
O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) que vai classificar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Para o promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (MP-SP) Lincoln Gakiya, a decisão é “muito grave” e “vai causar problemas” ao Brasil.
“Eu não tenho dúvida, vai causar problemas de toda ordem no Brasil e não vejo nenhum benefício prático que essa classificação possa trazer. Acho que há o risco muito grande dos Estados Unidos quererem fazer algum tipo de ação militar secreta aqui dentro do Brasil, como fez no México e como fez também na Venezuela”, afirmou Gakiya em entrevista ao podcast O Assunto, apresentado por Natuza Nery.
O promotor de Justiça, que trabalha no enfrentamento às facções criminosas desde 2005, explica que a partir da nova classificação de PCC e CV como organizações terroristas, as investigações e operações americanas saem da esfera policial – hoje sob a tutela do FBI e do DEA (agência federal de combate ao narcotráfico). Agora, ficarão a cargo da CIA e das forças militares americanas.
“Quando passa a ser classificado e tratado pela CIA e pelos militares, há o sigilo dessas informações, que passam a ser classificadas como secretos e ultrassecretos ou confidenciais. Então, provavelmente nós vamos ter um decréscimo, um prejuízo na troca de informações“, afirma.
Gakiya também aponta que o sistema financeiro do Brasil fica sob suspeita. Isso porque a Operação Carbono Oculto revelou o esquema criminoso do PCC que usa postos de combustíveis e contas em fintechs para lavagem de dinheiro – fintechs que têm relações com outros fundos de investimento e bancos regulares.
“Se a gente for levar ao pé da letra essa classificação de terrorismo, você poderia sancionar bancos que não tiveram diretamente nenhum contato com nenhum integrante do PCC ou mesmo nem participaram desse esquema, mas que indiretamente receberam recursos nessa cadeia que começou lá atrás“.
Fonte: g1
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