26 de June de 2026
Ação do Dia Nacional do Diabetes no Centro de Atendimento ao Diabético e Hipertenso - Cadh
Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

O Dia Nacional do Diabetes, celebrado no dia 26 de junho, traz o foco para essa doença silenciosa que afeta cerca de 13 milhões de brasileiros. Com isso, nesta sexta-feira (26), o Centro de Atendimento ao Diabético e Hipertenso (Cadh) de Feira de Santana realizou mais uma ação em alusão à data. 

O diabetes é uma doença causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio que regula a glicose no sangue, o que pode causar o aumento da glicemia e consequentemente, complicações em alguns órgãos do corpo, podendo causar até a morte nos casos mais graves. 

A doença possui tipos diferentes, sendo que os principais são Tipo 1 (DM1), Tipo 2 (DM2), gestacional e pré-diabetes

Como já noticiado pelo Acorda Cidade, a programação, realizada de 8h às 12h, incluiu verificação de pressão arterial e glicemia, atualização do cartão de vacinação, avaliação dos pés para prevenção do pé diabético, orientações nutricionais, além de atividades educativas conduzidas pela equipe multiprofissional.

Em entrevista ao Acorda Cidade, a coordenadora do Cadh, Andreia Silva explicou que a manhã foi voltada para o cuidado integral e atenção, bem como para a importância da adesão, do monitoramento, do uso adequado da insulina e da alimentação ideal e individualizada. 

Andreia Silva, coordenadora do Cadh
Andreia Silva, coordenadora do Cadh | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

“Não é receita de bolo que todo mundo pode fazer a mesma. Cada indivíduo tem uma situação de saúde e ela precisa ser avaliada de forma individual. Então é um dia voltado mesmo ao cuidado, a sensibilização das pessoas, porque o diabetes é uma doença silenciosa que hoje faz com que muitas pessoas percam a visão, percam membros devido a amputações pela complicação, problemas cardiovasculares devido ao diabetes”. 

Atuação multiprofissional

Além disso, ela chamou atenção para a atuação multiprofissional do Cadh, pois a doença é multifatorial e acomete vários órgãos do corpo. Portanto, é necessário haver um acompanhamento com médicos como endocrinologistas e nutricionistas. 

“Estamos aqui com essa equipe toda voltada no sentido de estar ajudando a população de uma forma geral a cuidar melhor de si. Por isso que o tema deste ano é ‘diabetes, cuidar hoje para viver melhor amanhã’”. 

Quanto às complicações, Andreia destacou que podem acontecer devido ao descontrole da glicemia por um longo tempo. Com isso, o diabético pode desenvolver nefropatia diabética, que é uma complicação microvascular caracterizada pela lesão progressiva dos vasos sanguíneos renais, neuropatia diabética, que danifica os nervos e pode levar a amputações, problemas com cicatrização, que também podem levar a amputações, retinopatia diabética, que danifica os vasos sanguíneos da retina e pode causar a perda da visão, entre outros. 

Ação do Dia Nacional do Diabetes no Centro de Atendimento ao Diabético e Hipertenso - Cadh
Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

“É uma doença silenciosa, mas que está acometendo vidas e limitando. Então, esse dia de hoje é um dia para a gente sensibilizar, mostrar que é possível viver com diabetes, com qualidade de vida e ser feliz. É importante esse dia para essa sensibilização da população, para entender que é possível conviver com a doença, não é uma sentença de morte, mas que com cuidado, com adesão, eles podem ter qualidade de vida”. 

Sobre a ação

A médica clínica Mila Leitão falou sobre o objetivo da ação, que é focada para a prevenção e conscientização da população

“A gente sabe que o diabetes é uma doença que tem muita repercussão a nível de saúde pública, porque ela tem diversas complicações, a nível mundial de conscientização. É uma doença para a gente sensibilizar a cada dia para a sociedade ter uma sensibilidade voltada para essa doença”. 

Assim como salientou os outros serviços oferecidos no Cadh, como atendimento com nutricionista e endocrinologista, além de conscientização para aplicação de insulina, uso correto e adequado das medicações, e orientação com relação à atividade física

Doutora Mila Leitão
Doutora Mila Leitão | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

Quanto ao funcionamento do rastreamento para o diabetes, ela explicou que o diabetes Tipo 2 pode ser rastreado pela glicemia capilar, realizada através da punção da ponta do dedo. Caso o resultado seja superior a 200 na primeira aferição, é possível diagnosticar a pessoa. Após esse resultado, o paciente é orientado a realizar os exames de glicemia em jejum e a glicada.

“A pessoa já sai com essa conscientização para continuar o rastreio e seguir com a orientação e tratamento se possível. Com a orientação de mudança de hábito alimentar, a orientação de consulta com o endocrinologista e os outros exames para rastreio de doença”. 

Mila Leitão também chamou atenção para o fato de que o diabetes é uma doença silenciosa e para o alto nível de sedentarismo da população.

“É uma doença silenciosa, porque não é só a questão familiar. A gente tem visto hoje a população com um nível de sedentarismo altíssimo, então é uma doença que tem grande repercussão com o hábito alimentar”.

Acompanhamento com nutricionista

Josinete Monteiro é nutricionista do Cadh e falou sobre a importância da nutrição para a prevenção e o tratamento do diabetes. Segundo ela, a nutrição é importante em todos os aspectos, mas é o pilar quando se trata de pré-diabetes e diabetes

Josinete Monteiro, nutricionista
Josinete Monteiro, nutricionista | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

“Para que o tratamento ocorra de forma que aconteça um excelente resultado, sempre é importante pensar na alimentação, em uma alimentação balanceada, voltada mais para os alimentos mais naturais e trazer também toda essa ideia para o seu dia a dia, sempre trazendo isso para para transformar até algumas realidades”.

Questionada sobre os alimentos mais indicados para os diabéticos e pré-diabéticos, a nutricionista explicou que não fala sobre alimentos isolados, mas sim das refeições, procurando entender e interpretar a realidade dos pacientes. 

“A partir da alimentação, do que está se fazendo, se tem algum descontrole, excesso de processados, ultraprocessados, trazer os alimentos mais naturais para o seu dia a dia. E a partir dessa nova visão, mudar os hábitos, mudar as refeições. Eu sempre falo das refeições. ‘Como é que está sendo o seu café da manhã, o seu almoço, o seu jantar?’ E depois dessa avaliação e dessa nova visão, transformar o seu dia a dia”.

Benefício para diabéticos

Além da parte médica, a ação contou com a presença da advogada Luzinaide Argibay, que atua na questão previdenciária. Em alguns casos, o diabetes pode incapacitar a pessoa, que acaba sendo impedida de trabalhar. Nesses casos, a lei orgânica garante que o paciente receba o BPC/ Loas (Benefício de Prestação Continuada/ Lei Orgânica da Assistência Social). 

Advogada Luzinaide Argibay
Advogada Luzinaide Argibay | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

O benefício é uma ajuda assistencial no valor de um salário mínimo. Por não ser uma aposentadoria, as pessoas que recebem o BPC/Loas não têm direito a receber o 13º. 

“O BPC/Loas é justamente para as pessoas que não contribuíram. Porque quando as pessoas contribuem, elas recebem a aposentadoria. O Loas não têm direito ao 13º salário. E quem recebe Loas fica meio restrito. Não pode ter carro no seu nome. Tem que ter a rede per capita por um quarto do salário mínimo. A dignidade da pessoa humana tem que ser colocada sempre em destaque para que possamos ter um país bem desenvolvido”. 

Ação do Dia Nacional do Diabetes no Centro de Atendimento ao Diabético e Hipertenso - Cadh
Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

Participação de pacientes do Cadh

Adriane Ribeiro é diabética Tipo 2 e hipertensa há mais de 30 anos e participou da ação do Cadh por ter dificuldades para receber atendimentos nos postos de saúde do SUS (Sistema Único de Saúde). No Cadh, ela faz acompanhamento há cinco anos.

Sobre os cuidados, ela ressaltou a alimentação correta e equilibrada, fazer atividades físicas e a orientação médica, especialmente se houver dúvidas. 

Adriane Ribeiro
Adriane Ribeiro | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

Além de Adriane, a mãe dela também é diabética, já chegou a amputar um dedo do pé por conta da neuropatia diabética, e também já precisou de tratamentos oculares. 

“O rastreamento é muito importante. Eu estou vindo aqui para ter o acompanhamento mais frequente, porque eu passei pelo acompanhamento em novembro”.

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade

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