
Três homens foram presos nesta terça-feira (9), em Feira de Santana, por suspeita de envolvimento no assassinato do motociclista por aplicativo Rafael de Jesus Freitas. Um quarto suspeito segue foragido. O crime bárbaro teria sido praticado por conta de um valor de R$ 10 mil, referente à venda de uma motocicleta.
Em entrevista ao Acorda Cidade, o delegado titular da Delegacia de Homicídios, Gustavo Coutinho, informou que o crime foi registrado como latrocínio (roubo seguido de morte). Segundo ele, o antigo proprietário da motocicleta foi quem arquitetou, em conjunto com os demais suspeitos, o plano para tirar a vida do motociclista.

“A vítima trabalhava como Uber, era uma pessoa trabalhadora. Com isso entramos em contato com a família e descobrimos que a moto estava no nome de outra pessoa, e no mesmo momento senti que deveria ir à casa desse indivíduo para saber o que tinha acontecido”, informou o delegado.
Gustavo Coutinho relatou que ao chegar à casa do principal suspeito, a equipe da DH descobriu a moto no local, já desarmada.
“O rastreador foi retirado da moto, assim como as peças. Com isso, o mandante e um amigo que estava na residência foram trazidos para a delegacia e começamos o interrogatório. Eles entraram em várias contradições e acabamos descobrindo toda a farsa que eles tinham feito com o matador para subtrair essa moto.”
Ex-proprietário queria a moto de volta
As investigações revelaram que o mandante vendeu a motocicleta, uma Titã 125 vermelha, à vítima, pelo valor de R$ 10 mil de entrada, e Rafael assumiria o restante das prestações do bem.
Após um período, o mandante decidiu comprar uma XRE seminova, mas logo se arrependeu, e queria a Titã de volta, mas para isso teria que devolver os R$ 10 mil da entrada a Rafael.
“Ao invés de devolver os R$ 10 mil, ele teve outra ideia com o amigo: de armarem um plano para atrair a vítima, executá-la, pegar a moto de volta, e como já estava no nome dele, iria rodar normalmente com a moto sem precisar pagar o dinheiro de volta à vítima.”
Para despistar a polícia, o mandante planejou que iria aguardar um tempo até que o crime ‘esfriasse’. Até lá, a moto ficaria desmontada e guardada. Já o chassi, seria jogado em algum ponto da cidade.
“A polícia iria encontrar esse chassi, levar para a delegacia e ele se apresentaria depois dizendo ser o proprietário da moto. Pegaria o chassi de volta e ficaria novamente rodando com a moto, de forma legal.”
Mandante contratou matador por R$ 3 mil
Para dar prosseguimento ao plano, o antigo proprietário da moto contratou um matador, pelo valor de R$ 3 mil.
“Ele atraiu a vítima para a Mantiba e já tinha contratado um matador. Com o lucro que ele teria com esses R$ 10 mil, ele ia dividir entre ele, o matador e o amigo. Todos confessaram e os três indivíduos foram autuados em flagrante. A arma utilizada no crime ainda foi encontrada, assim como o quarto envolvido no crime, que está foragido. Sabemos que é um calibre 38. Estamos em diligência para efetuar a prisão e recuperar duas armas e tentar recuperar também o celular da vítima, que foi descartado, um iPhone e tentar ver se tem mais pessoas envolvidas nesse caso”, detalhou Coutinho.
Vítima desconfiou da emboscada
Enquanto seguia para a Mantiba com os suspeitos, o moto Uber desconfiou que seria assassinado.
“Antes da vítima morrer, ele desconfiou que estava sendo levado para uma emboscada, tirou uma foto da moto do mandante e mandou para um amigo. Com isso, familiares entraram em contato com a delegacia e informaram sobre essa filmagem. Entramos em contato com a empresa de monitoramento, já que a vítima estava monitorada com rastreador e vimos todo o caminho por onde a ele tinha circulado, e a última localização foi nas proximidades da casa do autor. Tudo bateu e indicou para que o proprietário fosse o autor desse crime bárbaro.”
Todos os envolvidos serão responsabilizados, reiterou o delegado. O crime será tipificado como latrocínio, porque a motivação maior foi a ganância por dinheiro, com a subtração do objeto.
“O matador praticou o crime por causa de R$ 3 mil; o antigo dono, para ter sua moto de volta. Aí você vê como se banalizou a vida. Rafael era pai de família, uma pessoa trabalhadora, e por ganância foi assassinado. O atirador estava na garupa do matador.”
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade
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