
As comemorações pelos 203 anos da Independência do Brasil na Bahia, celebrada neste feriado de 2 de julho, reuniram um grande público no distrito de Maria Quitéria, em Feira de Santana.
Ao longo da manhã, uma programação cívica e religiosa, que incluiu missa, hasteamento de bandeiras e desfile cívico-militar, rendeu homenagens à heroína que dá nome a um dos distritos mais conhecidos da cidade que é conhecida como Princesa do Sertão.
A celebração desta quinta-feira (2) reuniu moradores, visitantes, autoridades, historiadores e representantes políticos. O prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho (União Brasil), participou das solenidades.

Logo nas primeiras horas da manhã, a reportagem do Acorda Cidade falou com um grupo de moradores que já ocupava a praça principal para garantir um bom lugar e acompanhar bem de perto as celebrações.
“É um momento muito marcante. Não posso ficar de fora. Eu gosto do desfile do Exército. É muito bonito e vale a pena participar”, disse a aposentada Antônia, moradora do bairro Caseb, que revelou que saiu de casa às 6h para participar da programação.
O prefeito José Ronaldo que participou ativamente das comemorações, destacou o caráter histórico do 2 de Julho para a formação da independência no país. Segundo ele, Maria Quitéria simboliza coragem e determinação na luta pela libertação da Bahia.

“É um momento de gratidão a Maria Quitéria, essa mulher que mostrou força, coragem e determinação. Aqui começou uma luta que contribuiu para a independência do Brasil. Estamos aqui vivendo esse momento histórico e vendo crescer a participação popular a cada ano”, disse.
A missa foi presidida pelo arcebispo emérito de Feira de Santana, Dom Itamar Vian, de 85 anos. Pouco antes do início da celebração, o sacerdote ressaltou a necessidade de cultivar a gratidão e preservar a memória daqueles que contribuíram para a construção do país.

“Devemos agradecer pelas pessoas que trouxeram para nós uma lembrança de que vale a pena lutar pelo bem da família, pelo bem da comunidade e pelo bem de todas as pessoas. Maria Quitéria foi uma militar, uma heroína, uma figura muito importante na luta pela Independência do Brasil. Ela é um símbolo da participação das mulheres na história militar do Brasil, representa a bravura, a resistência da mulher sertaneja e uma terra que sempre se orgulhou dela”, disse Dom Itamar.
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Entre as dezenas de moradores que acompanharam as celebrações estava Caroline Rios, que destacou para o Acorda Cidade o significado simbólico da data para a comunidade local, reforçando a ligação do distrito com a história da heroína baiana.
“Aqui é a terra onde Maria Quitéria nasceu. Então nada mais do que justo ter esse desfile aqui, mostrando que ela é a força do Exército brasileiro, a patrona do Exército, e que somos fortes enquanto população. Isso também representa o nascimento de Feira de Santana”, disse.
Importância da memória
Além da programação oficial, a reportagem do Acorda Cidade flagrou um grupo de historiadores acompanhando as homenagens a Maria Quitéria. Eles aproveitaram a data para reforçar a importância de manter viva a história da Independência na Bahia.
“Maria Quitéria é uma figura muito representativa da nossa cidade e do nosso país. Ela se vestiu de homem para lutar na Guerra da Independência da Bahia, em 1822. Hoje nos reunimos para comemorar esse feito”, destacou a historiadora Rita Trabuco.

Já Carlos Melo ressaltou que a Independência do Brasil na Bahia representou a libertação do domínio português e reforçou a necessidade de preservar essa memória. Para ele, além de Maria Quitéria, o próprio território do distrito tem sua importância para Feira de Santana.
“Nossa história tem que ser sempre vivificada, não pode ficar no esquecimento. As nossas raízes precisam ser contadas para mostrar a bravura do povo brasileiro que lutou pela independência e pela liberdade”, disse o historiador.

“O município de Feira de Santana iniciou-se aqui, em São José da Pororoca, posteriormente transformado em distrito de Maria Quitéria, e manter essa cultura e essa tradição é fundamental”, complementou Melo.
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Moradora do distrito e também historiadora, Fátima Casaes destacou o papel da educação histórica para as novas gerações.
“Estamos felizes por receber tantos historiadores e por comemorar mais uma vez o 2 de Julho em homenagem à nossa heroína Maria Quitéria. Nosso papel é falar, comentar, realizar palestras e manter essa comemoração anual para que as novas gerações conheçam essa importância e transmitam esse legado para o futuro”, disse Fátima.

Moradora há mais de 30 anos do distrito, Domingas Ferreira falou da tradição de acompanhar o desfile todos os anos e a importância de envolver crianças e jovens nas celebrações cívicas. “Aqui é onde Maria Quitéria nasceu, e essa data é mais do que merecida para esse
desfile. As crianças gostam, é importante trazer elas para aprender. Eu gosto de ver o Exército, a Polícia Militar desfilando. Todo ano estou aqui e chego cedo para acompanhar tudo”, concluiu a moradora.
Com informações do repórter Paulo José, do Acorda Cidade
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