1 de July de 2026
Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

Bancários de Feira de Santana realizaram, na manhã desta quarta-feira (1º), uma manifestação em frente a uma agência bancária da Avenida Getúlio Vargas. O objetivo da mobilização é denunciar mais uma vez a precarização das condições de trabalho da categoria, com o fechamento de agências e o crescimento expressivo da digitalização dos serviços.

Em entrevista ao Acorda Cidade, o presidente do Sindicato dos Bancários de Feira, Eritan Machado, relatou sobre as más condições de trabalho da categoria e como essa situação reflete diretamente no atendimento à população.

Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

“Nós viemos aqui ao Santander da Avenida Getúlio Vargas, que é a única que tem caixas aqui em Feira de Santana, uma cidade com cerca de 600 mil habitantes. Só tem um caixa hoje funcionando, e somente três pessoas no atendimento, então não dá conta para uma agência lotada. Os clientes ficam prejudicados e passam as vezes o dia todo para receber um atendimento. Você paga tarifas exorbitantes, juros abusivos, e ainda assim o banco não dá assistência à população brasileira”, protestou Machado.

Ele informou que o Banco Santander já fechou duas agências em Feira de Santana, uma na JJ Seabra e outra na Getúlio Vagas. Somente duas permanecem abertas, sendo que em apenas uma delas há caixas para atendimento.  

“Ainda assim o banco segue demitindo pessoas. Somente nesta agência (da Getúlio Vargas), foram demitidas três pessoas, uma delas gerente geral, que pediu pra sair porque não estava aguentando as condições de trabalho e não estava sendo valorizado o suficiente.”

O sindicalista destacou que a categoria vem trabalhando para conseguir fechar um acordo favorável com os bancos, a nível nacional, mas caso as negociações não avancem até o final de julho, há possibilidade de greve.

“Nós participamos agora em meados de junho da Conferência Nacional dos Bancários, em São Paulo, que é o último ato que nós temos para tirar uma minuta de reivindicações. A partir de agora nós vamos marcar as negociações com os bancos para garantir a renovação da convenção coletiva de trabalho e do acordo coletivo. Nós esperamos conseguir essa renovação até o dia 30 de agosto, para que não seja preciso fazer uma greve.”

O bancário Thiago Araújo, que faz parte da direção do Sindicato dos Bancários e funcionário do Santander, afirmou que o atendimento, sobretudo para pessoas idosas, está pior a cada dia que passa.

Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

“Eu já tenho 20 anos que trabalho no Santander, e nunca vi um caos como nos últimos tempos. Eu sei que a digitalização é uma realidade que não pode ser evitada, mas eles estão desrespeitando os funcionários e é incompatível com a quantidade de clientes que entra nas agências, principalmente idosos, que chegam com seus parentes, muitas vezes debilitados e demoram mais de 1 hora na fila ou mais do que isso em períodos de pico e não temos braços para atender. Em cidades como Serrinha também fechou agências, então não é só Feira de Santana, são cidades circunvizinhas que vêm para cá em busca do atendimento e não encontra com eficiência e qualidade que deveria ter.”

Na agência onde Thiago Araújo trabalha, vários funcionários foram demitidos, e os que ficaram precisam se revezar entre diversas funções ao mesmo tempo.

“Há cinco ou seis anos, tínhamos mais de 20 funcionários nesta agência, hoje são seis funcionários para atender a toda a população. Ninguém tem uma função mais dentro do banco. São várias funções que precisam ser distribuídas e por isso a precarização.”

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade.

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