
A Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres promoveu nesta terça-feira (9) uma roda de conversa para discutir estratégias de enfrentamento à violência contra a mulher e aprimorar o fluxo de atendimento às vítimas em Feira de Santana.
Durante o evento, Aldiney Bastos, que comanda a pasta para as Mulheres, destacou para a reportagem do Acorda Cidade a importância da troca de experiências entre os participantes.
Segundo ela, a iniciativa permitiu ampliar o conhecimento sobre os procedimentos adotados pelos órgãos responsáveis pelo atendimento às vítimas e fortalecer a atuação conjunta da rede.

“É um momento muito bom, é uma troca de conhecimento. O DPT hoje aqui conosco, trazendo pontos positivos para reconhecer essa violência que as mulheres sofrem, que muitas das vezes a gente trabalha no campo e não percebe”, disse Bastos.
“Hoje estamos aqui para esclarecer como é que procede, como é que a gente pode entender essa violência com a mulher e assim acaba sendo uma troca verdadeiramente positiva. Agradeço também por um momento tão especial como esse de conhecimento e aprendizagem para todos nós que estamos aqui”, comentou a secretária.

Para a reportagem do Acorda Cidade, Bastos confessou que houve avanços nos últimos anos, especialmente em relação à busca por ajuda por parte das mulheres. De acordo com a secretária, muitas vítimas passaram a romper o silêncio e procurar apoio em instituições como a Delegacia Especializada, o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), a própria secretaria e o Ministério Público.
“Mas o maior desafio é quando ela não quer denunciar o agressor. Para mim, esse é o desafio que precisa ser trabalhado psicologicamente. A equipe multiprofissional, o psicólogo, eu como secretária, de botar na minha sala, de abraçar, de acolher, de dizer a ela que tem que dar um basta e de preparar para ela poder tomar essa decisão, que é denunciar”, declarou.

“São diversas coisas que contribuem para isso. A dependência financeira, família, filho, vergonha, mulheres íntegras que sofrem violência e não têm coragem de falar porque ela olha primeiro para o filho, ela olha para a família, ela olha que não tem condição financeira e, por conta disso, fica presa a esse relacionamento abusivo”, completou a secretária.

Presente no encontro, a presidente da Fundação Hospitalar de Feira de Santana, Gilberte Lucas, destacou que o Hospital Inácia Pinto dos Santos, o Hospital da Mulher, possui protocolos específicos para identificar e acompanhar casos de violência.
Gilberte explicou que médicos, psicólogos e assistentes sociais participam do acolhimento das pacientes e, quando necessário, realizam os encaminhamentos aos órgãos competentes.

“Quando nossa equipe faz esse acolhimento à beira do leito, a gente tem uma rede interna de apoio e faz o acompanhamento, comunicando também às autoridades. É claro que existem casos em que a própria gestante ou mãe não quer que comunique. Então, internamente, na estrutura da unidade, a gente dá essa rede de apoio a essa mãe”, disse.

“Todos os casos são comunicados às autoridades. É feito um acompanhamento, um encaminhamento, não só na parte de estrutura da mulher, mas também de adolescentes e crianças que chegam vítimas de violência. E aí a gente tem que se comunicar”, completou.
Por fim, todas as participantes defenderam o fortalecimento da integração entre os órgãos da rede de proteção como forma de ampliar a identificação dos casos, melhorar a assistência prestada às vítimas e reduzir a subnotificação da violência contra a mulher no município que é conhecido como Princesa do Sertão.
Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade
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