

O senador pela Bahia, Jaques Wagner (PT), ironizou a visita do também senador Flávio Bolsonaro (PL) ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro ocorreu na última terça-feira (26), no Salão Oval da Casa Branca.
Cumprindo agenda em Feira de Santana, o parlamentar, que já comandou o Palácio de Ondina por oito anos, comparou a visita de Flávio, que é pré-candidato à Presidência da República, com a feita pela atual chefe do Executivo federal.

“Na época do presidente anterior, o Brasil sumiu do mapa. Não aparecia em nenhuma grande negociação. O presidente Lula é peça obrigatória em qualquer negociação, em qualquer reunião importante entre os países do mundo. Enquanto o outro foi para lá sem saber se ia ser recebido ou não. Olha a diferença”, disse Wagner.

“Um foi convidado, o outro se empurrou lá para ver se conseguia alguma coisa. Depois o presidente Lula saiu de lá elogiado e Flávio saiu com uma foto, o cara sentado e ele parecendo segurança em pé. Não vi um elogio do presidente americano a ele, e Trump ainda elogiou o Lula na conversa”, completou o senador.

Foto: Reprodução / Redes Sociais
A última visita feita pelo presidente Lula ao presidente Donald Trump ocorreu no início deste mês, no dia 7 de maio. O encontro pessoal, classificado na agenda presidencial como reunião de trabalho, foi realizado na Casa Branca.
“Vaza Flávio”
Pelas redes sociais, o filho 01 do ex-presidente Bolsonaro anunciou ter solicitado ao governo norte-americano a classificação das duas principais facções criminosas que atuam no Brasil como organizações terroristas.
A viagem de Flávio também foi interpretada por opositores como um movimento da pré-campanha presidencial para demonstrar alinhamento com Trump, além de uma tentativa de atenuar o desgaste gerado pelo recente escândalo do caso “Dark Horse”.
No dia 13 deste mês, o site The Intercept Brasil revelou, por meio da publicação de áudios e mensagens exclusivas, que Flávio Bolsonaro cobrou R$ 134 milhões (cerca de 24 milhões de dólares) de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O dinheiro seria para arcar com os custos do filme “Dark Horse”, uma biografia cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Documentos analisados apontam que pelo menos R$ 61 milhões chegaram a ser efetivamente repassados pelo banqueiro antes de ele ser preso.
Nas gravações, o senador pressionava o empresário pelo pagamento de parcelas que estariam atrasadas. Flávio expressava forte preocupação de que um calote, ou seja, o não pagamento, pudesse paralisar a produção do filme.

No mesmo dia da divulgação, quando foi questionado por um jornalista sobre o assunto, o parlamentar negou o fato e disse que o que o profissional estava firmando era mentira. Horas depois, após perceber que o conteúdo tinha se tornado público, Flávio Bolsonaro mudou de versão.
Virando pó
Ainda no solo da Princesa do Sertão, Wagner aproveitou a oportunidade para criticar a relação entre o colega de casa e o banqueiro Daniel Vorcaro, que continua preso em uma sede da Polícia Federal (PF). Ao estabelecer um paralelo entre a visita a Trump e a relação com o banqueiro, o ex-governador da Bahia chamou Flávio de mentiroso.

“Ele primeiro mentiu, disse que não conhecia o dono do Master”, declarou Wagner ao Acorda Cidade.
Com informações do repórter Nay Silva, do Acorda Cidade
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