
O secretário de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, assinou, nesta segunda-feira (15), uma parceria de 12 meses para a criação de um núcleo de Libras em Feira de Santana e em Salvador. Na ocasião, também foi firmado um documento que reúne 10 organizações da sociedade civil, com o objetivo de apoiar entidades que atuam com pessoas com deficiência.
As instituições selecionadas deverão receber recursos para fortalecer suas atividades nas áreas de assistência e formação voltadas às pessoas com deficiência no estado da Bahia.
Em entrevista ao Acorda Cidade, o secretário Felipe Freitas informou que foram investidos R$ 3 milhões em diferentes iniciativas voltadas ao fortalecimento do apoio a pessoas com deficiência, incluindo surdos e demais públicos, em parceria com outras dez instituições de cinco territórios da Bahia.

Segundo Felipe, Feira de Santana já possui uma experiência de longa data, desenvolvida em parceria com o núcleo territorial de educação, voltada à capacitação em Libras. Ele destacou ainda que o movimento de pessoas surdas no município é bastante articulado.
Freitas explica que, na prática, as pessoas poderão agendar atendimento para ter acesso aos serviços públicos com intérpretes de Libras, além de contar com o serviço em eventos públicos e estaduais. Ele destaca ainda o potencial de Feira de Santana para manter atividades de capacitação, formando novos intérpretes de Libras e ampliando a rede de profissionais para fortalecer a acessibilidade de pessoas surdas no município e em toda a região.
Os cursos serão abertos para toda a comunidade. O objetivo do projeto é ampliar o acesso à informação, não apenas para familiares de pessoas surdas, mas também para toda a população, inclusive do ponto de vista da empregabilidade.
“A gente tem percebido que a interpretação em Libras é também uma fonte de renda e de emprego para as pessoas, então a capacitação profissional desses intérpretes é, certamente, uma colaboração importante para a economia e para o desenvolvimento”, afirmou o secretário.
As organizações sociais foram selecionadas por meio de edital público, com critérios de atendimento ao público, capacidade de replicação da metodologia e tempo de atuação. De acordo com Felipe, os funcionários serão mantidos pela entidade.
“Com esses critérios é que essas 10 entidades foram selecionadas, é algo que a gente já faz no ano passado também, a gente já fez um aporte desse nível, que tem esse objetivo: pegar aquelas instituições que voluntariamente já fazem um trabalho e colocar um recurso para que ela consiga aumentar o que elas fazem, dar mais volume, dar mais consistência e profissionalizar”, explicou Freitas.
Ao Acorda Cidade, Yndiara Damasceno, professora de Libras, explica que o núcleo chega em um bom momento no município.
“O governo do estado lançou isso há algum tempo, só que a gente conseguiu avançar com política pública para garantir a acessibilidade e a inclusão das pessoas surdas da cidade de Feira de Santana e em Salvador.

Segundo a professora, uma das maiores dificuldades de acesso a serviços públicos relacionados à Libras atualmente está na área da saúde, além da área jurídica.
“Consultas médicas, exames, atendimentos de urgência e emergência, como em casos de hospital ou acidentes, por exemplo, quando uma pessoa surda ou um familiar precisa de atendimento. Nesses casos, é necessário um tradutor e intérprete para garantir a comunicação. O mesmo ocorre na área jurídica, em delegacias e audiências, que também dependem de um intérprete para transmitir todas as informações.”
O evento e as iniciativas anunciadas podem não apenas ampliar a autonomia, mas também promover inclusão e acessibilidade, já que os profissionais poderão atender diretamente, sem a necessidade da presença de um familiar do paciente para acompanhamento e tradução.
Segundo Damasceno, hoje, em Feira de Santana, não há uma formação específica para formar profissionais da comunidade. “O núcleo chegou num momento maravilhoso, justamente para fazer essas formações, atender essa comunidade de Feira de Santana e todo o Portal do Sertão.”
Os cursos estarão abertos para pessoas a partir de 16 anos, mas já há a intenção de abrir uma turma kids no futuro. A carga horária prevista é de 80 horas.
Para participar, basta realizar a matrícula e entrar em contato. A equipe responsável vai divulgar posteriormente a data de início dos cursos, o período de conclusão e demais informações do processo, que é simples. É necessário apenas apresentar um documento de identificação e informar a comunidade da qual faz parte no ato da inscrição.
Yndiara explica que não há nenhum grau mínimo de escolaridade para realizar o curso de Libras.

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade.
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