11 de June de 2026
Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

O Observatório Antares, que é gerido pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), realiza até a próxima sexta-feira (12) um workshop, voltado a estudantes, professores e pesquisadores das áreas de Astronomia e Astrofísica, acerca do projeto AstroPT: Astronomia com Pequenos Telescópios. O evento teve início na quarta-feira (10).

O projeto de pesquisa é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb – BA) e tem como objetivo central reunir pesquisadores com expertises nas técnicas de fotometria, espectroscopia e polarimetria para investigar objetos do Sistema Solar, estrelas, aglomerados, nebulosas e galáxias brilhantes do Universo.

Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

De acordo com os organizadores do evento, o projeto AstroPT tem mostrado que, mesmo com telescópios de pequeno porte, é possível produzir ciência de alto impacto.

Em entrevista ao Portal Acorda Cidade, o pesquisador e professor de Física Marildo Pereira explicou que a ideia do projeto é fazer uma complementação da ciência que é feita nos grandes telescópios, que são de difícil acesso.

Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

“Existe uma concorrência muito grande para disputar o tempo nestes equipamentos. Enquanto os pequenos telescópios se envolvem em projetos nos quais você não precisa despender esse tempo. Um grande telescópio não tem condições de ficar 10 dias apontado para estudar um único objeto. Então esse da gente, de 1 metro, tem essa disponibilidade de tempo e tem mais condições de atender.”

Segundo o professor, o projeto favorece a formação de estudantes que desejam trabalhar com Astronomia e serve também como programa preparatório para se fazer observações com grandes telescópios.

“O AstroPT favorece a interação de grupos emergentes e o compartilhamento de experiências, além do uso pela comunidade. Vamos receber pesquisadores de várias partes do mundo. Temos pessoas do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Ceará, Rio Grande do Norte, um grupo da federal de Sergipe formado por colombianos. O que a gente precisa agora é fazer o estabelecimento dessa rede.”

A estudante colombiana Paula Castro está no Brasil para participar de eventos ligados à sua área de estudo. Ela pesquisa sobre exoplanetas (que estão fora do Sistema Solar).

Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

“Minha investigação é para receber meu título como Física. Trago informações sobre exoplanetas que foram reportados, para saber existem e se são possivelmente habitáveis, se são planetas como a Terra e podem chegar a conter água líquida. Vamos fazer avaliações das estatísticas e esperamos bons resultados, já que temos até agora poucos dados.”

Ela destaca que muito se questiona sobre a existência de vida fora do planeta Terra, e sua investigações trará contribuições ao tema.

“Em minha formação esta é uma investigação muito importante, porque me abrirá as portas na Astronomia e podem me abrir portas para congressos internacionais para falar sobre estes exoplanetas.”

Outra estudante da Colômbia, Valéria Calderon pesquisa sobre a astroquímica do fósforo. “Estudo como é a atuação desse fósforo no espaço, porque aqui há muito fósforo na Terra, em nosso ar tem, em nossa energia.

Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

Observação robotizada

Também participou do workshop o diretor do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), Wagner Corradi. Ao Acorda Cidade, ele esclareceu que o LNA é uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, responsável pela estrutura observacional e laboratorial da Astronomia brasileira.

Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

“A gente é que fornece os telescópios e todos os instrumentos para que os cientistas e qualquer pessoa que queira fazer pesquisa em Astronomia no Brasil possa fazer. Essa é nossa missão. Os telescópios são fabricados em outros países, na maioria das vezes, e o Brasil tem um outro fabricante, mas não nessa escala de venda nacional. Os equipamentos que o LNA fornece são de grande porte, acima de 1 metro, um de até 4 metros que fica no Chile, temos uma fração de telescópio também no Havaí, e também tem a missão de fazer instrumentos astronômicos que são disponibilizados para o Brasil inteiro”, revelou.

Wagner Corradi falou ainda que os pequenos telescópios são parceiros e oferecem mais precisão nas observações. E de agora em diante, eles serão robotizados e trabalharão de forma autônoma.

“Nós conseguimos operar os telescópios roboticamente, então de casa ou do próprio celular você consegue dar os comandos para ele poder operar e coletar os dados. Nós estamos migrando tudo isso e estamos discutindo isso aqui, é que vão ser robotizados e trabalhar de forma autônoma, então a gente programa o que eles vão fazer durante a noite e no outro dia fazemos a coleta dos dados.”

Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade

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