26 de June de 2026
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

Sem fins lucrativos, a Associação Mães de Filhos Autistas, que oferece atendimento multiprofissional a crianças neurodivergentes em Feira de Santana, corre o risco de encerrar as atividades. A entidade oferta acompanhamento multidisciplinar especializado a moradores da região dos bairros Mangabeira, Conceição e adjacências.

A associação é mantida, exclusivamente, por meio de contribuições das próprias mães, que recebem atendimento no local. No entanto, a instituição enfrenta dificuldades financeiras, uma vez que muitas beneficiadas não puderam mais colaborar com as contribuições.

Uma das mães atendidas pela Associação é a dona de casa Adriana Soraia, que tem dois filhos com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) atendidos pela associação.

Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

Em entrevista ao Acorda Cidade, ela contou que o tratamento da associação é de excelência e teme que a entidade feche as portas.

“Sem a associação, seria péssimo, porque os meninos já têm uma rotina. Eles têm a semana da terapia, que é quinzenal, e a da escola, que é complementar. A terapia é fundamental para a criança evoluir na escola. Para mim é muito triste e abala, porque não sei se eles iriam se acostumar em outro local. O governo municipal poderia ajudar se quisesse, e eu procurei ajuda também do poder público, mas não achei”, relatou.

A fundadora e presidente da Associação Mães de Filhos Autistas, Camille Alves Cundes, explicou ao Acorda Cidade que a ideia de fundar a entidade surgiu após os filhos gêmeos serem diagnosticados com o TEA aos 2 anos e seis meses.

Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

Diante da dificuldade em conseguir o tratamento para eles, nas redes pública e privada, e até mesmo em associações, Camille resolveu estudar a área da Terapia Ocupacional e abriu a instituição.

“Eu passei muito tempo procurando algumas ONGs, alguns locais, e sempre com as portas fechadas, que não tinham vaga. Até porque, na época, começou a ter esse grande índice de diagnóstico. Então, acabou que eu fiquei desamparada, literalmente. E aí, depois que eu terminei meu curso, foi quando eu tive a ideia de abrir a instituição, que na realidade era uma rede de apoio, para não só me apoiar, mas apoiar outras mães que necessitavam de ajuda com esse amparo da equipe multidisciplinar.”

De acordo com Camille, atualmente a Associação atende 35 mães de forma ativa, com fonoaudióloga, psicopedagoga, psicólogo infantil, psicóloga para as mães, psiquiatra e musicoterapeuta. 

“E a gente agora também está com um projeto de não só atender as mães atípicas, mas também as mães não atípicas com atendimentos com clínicos gerais, ginecologista, pediatra e outros profissionais que a gente vai agregar também dentro da instituição.”

A terapeuta destaca que alguns atendimentos precisam ser feitos com regularidade por determinados tipos de profissionais.

“Não é só um ou dois profissionais que vai realmente fazer com que aquela criança tenha uma boa evolução, mas sim a equipe multidisciplinar e também recorrente. Porque, por exemplo, o município só disponibiliza uma vez no mês ou a cada seis meses um profissional psicopedagogo, que não faz o trabalho que um musicoterapeuta faz, que uma psicóloga infantil faz, um psiquiatra que a cada 90 dias a criança tem que fazer uma revisão. Então tudo isso necessita de um amparo realmente preciso e com continuidade na rotina mensal.”

A terapeuta esclareceu que a associação possuía uma mensalidade de R$ 300 para as mães cadastradas. No entanto, o valor mensal precisou reduzir para R$ 120 e ainda assim muitas mães não estão conseguindo contribuir.

“A gente está tendo muita dificuldade, e muitas mães não estão tendo condições, muitas ainda não recebem o BPC (Benefício de Prestação Continuada), que é uma ajuda que o governo dá para que essas mães possam até mesmo manter essas crianças em um tratamento, em uma alimentação saudável. Em 2024, a gente recebeu uma verba, que inclusive foi uma polêmica para a gente conseguir, e durante esse ano de 2025 e 2026 foi o que manteve a instituição, mas depois disso a instituição começou a ter novamente dificuldades, porque muitas mães não conseguem pagar essa ajuda mensal, e é com esse valor que a gente mantém esses profissionais.” 

Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

A presidente pede que empresários e pessoas da comunidade em geral que se sensibilizem e forneçam apoio à entidade, ao adotarem os custos correspondentes ao tratamento de uma criança ou mais.

“Quem da população que queira ajudar a instituição com algum valor de R$ 20, 30, 40, 50, o que puder, também vai estar nos ajudando. E também a gente pode estar criando um bazar, quem tiver interesse em trazer peças de roupa, para também fazer com que a gente tenha uma renda, vai estar também ajudando. Mas hoje o que a gente pede mesmo é patrocínio de empresas que possam nos ajudar, que venham conhecer a instituição, ver que a instituição é séria, que é registrada, que não tem nenhum tipo de restrição, para que essas mães continuem com o tratamento deles, porque é muito difícil, é um salário mínimo que muitas recebem aqui e não dá para pagar as contas. Muitas mães não têm condição de pagar.”

Os interessados em colaborar com a manutenção da Associação pode entrar em contato com a entidade através das redes sociais amfa.fsa. Pode também comparecer presencialmente a instituição, Rua Gameleira, nº 923, para conhecer o trabalho que é feito pelos profissionais.

Outra forma de manter os atendimentos é contribuir por meio de doações, pela chave PIX da instituição 75 99189-3475.

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade

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