
As bandeirinhas, as ruas coloridas e a mobilização da vizinhança já foram marcas registradas dos períodos de Copa do Mundo no Brasil. Com o passar dos anos, porém, a tradição foi perdendo força em muitas cidades. No bairro Viveiros, em Feira de Santana, um grupo de jovens decidiu fazer diferente e trouxe de volta o espírito das antigas Copas ao transformar a Rua C, principal via do bairro, num cenário verde e amarelo.
A poucos dias da estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, a rua ganhou pinturas temáticas que chamaram a atenção dos moradores e até de pessoas de outros bairros. O espaço se tornou ponto para fotos, vídeos e encontros da comunidade, despertando um sentimento de nostalgia e união.

A iniciativa surgiu a partir dos próprios moradores. Segundo o presidente da Associação de Moradores do Viveiros, Júnior Andrade, a ideia partiu de jovens artistas que vivem na comunidade.
“O tema surgiu através dos meninos que são grafiteiros que residem aqui na comunidade e teve o apoio dos moradores. Eles entraram em contato com a Associação de Moradores e a gente se uniu para que colocasse essa cultura aqui em prática da Copa do Mundo”, explicou ao Acorda Cidade.

A repercussão surpreendeu até os organizadores. De acordo com Júnior, a mobilização foi abraçada até por quem não reside no bairro. “A repercussão na cidade foi muito grande e a gente abraça essa ideia aqui, a Associação de Moradores e toda a comunidade”, afirmou.
Júnior ainda destaca que a iniciativa, além de decorar a rua, também busca transmitir uma mensagem de união. “É trazer a educação através da cultura, da arte e trazer o que a Copa do Mundo nos oferece, que é unir o povo, unir a comunidade, unir a nossa cidade, o nosso Brasil”, destacou o presidente da associação.
Arte em grande escala
Um dos responsáveis pela pintura, o jovem Marcos Vinicius contou que o trabalho exigiu dedicação e aprendizado. Foram cerca de duas semanas entre planejamento e execução. “Foi uma semana de preparação de como iríamos projetar essa arte e uma semana para concluir até a etapa que concluímos”, disse.
Apesar do resultado impressionante, a experiência era novidade para os artistas. Marcos, que é tatuador há cinco anos, destaca que foi a primeira vez que teve contato com uma pintura nessa escala de tamanho.
Segundo Marcos, apenas ele e outro artista, também chamado Marcos, trabalharam diretamente na execução da pintura, embora tenham recebido ajuda de colaboradores da comunidade ao longo do processo.

Marcos acredita ainda que iniciativas como essa possuem um valor social e podem contribuir para a formação das crianças e adolescentes da comunidade.
“Às vezes a carência é através de uma tinta, uma cor, porque a cor transmite essa mensagem de alegria, de motivação. Quando a gente fornece uma cor à infância de uma criança, a gente está construindo um futuro sólido, uma base de educação, porque a arte é uma peça fundamental da educação”, afirmou ao Acorda Cidade.
Orgulho para os moradores
Quem vive na Via Principal C aprovou o resultado. A moradora Antônia Gomes destacou que a ação trouxe algo inédito para a comunidade. “Eu acho que foi uma coisa muito bonita, que nunca aconteceu no bairro da gente. Aí aconteceu, todo mundo tá gostando. Até eu amei. Parabéns para Marcos e Marcos Vinicius”, disse.
Já o morador Flávio Melo acredita que o projeto pode inspirar outras comunidades da cidade. “A comunidade ficou muito contente. Inclusive, eu quero parabenizar aqui a iniciativa dos meninos e a comunidade também que abraçou junto com a associação esse projeto”, afirmou.
Segundo ele, a rua passou a receber visitantes interessados em conhecer a decoração. “Nossa rua hoje é uma rua turística. Várias pessoas que passam por aqui, crianças, adultos, fazem vídeo, tiram fotos. Isso está mostrando que a cultura tem o seu espaço e o seu valor.”
Flávio também defendeu a criação de incentivos para valorizar artistas e projetos semelhantes em Feira de Santana.
Enquanto a bola não rola para a estreia do Brasil, marcada para o dia 13, contra o Marrocos, a Via Principal C já entrou no clima da competição. Entre pincéis, tinta e muito verde e amarelo, os moradores do Viveiros mostram que a Copa continua sendo capaz de reunir pessoas e fortalecer os laços da comunidade.
Com informações do repórter Paulo José, do Acorda Cidade.
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