
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon-BA), Eduardo Bastos, esteve em Feira de Santana para apresentar e discutir os dados mais recentes da construção civil no município, setor que vive um dos seus momentos mais pujantes e que se consolida como um dos principais motores da economia local e da geração de empregos.
Atualmente, a construção civil é um dos segmentos que mais cresce e emprega em Feira de Santana. Dados do Novo Caged mostram a força do setor na cidade: somente em fevereiro de 2026, a construção civil foi responsável pela criação de 478 novos postos de trabalho formais no município, reforçando a importância estratégica da atividade para a economia local.
Em entrevista ao Acorda Cidade, Eduardo Bastos explicou que o Sinduscon é uma entidade que existe há 74 anos, com sede em Salvador e delegacias em Feira de Santana, Vitória da Conquista e Barreiras. Com isso, ele salientou que a interiorização é um dos pilares da gestão.
“A Bahia é um estado muito grande, com economia forte em alguns municípios e a construção civil tem se destacado bastante, como é o caso aqui em Feira”.
Crescimento da geração de empregos
O presidente acredita que o aumento na geração de empregos no setor da construção civil acontece principalmente pelo déficit na área de habitação no Brasil, que recebe incentivos do governo federal e da Caixa Econômica para o programa Minha Casa, Minha Vida. Segundo ele, essa é a “bandeira principal” da construção civil.

Teve o encontro nacional da indústria da construção em São Paulo, promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção e o presidente Lula esteve presente na solenidade de abertura com oito ministros, mostrando claramente a prioridade do governo em diminuir esse déficit. E Feira de Santana tem conseguido captar esse recurso, tem uma demanda, porque a cidade é muito pujante, cresce muito. Feira de Santana, no ano passado, em termos de captação de recursos para habitação, foi a quarta cidade do país, só perdendo para São Paulo, Rio de Janeiro e João Pessoa”.
De acordo com Eduardo Bastos, Feira de Santana tem infraestrutura urbana para sustentar esse ritmo de crescimento. No entanto, ele frisou que é necessário que a Embasa e a Coelba acompanhem as questões relacionadas à água, esgoto e energia. “Então eu acredito que Feira de Santana está preparada para o crescimento que ela espera e merece”.
Investimentos, novos empreendimentos e desafios na construção civil
Sobre como o Sinduscon enxerga os investimentos imobiliários e o papel deles na dinâmica econômica local, o presidente do sindicato disse que, atualmente, o déficit habitacional no Brasil está entre 5 e 7 milhões. Portanto, enquanto houver recursos e empresários interessados em investir, tem demanda para a construção civil.
“A gente tem visitado algumas cidades, como Ilhéus e Vitória da Conquista, que a construção civil na área imobiliária e de construção de edificações está muito pujante. Desde quando tenha recursos e empresários que queiram investir, tem demanda para isso. Esse é o mercado”.
Quanto à previsão de novos empreendimentos, ele destacou a localização de Feira de Santana, que é o maior entroncamento rodoviário do Norte e Nordeste.
“Feira é uma cidade que cresce, está muito próxima aqui da 101, a BR-116 passa praticamente por dentro de Feira. É um polo logístico e industrial. A construção tem que acompanhar esse crescimento e oferecer condições para esse mercado de trabalho que só vai crescer”.
Questionado sobre os desafios na área da construção civil, Eduardo Bastos salientou a escassez de mão de obra. Mas também questões como a mudança da jornada de trabalho com o fim da escala 6×1, e os conflitos no Oriente Médio, que causaram aumento no valor dos combustíveis.
A construção civil tem alguns desafios, como qualquer setor produtivo e dinâmico e que cresce no nível em que a construção está crescendo no país. Eu diria que um dos maiores desafios nossos hoje é a escassez de mão de obra. A gente tem uma discussão que está todo mundo assistindo, que é a mudança da escala 6×1. Também a questão de aumento dos insumos da construção civil, que depois que começou o conflito do Oriente Médio, teve um aumento do combustível e isso puxou frete e alguns produtos como PVC, que são derivados do petróleo e alguns até justificáveis em percentuais, não tanto quanto está acontecendo, e outros tantos materiais indo por tabela na especulação. Então isso nos preocupa muito”.
Com informações do repórter Paulo José, do Acorda Cidade
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