
Nesta quinta-feira (28), aconteceu a abertura oficial do I Festival Estadual e Feira da Agricultura Familiar (Fefaf) e do VII Congresso da Agricultura Familiar do Estado da Bahia. O evento começou na quarta-feira (27) e termina nesta sexta (29), no Centro de Convenções de Feira de Santana, reunindo agricultores familiares, cooperativas, movimentos sociais, instituições e representantes do setor produtivo de diversas regiões da Bahia.
O governador, Jerônimo Rodrigues e o senador Jaques Wagner estiveram presentes na abertura e destacaram a importância desse evento e principalmente da agricultura familiar para o estado da Bahia.
De acordo com o governador, esse congresso da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar no estado da Bahia (Fetraf), que representa 60 municípios, busca debater e construir proposições. Assim como falou sobre a criação de um convênio com a Fetraf.

“60 municípios aqui representados em Feira de Santana, no Centro de Convenções. Eles estão aqui desde quarta-feira, então quarta, quinta e sexta, debatendo, construindo proposições. Aproveitamos aqui a oportunidade para dois atos. Um é um convênio com a Fetraf para poder fortalecer a capacitação e a formação dos dirigentes do movimento Fetrafiano”.
Já o senador disse que 600 mil famílias na Bahia vivem da agricultura familiar, e com isso salientou que desde 2007, o governo começou a melhorar o nível de produção e qualidade do plantio e do criatório dessas famílias.
“Não dá mais para nos dias de hoje você plantar de enxada e de ancinho. Hoje em dia, a mesma agricultura familiar tem que ter suas máquinas adequadas ao tamanho da propriedade, sua semente de qualidade, seu orgânico de qualidade, um fertilizante que não faça mal à saúde, que não estrague o solo. Ou seja, a tecnologia tem que chegar para todo mundo, não só para os graúdos. A comercialização dos produtos também. Por que a gente não pode produzir chocolate? Café processado? Por que não pode pegar umbu e fazer uma geleia? Porque senão a gente se arrisca, a atividade da agricultura sempre é uma atividade de risco, por uma seca, enchente, uma praga qualquer, e os outros que não correm esse risco”.

Eu não nego, tenho muito orgulho dessa caminhada, que desde 2007 eu disse ‘nós temos que criar uma linha de ajudar a agricultura familiar a melhorar o seu padrão de produção e verticalizar’. Hoje está cheio de cooperativa que faz chocolate, floco de milho para cuscuz de milho, queijo, iogurte, uma série de coisas, faz geleia de umbu. E eu acho que a gente está dando dignidade às famílias que querem produzir. Então, para mim, é uma alegria ver um congresso desse’.
A secretária de Desenvolvimento Rural, Elisabete Costa, também participou da abertura do evento e chamou atenção para a presença de sindicatos, trabalhadores rurais, movimentos sociais e associações rurais. Além disso, afirmou que esse congresso busca promover formação e capacitação em diversas áreas e para vários grupos, como mulheres.

Seja com a temática de juventude, crédito, regularização fundiária, produção, comercialização, agroindústria, é uma diversidade de temáticas que está sendo discutida. Apoiando também essa Feira da Agricultura Familiar dentro do congresso, onde tem a exposição de diversos territórios da Bahia, trazendo seus produtos que são produzidos e comercializados nos municípios da Bahia. E claro, uma feira dessa serve para dar visibilidade e promover a comercialização dos produtos da agricultura familiar. Além de fazer negócio, uma feira dessa não serve somente para vender aqui no atacado, no varejo, mas também vende no atacado para futuras entregas de produtos da agricultura familiar”.


Expositores presentes no evento
Dentre os expositores estavam Berenice Muniz, de Ubaíra, e Ofélia Santos, de Wenceslau Guimarães. Para a feira, Berenice expôs artesanato e cocadas. Já Ofélia vende um tempero chamado “Sabor da Alma”.
Berenice, que trabalha com os produtos originados do próprio sítio onde vive com a família, explicou que utiliza as frutas plantadas no sítio para produzir as cocadas, que além do coco, também tem outros sabores como maracujá, banana, cacau, gengibre, entre outros.

Eu moro num sítio onde trabalha eu, meu marido, meus filhos, e a gente trabalha com produtos do próprio sítio. As frutas que vêm do sítio, a gente transforma em subproduto. Trabalhamos também com cacau e com a fibra da bananeira. As frutas, a gente faz cocadas, geleias. A gente trabalha com o mel também que a gente tem. E aí a gente faz esse trabalho em conjunto. Eu vendo nas regiões, nas cidades vizinhas, nas feiras que a gente vai, da agricultura familiar, da agricultura solidária. A gente está sempre vendendo nessas feirinhas e em todos os lugares que somos convidados, a gente vai e levamos nossos produtos”.
Ofélia, ao ser questionada sobre as vendas, contou que começou a produzir o tempero em 2016, quando passou por um problema de saúde. Atualmente, o “Sabor da Alma” é conhecido em Wenceslau Guimarães e na região, como Gandu e Teolândia.

Temos orégano, açafrão, pimenta do reino, cominho, semente do coentro, tem de tudo. É um tempero completo, prático e maravilhoso, sem conservante nenhum. Um tempero que qualquer pessoa pode usar e pode usar em todos os seus alimentos. É um tempero que tem uma história de superação. Eu me superei a cada dia através do tempero ‘Sabor da Alma’. Eu passei um tempo da minha vida enferma, mas através desse tempero a cada dia eu fui me superando”.
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