2 de July de 2026
Planserv
Renata de Morais Barbosa, mãe atípica | Foto: Ney Silva / Acorda Cidade

A mãe atípica Renata de Morais Barbosa reclamou da demora do Planserv (Sistema de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos Estaduais) em cumprir uma decisão judicial que determina a transferência do filho dela para uma clínica psiquiátrica.

Ao Acorda Cidade, Renata contou que o jovem de 20 anos, que é autista nível 2 e possui epilepsia, está internado há mais de um mês em um hospital particular de Feira de Santana, mesmo sem necessidade de permanecer na unidade hospitalar.

Entenda o caso

De acordo com Renata, o quadro de saúde do filho teve início após a morte do cachorro de estimação, atropelado no mês de abril. Sem conseguir lidar com a perda, o jovem teve um surto e tentou tirar a própria vida com medicamentos, sendo internado inicialmente na UTI.

“Ele não sabe lidar com perdas e frustrações porque autista não tem essa percepção de como lidar com essa situação. O cachorrinho dele foi atropelado e ele não deu conta do episódio. Ele surtou e tentou suicídio”, disse a mãe.

Posteriormente, o garoto foi encaminhado para uma clínica psiquiátrica, mas a mãe afirma que retirou o filho da unidade por considerar que ele foi maltratado no local.

Após ingressar com uma ação judicial, ela conseguiu uma liminar, um tipo de decisão judicial provisória e urgente, concedida em 10 de junho, determinando que o Planserv custeasse o tratamento em outra clínica especializada.

“Ele foi muito mal cuidado e eu retirei o meu filho de lá porque nenhuma mãe ia conseguir ver o filho daquele estado, ninguém ia deixar. Só que a gente precisa colocar em outra clínica e o plano não aceita. Eu coloquei no particular e entrei com a liminar para poder custear esse valor”, declarou Moraes.

Desrespeito

Segundo a mãe, o prazo de cinco dias estabelecido pela Justiça para o cumprimento da decisão já expirou, mas a transferência ainda não foi realizada. Apesar disso, o filho permanece internado no hospital particular, onde, segundo ela, os médicos dizem que não há mais necessidade de ele permanecer.

“O Planserv tem informações desencontradas. O jurídico fala uma coisa, o setor de remoção fala outra coisa e o outro setor com o qual a gente fala para reclamação também diz outra coisa. Ninguém faz nada. E a decisão está sendo descumprida”, disse.

Renata reforçou que o filho está com as crises convulsivas controladas, alimentando-se normalmente e com exames estáveis, porém necessita de acompanhamento psiquiátrico especializado para tratar o quadro emocional agravado.

“Os médicos dizem que não tem nenhuma situação clínica para ele ficar aqui. Ele está piorando psicologicamente porque está desestabilizando. Está deitado numa cama de hospital, um menino autista extremamente agitado. Eu mesma já não estou dando conta, já estou adoecendo, imagine ele, que não consegue ficar parado e tem que ficar deitado em cima de uma cama”, desabafou a mãe.

Apelo por dignidade

Para a reportagem do Acorda Cidade, a mãe também relatou o desgaste físico e emocional provocado pelo período de internação.

“Estou exausta, adoecendo junto com meu filho. Choro escondido dele porque preciso permanecer forte para cuidar dele. Meu filho é um ser humano e precisa ser tratado com dignidade”, declarou.

Apesar da situação, Renata fez questão de isentar o hospital particular onde o filho está internado de qualquer responsabilidade no caso. Segundo a mãe, a equipe médica e o serviço social da unidade têm solicitado diariamente a remoção do paciente, mas a transferência depende exclusivamente da autorização do Planserv.

O que diz o Planserv

O Planserv informou ao Acorda Cidade que o processo referente ao beneficiário está em andamento e vem sendo acompanhado pelas áreas técnicas competentes.

Segundo o plano, após a conclusão das tratativas administrativas necessárias, o prestador foi comunicado, e a guia para a continuidade da assistência está em fase de emissão, etapa indispensável para a efetivação da transferência.

O Planserv ainda afirmou que permanece acompanhando o caso para assegurar a continuidade da assistência ao beneficiário, em conformidade com os fluxos assistenciais e administrativos previstos.

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade

Siga o Acorda Cidade no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos canais no WhatsApp e YouTube e grupo de Telegram.