11 de June de 2026
Biodiversidade Jaguara Feira de Santana
Foto: Luz Drone

Em celebração ao Mês do Meio Ambiente, o Programa de Pesquisa em Biodiversidade do Semiárido (PPBio Semiárido) realiza, até o dia 17 de junho, uma expedição científica no distrito de Jaguara, em Feira de Santana. A iniciativa reúne pesquisadores de diferentes áreas para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade da Caatinga e fortalecer ações voltadas à conservação do bioma.

Os estudos acontecem em uma área localizada no setor agreste da Caatinga, sobre o embasamento cristalino, uma das formações geológicas mais antigas da Terra. Ao longo de milhões de anos, os processos naturais de erosão moldaram a paisagem da região, contribuindo para a formação da depressão sertaneja setentrional.

A vegetação presente no local é classificada como floresta estacional decidual, caracterizada pela perda das folhas durante o período seco. A influência da umidade vinda do litoral favorece o desenvolvimento de uma mata mais alta e densa em comparação com outras áreas da Caatinga. Atualmente, são conhecidas 113 espécies de plantas na região, número que pode aumentar com os registros realizados durante a expedição.

Segundo o coordenador do Subprojeto de Comunicação Científica do PPBio Semiárido, Evandro do Nascimento, o levantamento é fundamental para compreender o papel dos fragmentos remanescentes de vegetação na manutenção da biodiversidade regional. 

“Quando analisamos imagens de satélite, percebemos que a paisagem natural da Caatinga, em Feira de Santana, foi muito desmatada pela atividade agropecuária. Há poucos e isolados remanescentes de vegetação. As coletas de plantas e animais na área de estudo do distrito de Jaguara são imprescindíveis para conhecermos a importância desses remanescentes de Caatinga para a conservação da biodiversidade local”, afirma.

Pesquisadores dedicados ao estudo de mamíferos, aves, peixes e insetos realizam coletas e observações para identificar a diversidade de espécies presentes no território. Os dados produzidos contribuirão para ampliar o conhecimento científico sobre a fauna e a flora do semiárido brasileiro, além de subsidiar estratégias de conservação em áreas sob pressão de atividades humanas.

Além da pesquisa biológica, a expedição também busca compreender a relação das populações rurais com a biodiversidade local. Os conhecimentos tradicionais sobre o uso de plantas, animais e outros recursos naturais fazem parte das informações que serão documentadas pelos pesquisadores, contribuindo para uma compreensão mais ampla das interações entre sociedade e natureza no semiárido.

Ao longo dos próximos dias, o PPBio Semiárido compartilhará em seus canais digitais registros das atividades de campo, resultados preliminares e curiosidades sobre a biodiversidade encontrada em Jaguara.

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