda Cidade.

A gente descobriu que se tratava de uma organização criminosa especializada na fabricação desse cigarro de marca paraguaia e na lavagem de dinheiro com os recursos obtidos desse negócio ilegal.”

Segundo Lordelo, o esquema funcionava em diversas cidades do Brasil, entre elas nos estados do Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Esses locais foram alvos da operação nesta quinta-feira (28). Dos seis mandados de prisão expedidos, havia ainda um sétimo alvo, mas ele já faleceu. No total, a polícia conseguiu cumprir apenas três mandados de prisão nesta quinta até o momento.

Fábrica desarticulada pela Polícia Federal produzia 200 mil cigarros por minuto, diz delegado
Foto: Divulgação/Polícia Federal

Qual era o papel de Feira de Santana na organização?

Lordelo reforçou que em Feira de Santana, o espaço era utilizado apenas para armazenar os produtos. “Em Feira de Santana foi o local onde ocorreu o crime. Os integrantes desse grupo criminoso não são da cidade. Eles, na época de 2024, vieram para cá, locaram casas em condomínios da cidade para explorar esse tipo de atividade legal, mas após a descoberta pela polícia, retornaram para os seus estados. Em Feira de Santana não foram cumpridos mandados.”

Como era o processo de falsificação de cigarros?

Conforme as investigações, o grupo criminoso trazia trabalhadores da região do Paraguai. A Polícia Militar informou que, quando chegou ao galpão onde a carga foi apreendida, percebeu a fuga de pessoas com características paraguaias. Eles não foram capturados.

A polícia também informou que todo o maquinário utilizado pelo grupo era importado. “Produzido fora do país, e eles utilizavam insumos que eram encaminhados por via aérea para a cidade de Feira de Santana para a fabricação desse material ilegal.”

Na apreensão das 200 caixas, a polícia encontrou insumos próprios para a fabricação de cigarros, como filtros, papel específico e outros componentes utilizados na produção ilegal. Todo o material apreendido permanece nas unidades da Polícia Federal das circunscrições onde os mandados foram cumpridos e será encaminhado para Feira de Santana para análise.

Além do bloqueio de R$ 10 milhões, a PF apreendeu nesta quinta-feira diversos celulares, veículos de luxo, entre eles jet skis, quadriciclos e outras embarcações. De acordo com a PF, os materiais apreendidos vão ajudar a descapitalizar o grupo e avançar nas investigações.

“Foi uma operação relevante não só para a região, mas para todo o país. São investigados que já tinham histórico nessa atividade. outras operações da PF anteriormente já foram objeto de investigação desses mesmos alvos e a gente já sabe hoje, que eles migraram para outras atividades criminosas também, não só com o cigarro contrabandeado. Para os outros estados principalmente onde eles residem a importância é muito significativa da desarticulação desse grupo criminoso.”

Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade

Leia também: Operação Nébula combate esquema interestadual de cigarros ilegais e lavagem de dinheiro

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