17 de June de 2026
Em Feira de Santana, servidores da Polícia Técnica discutem denúncias de assédio moral e demandas funcionais
Foto: Ed Santos/ Acorda Cidade

Na tarde desta quarta-feira (17), o auditório da 3ª Ciretran, em Feira de Santana, foi palco de uma reunião conjunta promovida pelo Sindicato dos Peritos Criminais da Bahia (Asbac) e pelo Sindicato dos Peritos Médicos e Odonto-Legais da Bahia (Sindmoba). O encontro reuniu peritos criminais, peritos médicos-legais, peritos odonto-legais e demais servidores da Coordenação Regional de Polícia Técnica (CRPT).

Entre os principais temas debatidos estiveram denúncias de assédio moral, reclamações relacionadas às condições de trabalho, demandas funcionais e questionamentos sobre a gestão administrativa da unidade.

Sindicato dos Peritos Criminais da Bahia

Segundo o presidente do Asbac, Leonardo Fernandes, o objetivo da reunião foi ouvir as reivindicações da categoria, reunir informações e buscar soluções institucionais para os problemas relatados.

Leonardo Fernandes informou que o encontro foi idealizado após vários relatos e denúncias da unidade de Feira de Santana, o que deu origem a necessidade de haver uma reunião para debater o que estava acontecendo. 

Nós recebemos um chamado dos peritos do CRPT de Feira de Santana. Tivemos uma reunião online com os colegas e havia aproximadamente 30 pessoas, entre peritos criminais, médicos, técnicos, odonto. Fizemos um brainstorming e vários relatos de denúncias surgiram. Quando você tem uma denúncia, duas, normal, porque a mudança de gestão, de rotina, causa aquele conflito. Mas nós tivemos 27 pessoas participando, então, a luz amarela acendeu. Nessa reunião online que surgiu a ideia ‘vamos visitar os colegas de Feira de Santana’ para poderem sentar e entender o que está acontecendo porque as denúncias são sérias, mas a gente precisa ter a materialidade dessas denúncias porque envolve atrito entre colegas”.

Ainda conforme o presidente, a partir dessa reunião, o sindicato poderá entender o que está acontecendo e será possível traçar os próximos rumos para resolver o problema. No entanto, ele alerta que é necessário que o CRPT trabalhe com harmonia e que os trabalhadores atuem com respeito e tolerância. 

“Então essa é a função do sindicato nesse momento, é escutar os colegas, entender o que está acontecendo, se for o caso materializar. Não vou dizer que a gente vai punir, a gente vai dar prosseguimento. Então se for uma denúncia do Ministério Público do Trabalho, Corregedoria, a gente precisa realmente entender o que está acontecendo aqui em Feira de Santana”. 

“Vamos até as últimas consequências para defender nossos associados”

Leonardo Fernandes também chamou atenção para o medo de denunciar, especialmente para aqueles peritos que estão em estágio probatório. Com isso, o Asbac busca escutar e discutir o ocorrido.

Leonardo Fernandes
Leonardo Fernandes | Foto: Ed Santos/ Acorda Cidade

Questionado sobre como o sindicato pretende cobrar soluções, ele assegurou que isso será feito diretamente com a gestão. Caso não consigam, o sindicato buscará os responsáveis, chegando até a Secretaria de Segurança Pública e a Justiça, se for o caso. 

“Inclusive, a gente tem uma instituição normativa nova que fala sobre a questão de saúde mental dos servidores e nós trabalhamos com violência, assassinato, morte, com sofrimento das pessoas, então a gente precisa ter um ambiente de trabalho saudável também, porque nós somos seres humanos”. 

O presidente falou que essas denúncias foram feitas há cerca de duas semanas. Com base nisso, ele acredita que as pessoas procuraram o sindicato em busca de ajuda, pois normalmente, não acontecem tantos relatos de uma única CRPT de uma vez. 

“Aquilo chamou atenção, aquilo ligou o alerta amarelo realmente do sindicato, e o sindicato precisou vir aqui à Feira de Santana realmente para poder entender, compreender o que está acontecendo aqui”. 

Caso as medidas não sejam tomadas, Leonardo Fernandes afirmou que a partir disso, essa situação segue para o Departamento Jurídico. “Nós vamos até as últimas consequências para poder defender nossos associados”. 

Sindicato dos Peritos Médicos e Odonto-Legais da Bahia

Claudio Costa, do Sindmolba, comentou ao Acorda Cidade, sobre as demandas apontadas no encontro. De acordo com ele, o sindicato sabe das dificuldades enfrentadas pelo departamento e luta justamente para melhorar a situação. 

Todos nós conhecemos as dificuldades que o departamento atravessa. Não são dificuldades únicas e muito menos de pouco tempo. São dificuldades antigas e a gente sempre luta para melhorá-las, para minorar as dificuldades e melhorar as condições de trabalho. Então essa é a ideia da instituição, é sempre estar ao lado do colega e ir junto com todo o apoio dos colegas, fazer a ponte intermediária com as gestões nas solicitações e na batalha para sempre haver melhoria de condições de trabalho”.

Além disso, Cláudio Costa destacou que o papel do sindicato é justamente fazer a ponte entre os colegas e a gestão, em busca de uma melhora. 

“Primeiro a gente precisa escutar, saber o que os colegas têm a dizer, para que a gente possa tentar ajudar. Essa é a ideia”.

As entidades sindicais destacaram que as denúncias de assédio moral serão apuradas e encaminhadas aos órgãos competentes, defendendo a criação de um ambiente de trabalho mais saudável, respeitoso e livre de qualquer tipo de constrangimento ou perseguição. Além disso, reforçaram que o diálogo e a mediação são instrumentos fundamentais para a resolução dos conflitos e para a valorização dos profissionais da Polícia Técnica.

Os sindicatos também informaram que as demandas apresentadas pelos servidores serão formalizadas e encaminhadas à direção do órgão e às instâncias competentes, na expectativa de que medidas sejam adotadas para solucionar os problemas apontados pela categoria.

A reportagem do Acorda Cidade procurou o diretor do Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Feira de Santana que também participou da reunião para comentar as denúncias e os assuntos discutidos durante a reunião. No entanto, ele informou que não se pronunciaria sobre o caso sem autorização superior.

Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade

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