30 de May de 2026
Ouvitrampa
Ouvitrampa | Foto: Reprodução / Redes Sociais

Os agentes de combate às endemias estão intensificando as ações de enfrentamento à dengue em Feira de Santana. E uma das estratégias mais recentes implementadas na guerra contra o mosquito, que também transmite zika e chikungunya, foi a instalação de ovitrampas.

Os novos equipamentos são basicamente recipientes que funcionam como armadilhas de baixo custo e têm alta eficiência para monitorar a presença e a densidade do mosquito Aedes aegypti em um determinado local.

Em entrevista ao Acorda Cidade, Verena Leal, diretora da rede própria do município de Feira de Santana, explicou que a ovitrampa é um recipiente escuro com água e uma palheta de madeira que simulam o ambiente ideal para a fêmea do mosquito depositar os próprios ovos.

Além de permitir que os agentes de saúde coletem os ovos depositados pelas fêmeas do mosquito para serem descartados corretamente depois, a ovitrampa funciona, a grosso modo, como um termômetro de mosquitos no local.

Verena Leal, diretora da rede própria de Feira de Santana
Verena Leal, diretora da rede própria de Feira de Santana | Foto: Ed Santos / Acorda cidade

“Porque com esse depósito, a gente consegue monitorar como é que está a infestação de mosquito naquela região. Então, a gente tem um monitoramento a partir dessa armadilha. Por outro lado, ali também é uma forma de tratar a situação, porque o mosquito que acaba pousando naquele local sai dali com a substância e leva para os locais onde estão outros mosquitos, e o contato com outros mosquitos impede a reprodução”, disse.

A diretora explicou que a nova ferramenta foi adquirida pelo município de forma antecipada, justamente para ser utilizada neste período sazonal, com muita chuva e calor, época considerada favorável para a reprodução dos mosquitos transmissores.

“Sabemos que nós estamos agora em um período propício, porque a dengue tem esse período sazonal no qual a gente se preocupa mais por conta das questões relacionadas ao clima”, disse.

Ilustração do mosquito da dengue
Ilustração do mosquito da dengue | Foto: Reprodução

“Indicadores epidemiológicos mostram que os níveis da doença estão controlados na nossa cidade. Mas isso não nos descansa. Continuamos investindo em novas tecnologias, em novas ferramentas, nos trabalhos dos agentes de combate às endemias, que é um trabalho importante no campo, para que a gente consiga, dia a dia, efetivamente crescer no combate a essas doenças”, completou a diretora.

🎯Cidade mapeada

Verena também disse que a instalação das ovitrampas começou em áreas com maiores incidências de mosquitos, começando pelo bairro do Tomba, e se estenderá para locais como Cidade Nova, Parque Ipê e Papagaio, com base em um diagnóstico epidemiológico de áreas críticas, procedimento que ela chamou de hot spots.

“Temos uma lista de bairros com esse monitoramento da taxa de infestação do mosquito e que devemos sempre seguir monitorando. Mas esse é um procedimento dinâmico e contínuo. Tenho uma lista hoje, mas amanhã isso pode mudar, porque, à medida que o comportamento do mosquito também vai mudando na cidade, a gente vai reavaliando e ressignificando essas tecnologias”, disse.

Feira de Santana
Foto: Secom/PMFS

“A gente une ferramentas para, a partir disso, termos uma análise epidemiológica dos quarteirões que vamos utilizar nas ovitrampas, além dos bairros, dos quarteirões e das ruas que serão eleitas. Então, avaliamos a partir de vários indicadores do trabalho dos nossos agentes e técnicos específicos no combate às arboviroses.”

Trabalho em equipe

A diretora aproveitou a oportunidade para fazer um apelo à população sobre a importância da participação de toda a comunidade na guerra contra o mosquito da dengue. Segundo Leal, a maior dificuldade apontada pela equipe é a necessidade de conscientização do senso de cidadania.

Terreno baldio construtora bairro Papagaio
Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

Segundo a diretora, é fundamental que a população permita a entrada dos agentes de endemias, devidamente identificados, faça a limpeza e manutenção de terrenos baldios de que são proprietários e aceite a instalação das armadilhas em seus estabelecimentos, quando forem solicitadas, visto que o combate ao mosquito exige um esforço conjunto.

“A gente ainda encontra esses desafios. Mas eu sempre digo: se cada um fizer a sua parte, será melhor. Nós estamos aqui investindo todos os esforços em novas tecnologias, em metodologias, com aumento das equipes dos agentes de combate às endemias, mas a população precisa estar sensibilizada e fazendo a parte dela também”, comentou Verena.

Bons resultados

A diretora da rede própria ainda frisou que, apesar de o município de Feira de Santana ter registrado uma redução de mais de 80% nos casos de dengue entre 2024 e 2025, o uso dessa nova tecnologia, incluindo as ovitrampas, visa manter a doença sob controle e evitar um novo aumento de adoecimentos dos feirenses.

“Os métodos que são preconizados pelo Ministério da Saúde continuam sendo utilizados. Temos produtos específicos para o controle do vetor, bem como aquela inspeção que o agente faz nas casas com orientações. Então, toda essa metodologia continua acontecendo”, disse.

agente de endemias - dengue - combate ft ascom SMS2
Foto: Divulgação/SMS

“Mas, para além dessa metodologia, temos agora as ovitrampas. Então, esse equipamento vem somar com as ações que já fazemos no campo há muito tempo. Agora, com ela, queremos alcançar ainda mais e melhores indicadores positivos relacionados ao não adoecimento pelas arboviroses em Feira de Santana”, concluiu a diretora.

Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade.

Siga o Acorda Cidade no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos canais no WhatsApp e YouTube e grupo de Telegram.