5 de June de 2026
Foto: Paulo José / Acorda Cidade

Pacientes de Feira de Santana que utilizam o transporte para tratamento fora do domicílio (TFD) passaram mais uma vez por uma situação de constrangimento. Na manhã desta sexta-feira (5), o ônibus que realizava o trajeto para consultas em Salvador apresentou um defeito mecânico, o que impediu que o grupo chegasse ao destino no horário marcado.

Apesar de, às vezes, defeitos mecânicos serem imprevisíveis, o que vem chamando a atenção neste caso é a demora para substituição de um veículo que faz um transporte tão relevante. Para a reportagem do Acorda Cidade, o motorista confessou que o ônibus tem menos de três anos de fabricação.

Foto: Paulo José / Acorda Cidade

Há pouco mais de um mês, outro grupo de pacientes passou pela mesma situação no Terminal de Transbordo Central. Conforme o Acorda Cidade divulgou na época, daquela vez o atraso ocorreu após o veículo furar um pneu.

“Humilhação”

Para a reportagem do Acorda Cidade, muitos pacientes afirmaram ter chegado ao local ainda durante a madrugada para embarcar. Entre eles estava uma idosa de 72 anos, que relatou ter chegado por volta das 5h e reclamou da longa espera.

“Com esse frio, tem que ter paciência. Eu não sou mais uma criancinha, não. Eu tenho 72 anos e estou passando por essa humilhação. Ninguém tá pedindo favor, não”, disse a idosa que preferiu não ser identificada.

Foto: Paulo José / Acorda Cidade

Outra paciente, moradora do distrito de Maria Quitéria, informou que saiu de casa antes das 5h para realizar exames na capital baiana. Segundo Gildete, além do atraso, havia pessoas em jejum aguardando o transporte.

“Estou aqui em jejum para fazer exame em Salvador e nada de ônibus. Os ônibus da secretaria estão todos quebrados. Queremos solução. Estamos aqui com uma criança recém-nascida. Eu ia fazer um teste de compatibilidade porque vou ser doador renal da minha irmã. Minha irmã é renal crônica, tá aqui em jejum desde 4h50 da manhã”, disse a moradora indignada.

Zélia, outra moradora do distrito da Matinha, afirmou para a reportagem do Acorda Cidade que realiza tratamento de reabilitação semanalmente em Salvador e disse que não pode interromper o acompanhamento médico.

“Só vai um ônibus quando vai, assim mesmo para pegar os pacientes do micro. Depois eles vêm dizer que tá tudo bem, a saúde nossa morreu. O tratamento que a gente faz lá não tem aqui. E saiu o papo dizendo que a gente vai passear. Quem quer sair de sua cama, seu conforto, para ir para Salvador passear? Aqui é uma humilhação”, disse a moradora.

“Eu fui terça-feira mesmo para o médico especialista de coluna e eu não posso parar meu tratamento, senão vou ficar até paraplégica. Faço lá no Hospital Roberto Santos, é na ortopedia que eu faço o outro tratamento”, completou Zélia.

Entre os passageiros também estava uma paciente que tinha uma cirurgia marcada para a parte da tarde. Crispina Souza contou que chegou ao terminal por volta das 4h e demonstrou receio de perder o procedimento em razão do atraso na viagem.

“Preciso fazer a cirurgia para tirar os ferros. Cheguei cedo, mas tá sem carro para ir. Sem ter transporte, isso é uma vergonha. Ainda pega um cartão com R$ 8,00 e dá para a gente, diz que é para alimentação. Isso só para a gente comer. Isso é uma vergonha. Pegar um cartão de R$ 8,00 e dar a um paciente para comer”, declarou.

“Pera aí, motô”

O motorista do ônibus informou que o problema foi identificado ainda durante o trajeto de recolhimento dos passageiros.

“Ele começou na… Cheguei na garagem, peguei o carro, olhei água, óleo. Quando chegamos em Maria Quitéria, ele começou a apitar e mostrando que tava precisando de força, estava perdendo a água do radiador. Só que tem água e tudo”, disse o motorista.

Até a publicação desta matéria, a reportagem do Acorda Cidade, que permanece no local onde o veículo quebrou, constatou que ainda não havia chegado o veículo substituto.

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