30 de May de 2026
Congresso
Foto: Divulgação

A União da Juventude Socialista de Feira de Santana (UJS) realizou neste sábado (30) um congresso para debater diversas pautas sociais consideradas importantes. O evento ocorreu na sede da APLB Sindicato.

Durante o encontro, foram abordados temas como transfeminicídio, tarifa zero para trabalhadores e estudantes, manutenção e melhoria das políticas de cotas e permanência nas universidades públicas e privadas, além do fim da escala 6×1.

Reeleita

O congresso marcou também a recondução de Catarina Paraguaçu ao cargo de presidente da UJS de Feira de Santana. A militante, que é uma mulher trans, destacou para a reportagem do Acorda Cidade a importância do encontro como um marco de resistência para grupos historicamente invisibilizados.

Catarina Paraguaçu, presidente da UJS de Feira de Santana | Foto: Ney Silva / Acorda Cidade

“Esse é um evento para reunir as juventudes da cidade, principalmente a juventude secundarista e o movimento universitário, para que a gente possa debater assuntos urgentes dos quais o movimento estudantil e os jovens precisam participar. Precisamos estar nas ruas, nas trincheiras de luta, para que as nossas futuras gerações possam colher os frutos do que estamos lutando hoje”, disse Catarina.

Foto: Divulgação

“Abordamos o fim da escala 6×1 porque muitos jovens estão tendo que escolher entre trabalhar e estudar, e isso é um retrocesso enorme. Estamos nas ruas lutando pelo fim desse modelo de escala. Tivemos uma grande vitória na Câmara e agora vai para o Senado e queremos que chegue até o presidente Lula, para que os trabalhadores desse país consigam ter dignidade para trabalhar e viver”, completou a presidente.

Não somos invisíveis

A ativista também reforçou a importância de ser uma mulher trans ocupando a presidência da UJS em Feira de Santana. Para ela, a presença em espaços de decisão é estratégica para dar visibilidade às pautas da população LGBTQIAPN+.

Catarina Paraguaçu, presidente da UJS de Feira de Santana | Foto: Divulgação

“Isso é muito importante: travestis, mulheres trans e pessoas trans estarem adentrando os espaços, porque dentro desses espaços a gente pode lutar e falar sobre questões que nos afetam, como, por exemplo, o transfeminicídio. Feira de Santana infelizmente começou o ano com um caso de uma mulher trans sendo assassinada. Então, precisamos estar nesses locais para cobrar que as autoridades levem os casos a sério”, disse Catarina.

🔎 Jullyana Freitas Leite foi morta aos 40 anos em Feira de Santana no dia 8 de janeiro deste ano. A vítima, que era uma mulher trans, foi assassinada com um tiro na nuca na varanda de uma residência no bairro Parque Getúlio Vargas. O suspeito do crime é um homem, apontado como cliente de Jullyana, que teria se recusado a pagar por um programa. (relembre o caso aqui)

Feira de Santana
Jullyana Freitas Leite, mulher trans morta em Feira de Santana | Foto: reprodução

“O Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo. Está na hora de dar visibilidade à causa. A gente não é invisível. Todo mundo sabe que existe a comunidade LGBT e que existem pessoas trans em Feira de Santana, só que a gente quer adentrar nos espaços e ainda sofre resistência. A UJS é a maior juventude organizada da América Latina e, em Feira de Santana, quem está à frente é uma travesti. Então isso é muito simbólico, não só para a nossa entidade, mas para o município”, completou.

Ausência de dados

Questionada sobre a falta de dados oficiais sobre a população trans no município, a presidente apontou dificuldades na obtenção e divulgação dessas informações e cobrou mais atenção do poder público.

“Fica difícil levantarmos quantas pessoas trans existem na cidade. Eu, enquanto conselheira LGBT do estado da Bahia, estou trabalhando junto ao Conselho Estadual LGBT em um plano decenal, que vamos entregar ao governador Jerônimo Rodrigues, sobre as questões que a comunidade LGBT precisa”, disse.

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

“Estou levando também a realidade de Feira de Santana, inclusive cobrando que a Secretaria Municipal de Mulheres nos escute, escute a sociedade civil. Um governo participativo precisa ouvir o povo. Espero que o prefeito da cidade também esteja atento às nossas questões e possa nos escutar”, concluiu Catarina.

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade

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