
O período junino é marcado por tradição, reencontros familiares e grandes celebrações em toda a Bahia. Mas, ao mesmo tempo em que movimenta cidades e atrai milhares de pessoas para os festejos, também acende um alerta para o aumento dos acidentes e dos casos de traumatismo cranioencefálico, lesão que pode provocar sequelas permanentes e até levar à morte.
Na microrregião de Feira de Santana, considerada o maior entroncamento rodoviário do Norte e Nordeste, o fluxo de veículos cresce significativamente durante o São João. A combinação entre estradas movimentadas, longos deslocamentos, consumo de bebidas alcoólicas e imprudência no trânsito contribui para o aumento do número de acidentes, especialmente envolvendo automóveis e motocicletas.
De acordo com o neurocirurgião do Instituto do Cérebro, Dr. Artur Bastos, os traumas na cabeça estão entre as lesões mais graves registradas durante esse período.
“Os festejos juninos reúnem diversos fatores que aumentam o risco de traumatismos cranianos. O consumo excessivo de álcool compromete os reflexos, reduz a capacidade de reação e favorece tanto acidentes de trânsito quanto quedas e outros tipos de ocorrências. Dependendo da intensidade do impacto, o paciente pode apresentar desde uma concussão leve até lesões cerebrais graves, com risco de sequelas neurológicas permanentes”, explica.

Segundo o especialista, embora os acidentes automobilísticos sejam uma das principais causas de traumatismo cranioencefálico, outros cenários comuns durante o São João também merecem atenção.
“Além das colisões nas rodovias, observamos lesões provocadas por quedas, brigas, agressões físicas e acidentes com fogos de artifício. Muitas dessas situações podem resultar em hemorragias intracranianas, fraturas do crânio e outras complicações que exigem atendimento médico imediato”, alerta.
Atenção aos sinais de alerta
O médico destaca que nem todo traumatismo craniano provoca perda imediata da consciência. Em alguns casos, os sintomas podem surgir horas após o acidente.
“Dor de cabeça intensa, vômitos, sonolência excessiva, confusão mental, dificuldade para falar, perda de força em braços ou pernas, alterações visuais e convulsões são sinais que não devem ser ignorados. A avaliação médica rápida é fundamental para identificar possíveis lesões e iniciar o tratamento o mais cedo possível”, ressalta Dr. Artur Bastos.
Acidentes nas rodovias preocupa especialistas
Com dezenas de municípios realizando festas juninas simultaneamente, milhares de pessoas circulam diariamente pelas rodovias que passam por Feira de Santana. O cenário exige atenção redobrada dos motoristas.
Segundo o neurocirurgião, o uso do cinto de segurança, do capacete e o respeito às leis de trânsito continuam sendo as principais medidas para prevenir lesões graves.
“Grande parte dos traumatismos cranianos graves poderia ser evitada com atitudes simples. Dirigir sob efeito de álcool continua sendo uma das principais causas de acidentes fatais. A recomendação é clara: se beber, não dirija. Também é importante respeitar os limites de velocidade e evitar viagens quando estiver cansado ou sonolento”, orienta.
Além dos traumas na cabeça, acidentes de trânsito podem provocar lesões na coluna vertebral, comprometendo a mobilidade e a qualidade de vida dos pacientes.
“Dependendo da força do impacto, podem ocorrer fraturas vertebrais e lesões na medula espinhal, que em alguns casos resultam em sequelas permanentes. Por isso, a prevenção deve ser encarada como prioridade”, acrescenta.
Fogos e fogueiras também representam riscos
Outra preocupação dos especialistas são os acidentes envolvendo fogos de artifício e fogueiras, elementos tradicionais das festas juninas.
Explosões próximas ao rosto, quedas ao redor das fogueiras e o manuseio inadequado de artefatos explosivos podem causar traumatismos, queimaduras e lesões oculares graves.
“Os fogos de artifício podem provocar lesões severas não apenas nas mãos, mas também na cabeça, no rosto e nos olhos. Crianças devem ser supervisionadas constantemente, e os artefatos precisam ser utilizados apenas por pessoas capacitadas e em locais seguros”, alerta o médico.
Para Dr. Artur Bastos, a melhor forma de aproveitar o São João é investir na prevenção.
“O São João é um momento de celebração e alegria. Com responsabilidade, respeito às normas de segurança e consciência dos riscos, é possível reduzir significativamente a ocorrência de acidentes e garantir um período festivo mais seguro para todos”, conclui.
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